Oficina na Bahia prepara profissionais de saúde para enfrentar o racismo na primeira infância
Iniciativa do UNICEF e do Ministério da Saúde busca formar profissionais da atenção básica com o objetivo de enfrentar o racismo estrutural desde o nascimento
Salvador, 4 de junho de 2026 – Cerca de 100 profissionais de saúde da Bahia, integrantes da Atenção Primária à Saúde (APS), participaram de oficinas de formação voltadas ao enfrentamento do racismo na primeira infância. A iniciativa foi promovida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pelo Ministério da Saúde, em parceria, no auditório do Instituto Anísio Teixeira, em Salvador, na última terça-feira (2/6).
A atividade integra um ciclo de 10 oficinas realizadas em diferentes estados brasileiros e tem como foco capacitar profissionais da saúde pública para identificar, enfrentar e prevenir os impactos do racismo estrutural e institucional no desenvolvimento infantil.
A pedagoga e especialista em Primeira Infância do UNICEF, Maria Luísa Passos, destaca que “para garantir o pleno desenvolvimento das crianças em suas potencialidades, é fundamental que o racismo estrutural e institucional seja enfrentado por toda a sociedade, por meio do reconhecimento do problema e da implementação de práticas antirracistas”. O UNICEF atua de forma pioneira nessa agenda por meio da estratégia Primeira Infância Antirracista (PIA).
O papel da saúde no enfrentamento ao racismo desde a primeira infância
A coordenadora-geral de Atenção à Saúde da População Negra do Ministério da Saúde, Rosimeire Santos, ressaltou o compromisso do governo federal com a pauta. “O Ministério da Saúde acredita que o combate ao racismo se dá por meio de práticas e ações efetivas nos territórios”, afirmou. Ela também destacou a importância da articulação entre políticas públicas, com a integração entre a iniciativa PIA, do UNICEF, e as ações do Ministério da Saúde.
A coordenadora do UNICEF para Bahia, Minas Gerais e Sergipe, Helena Oliveira, explicou que as oficinas têm como objetivo fortalecer a prática cotidiana de profissionais da saúde pública, incorporando uma abordagem antirracista no atendimento à primeira infância.
“Esses e essas profissionais têm papel decisivo na promoção de uma atenção antirracista desde os primeiros anos de vida, contribuindo para a garantia da equidade racial nas políticas de saúde voltadas às diversas infâncias”, afirmou.
Oficinas antirracismo acontecerão em 10 estados
As oficinas são realizadas pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR) e pelo Ministério da Saúde (MS), em colaboração com o UNICEF, em 10 estados. A iniciativa resultará na elaboração de guias práticos para a atuação na primeira infância na Atenção Primária à Saúde. Os materiais vão reunir contribuições dos territórios participantes e servirão de subsídio para gestores públicos, profissionais de saúde e sociedade civil.
O UNICEF, o MIR e o MS reforçam a importância de concentrar esforços na primeira infância, considerando que os seis primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento emocional, afetivo e cognitivo. Os estímulos recebidos nesse período são determinantes para o desenvolvimento integral das crianças.
Dados da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (2022) evidenciam desigualdades raciais no acesso ao cuidado desde o pré-natal: enquanto 68% das mulheres negras realizam o número adequado de consultas, entre as mulheres brancas esse índice chega a 81,2%.
Sobre Primeira Infância Antirracista (PIA)
A estratégia PIA ─ Primeira Infância Antirracista, iniciativa do UNICEF no Brasil em parceria com o Instituto Promundo, oferece materiais informativos e indutores de práticas antirracistas nos diferentes serviços de atendimento às gestantes, crianças negras e indígenas entre 0 e 6 anos, além de suas famílias.
O UNICEF no Brasil tem a XBRI Pneus como parceira estratégica para toda sua atuação no Brasil.
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