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UNICEF e Cáritas fortalecem comunidades indígenas e ribeirinhas para enfrentar eventos climáticos extremos

O projeto da Cáritas Brasileira em parceria com o UNICEF e Cáritas Suíça visa o fortalecimento de comunidades em Humaitá, São Paulo de Olivença e Benjamin Constant, no Amazonas

03 novembro 2026

Manaus, 30 de outubro de 2026 – Comunidades indígenas e ribeirinhas do Amazonas agora contam com um novo aliado para se preparar para os efeitos causados pelas mudanças climáticas, como secas, incêndios florestais e erosão das margens dos rios. O projeto “Comunidades Seguras e Resilientes no Amazonas” é financiado pelo Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia (ECHO, na sigla em inglês), e realizado pela Cáritas Brasileira por meio de uma iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do apoio da Cáritas Suíça. A expectativa é de que aproximadamente 600 pessoas sejam beneficiadas de agosto de 2026 até dezembro de 2027 no estado do Amazonas, nos municípios de Humaitá, ao sul, São Paulo de Olivença, no Norte, e Benjamin Constant, região fronteiriça entre Brasil, Peru e Colômbia.

A proposta é intensificar a gestão comunitária de riscos, implementando sistemas locais de alerta precoce contra desastres climáticos e mecanismos de ação antecipada, visando reduzir os impactos dos eventos climáticos intensos. O objetivo é auxiliar para que as comunidades deixem de apenas reagir às emergências e passem a antecipá-las.

“Antecipar os impactos dos eventos climáticos extremos é essencial para proteger crianças e adolescentes. Com essa parceria, queremos fortalecer os sistemas de alerta e a preparação das comunidades, valorizando os saberes indígenas e ribeirinhos para que meninas e meninos tenham seus direitos protegidos também durante as emergências”, afirma Gregory Bulit, chefe do Programa de Água, Saneamento e Higiene, Clima, Meio Ambiente e Desastres do UNICEF no Brasil,

Muitas comunidades no Amazonas estão cada vez mais expostas aos efeitos da crise climática, porque dependem diretamente dos recursos naturais. Segundo pesquisa do Centro de Estudo de Sustentabilidade da FGV (FGVCes), a seca extrema na Amazônia de 2023 a 2024 causou inúmeros danos, como insegurança alimentar, perda de trabalho e renda, sobrecarga nos trabalhos de cuidado, agravamento do sofrimento psíquico entre muitos outros. A pesquisa da FGV foca principalmente nestes efeitos para as mulheres de comunidades tradicionais e indígenas.

Essas populações têm saberes tradicionais, redes de solidariedade e estratégias próprias de adaptação, mas os impactos das atividades humanas têm causado alterações de longo prazo nos padrões de temperatura e nos regimes de chuva do planeta, o que faz com que   a intensidade e a frequência de eventos como, por exemplo, o El Niño, sobrecarreguem estas capacidades. Segundo artigo da OTCA, Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, “entre as principais consequências para a região estão secas severas, queda nos níveis dos rios, aumento da propagação de incêndios e maior vulnerabilidade de populações ribeirinhas. O registro mais recente ocorreu em 2024, quando o El Niño, combinado ao aquecimento do Atlântico Tropical, contribuiu para uma das secas mais intensas já observadas na Amazônia.” O projeto parte dessas capacidades já existentes para torná-las mais organizadas e sustentáveis.

É justamente neste ponto que reside o diferencial do projeto: ele foi pensado a partir das visões de mundo dos povos indígenas e comunidades ribeirinhas da região. As atividades serão culturalmente adaptadas, usando línguas locais e contarão com articuladores comunitários para garantir a compreensão e participação de todos. O conhecimento tradicional é reconhecido e incorporado à análise de riscos.

Outro diferencial é a atenção a grupos prioritários, definidos a partir de uma avaliação de necessidades feita com as próprias comunidades. Crianças e adolescentes, com atenção especial às meninas indígenas, participarão dos processos de gestão de riscos em atividades que integram a proteção infantil e garantem uma participação segura. As escolas também ganham planos de preparação próprios, para que o aprendizado não seja interrompido durante emergências.

Como o projeto funciona?

Na região de Humaitá, as ações se concentram nas seguintes comunidades às margens do rio Madeira e seu entorno: Laranjal 1, Laranjal 2, Paraisinho, Paraíso Grande, Mirari e a Comunidade Indígena Apurinã. Inicialmente, o projeto contará com a capacitação de organizações indígenas e ribeirinhas e monitores locais, que passarão a desenvolver e operar sistemas de alerta precoce e estratégias de redução de riscos de desastres. Desta forma, as comunidades constroem mecanismos próprios, participativos e preventivos, empoderando-se com as novas estratégias para responder às emergências e consolidando comitês comunitários.

A água é um dos focos principais. Os comitês Wash  — coletivos auto-organizados apoiado pela Cáritas Brasileira que atuam na promoção do direito à água — garantem a qualidade da água, saneamento e higiene, além de monitorar o aumento das chuvas, com atenção especial às comunidades escolares. 

Já em São Paulo de Olivença e Benjamin Constant, o trabalho está voltado à ativação ou ao fortalecimento de espaços de coordenação, especialmente o fórum de Proteção Civil. Nos três municípios, o projeto também busca conectar os sistemas de alerta das comunidades às instituições governamentais. Os planos de contingência criados junto com as comunidades sejam integrados aos planos municipais de Proteção e Defesa Civil.

Resultados esperados

A expectativa é que 600 pessoas passem a ser cobertas por planos de ação antecipada e de contingência. Outras 150 devem participar diretamente de atividades que fortalecem sua capacidade de enfrentar choques e situações de estresse climático. Além disso, os três municípios terão planos de contingência elaborados com base na experiência das próprias comunidades indígenas e ribeirinhas na redução de risco de desastres.

Todo o processo adota uma abordagem participativa e intercultural. Também incorpora as perspectivas de gênero e equidade e conta com monitoramento contínuo, o que permite ajustar as ações ao longo da execução. Segundo Valquíria Smith, diretora executiva da Cáritas Brasileira, “A Cáritas Brasileira, em parceria com a Cáritas Suíça e o UNICEF Brasil, entende que ter comunidades seguras e resilientes a partir de saberes ancestrais dessas comunidades e de seus territórios é a forma mais segura de mitigar os impactos das mudanças climáticas. É também uma forma de incidir politicamente a partir do local para políticas públicas adequadas de proteção e gestão de risco para estas comunidades que estão em condições de maior vulnerabilidade diante das mudanças climáticas.” 

A Cáritas Brasileira e seus parceiros buscam deixar um legado que ultrapasse os 16 meses de execução: comunidades mais organizadas, sistemas de alerta integrados às políticas públicas e uma nova geração de crianças e adolescentes, preparada para conviver com os desafios climáticos da Amazônia, através da união do conhecimento de quem vive no território às ferramentas de gestão de riscos e ao poder público.

Contatos para a imprensa

Sarah Paes
Oficial de Comunicação - Emergências
Telefone: 61 99605-9077

Sobre o UNICEF

O UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, trabalha para proteger os direitos de cada criança e adolescente, em todos os lugares, especialmente os mais vulneráveis, nos locais mais remotos. Em mais de 190 países e territórios, fazemos o que for preciso para ajudar crianças e adolescentes a sobreviver, prosperar e alcançar seu pleno potencial. Em 2025, o UNICEF comemora 75 anos no Brasil.

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