Hoje, 1 bilhão das crianças mais vulneráveis do mundo estão em risco extremo. Se o mundo não agir, amanhã serão todas as crianças. Já passou da hora de colocar as crianças no centro da ação climática.

Declaração da diretora executiva do UNICEF, Catherine M. Russell, sobre o Relatório AR6 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)

28 fevereiro 2022

Nova Iorque, 28 de fevereiro de 2022 – "O histórico relatório de hoje do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) remove qualquer sombra de dúvida: a crise climática não é uma ameaça futura. Está aqui, está se acelerando e continuará afetando o mundo de maneiras cada vez mais devastadoras.

A crise climática já expôs quase todas as crianças, em todos os continentes, a um risco maior de perigos climáticos mais frequentes, intensos e destrutivos, desde ondas de calor e secas a ciclones e inundações, desde poluição do ar a doenças transmitidas por vetores.

Mas para algumas crianças, a crise climática é mais do que um risco elevado. É uma realidade que ameaça sua vida.

O Índice de Risco Climático das Crianças, do UNICEF, lançado recentemente – a primeira análise abrangente do risco climático e ambiental da perspectiva de uma criança – mostra que 1 bilhão de crianças vivem em países de risco extremamente alto, onde estão expostas aos perigos, choques e estressores mais graves. O impacto sobre essas crianças, suas famílias e seus futuros – e, portanto, suas sociedades – é enorme.

Hoje, 1 bilhão das crianças mais vulneráveis do mundo estão em risco. Amanhã, se o mundo não agir, serão todas as crianças.

A evidência é irrefutável – a crise climática é uma crise das crianças. E, no entanto, as crianças são constantemente negligenciadas no planejamento de resposta à crise climática. Investir nas necessidades das crianças mais afetadas pelas mudanças climáticas não é uma prioridade. Em muitos casos, nem está na agenda.

O mundo não pode continuar ignorando as crianças enquanto lida com a ameaça existencial das mudanças climáticas e da degradação ambiental. É hora de colocar nossas crianças no centro da ação climática.

Primeiro e sempre, os governos precisam entregar ambiciosas reduções de emissões. Essa continua a ser a única solução a longo prazo, pois a adaptação climática tem limites. Mas precisamos agir – agora – para ajudar as crianças mais vulneráveis, que vivem em países com as emissões per capita mais baixas, a se adaptarem aos impactos das mudanças climáticas, para que possam sobreviver e prosperar em um mundo em rápida mudança.

Preparar países e comunidades por meio do desenvolvimento resiliente ao clima com foco principal na adaptação é a maneira mais eficaz de proteger a vida de crianças vulneráveis e os meios de subsistência da família. Está comprovado que reduz o risco climático para as crianças. Cria resiliência a choques climáticos futuros e esperados. Oferece benefícios econômicos reais.

No entanto, muitos países carecem totalmente de planos de adaptação ou têm planos que não protegem ou atendem às suas necessidades específicas e urgentes. Isso significa que a maioria das crianças ainda está desprotegida e despreparada para a intensificação do impacto das mudanças climáticas.

O UNICEF está pedindo a todos os países que se comprometam a garantir que a adaptação centrada na criança seja uma peça essencial de todos os planos climáticos como uma questão de maior prioridade.

Para que sejam eficazes, os planos de adaptação centrados na criança e as medidas de resiliência precisam ser multissetoriais, cobrindo os setores críticos que apoiam a sobrevivência e o bem-estar das crianças: água e saneamento; saúde, nutrição e educação; política social e proteção infantil. Eles também precisam concentrar recursos e atenção em alcançar as crianças mais marginalizadas e vulneráveis das comunidades mais pobres. Tão importante quanto isso, eles devem ser desenvolvidos e implementados com o envolvimento e a participação dos jovens – garantindo que suas vozes sejam ouvidas e suas necessidades sejam refletidas nas decisões. Por último, devem contar com financiamento e recursos de forma adequada e urgente.

Os jovens já esperaram demais para que os líderes tomassem as medidas profundas e drásticas necessárias para limitar a crise climática. Não vamos deixá-los esperando que tomemos as ações inteligentes e estratégicas que os ajudarão a sobreviver."

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