COP26 – Crianças e mudanças climáticas

01 novembro 2021
Foto mostra um menino pequeno em meio a uma área totalmente alagada.
UNICEF/UN0436092/Prinsloo
Em 4 de março de 2021, uma criança brinca nas enchentes de Gatumba, perto de Bujumbura, no Burundi. O país é extremamente vulnerável às mudanças climáticas e aos desastres naturais desencadeados por essas mudanças e, como um dos países mais pobres do mundo, tem poucos meios para proteger sua população.

Glasgow, 1º de novembro de 2021 – O UNICEF estará na COP26 para garantir que a crise climática seja reconhecida como uma crise para as crianças e seus direitos, para promover abordagens para diminuir o risco climático para aqueles que são mais vulneráveis e para apoiar a participação de crianças, adolescentes e jovens na COP26 como parte dos esforços para apoiar a participação de crianças, adolescentes e jovens na tomada de decisões relacionadas ao clima.

"A COP26 deve ser a COP das crianças", disse a diretora executiva do UNICEF, Henrietta Fore. "A mudança climática é uma das maiores ameaças que essa geração enfrenta, com 1 bilhão de crianças e adolescentes em risco extremamente alto. Ainda assim, embora as perspectivas sejam terríveis, os líderes mundiais na COP26 têm uma oportunidade significativa e urgente de redirecionar o terrível caminho em que estamos. Eles podem fazer isso comprometendo-se a fortalecer a resiliência dos serviços dos quais crianças e adolescentes dependem e reduzindo as emissões de forma mais rápida e profunda. O futuro de bilhões de meninas e meninos depende disso".

Mensagens-chave:

A crise climática é uma crise dos direitos da criança. 

  • As mudanças climáticas representam uma grande ameaça à saúde, à nutrição, à educação, ao desenvolvimento, à sobrevivência e ao potencial futuro de crianças, adolescentes e jovens. Em comparação com os adultos, as crianças precisam de mais comida e água por unidade de seu peso corporal, são menos capazes de sobreviver a eventos climáticos extremos e são mais suscetíveis a produtos químicos tóxicos, mudanças de temperatura e doenças, entre outros fatores.
  • De maneira crítica, as gerações atuais e futuras de crianças e adolescentes terão que navegar em um futuro incerto, no qual o atual modelo de crescimento que vincula o desenvolvimento econômico à exploração ambiental não é mais viável.
     

Crianças e adolescentes em comunidades que menos contribuíram para as emissões globais enfrentarão os maiores impactos das mudanças climáticas. Construir a resiliência dos serviços sociais dos quais esses meninos e meninas dependerão é fundamental para reduzir os riscos que enfrentarão. Alguns fatos importantes sobre crianças e clima:

  • Um relatório do UNICEF lançado no último mês de agosto, Índice de Risco Climático das Crianças (IRCC), revelou que quase todos os meninos e meninas na Terra estão expostos a pelo menos um risco climático e ambiental, como ondas de calor, ciclones, poluição do ar, inundações e escassez de água.
  • Aproximadamente 1 bilhão de crianças e adolescentes – quase metade dos meninos e meninas do mundo – vivem em 33 países classificados no IRCC como de "risco extremamente alto". Essas crianças e adolescentes enfrentam uma combinação mortal de exposição a múltiplos choques climáticos e ambientais com alta vulnerabilidade devido a serviços essenciais inadequados, como água e saneamento, saúde e educação.
  • Estima-se que 850 milhões de crianças e adolescentes – mais de um terço de todos os meninos e meninas do mundo – vivem em áreas onde pelo menos quatro dos choques climáticos e ambientais se sobrepõem, e cerca de 330 milhões de crianças e adolescentes vivem em áreas afetadas por cinco choques climáticos surpreendentes.
  • Crianças e adolescentes de países que menos contribuem para a mudança climática sofrem as maiores consequências. Os 33 países de risco extremamente alto emitem coletivamente 9% das emissões de CO2. Os dez países de maior risco emitem coletivamente apenas 0,5% das emissões globais.
  • Melhorar a resiliência dos serviços-chave dos quais crianças e adolescentes dependem costuma ser o melhor investimento para reduzir os riscos que enfrentam.
    • O acesso a serviços de água, saneamento e higiene resilientes reduz os riscos para 415 milhões de crianças e adolescentes.
    • Os serviços de saúde inteligentes para o clima reduzem os riscos para 460 milhões de crianças e adolescentes.
    • Escolas e sistemas educacionais resilientes reduzem os riscos para 275 milhões de crianças e adolescentes.
    • E as redes de segurança social sensíveis ao clima reduzem os riscos para 310 milhões de crianças e adolescentes.
       

Ação na COP26 é imperativa. O UNICEF está pedindo aos governos para:

  • Aumentar o investimento em adaptação ao clima e resiliência.
    • O UNICEF pede que os países desenvolvidos excedam sua promessa de 2009 de mobilizar US$ 100 bilhões anualmente em financiamento climático à luz das evidências de que essas quantias são insuficientes para enfrentar a escala dos impactos climáticos. O UNICEF solicita uma maior ênfase no financiamento para construir resiliência climática e capacidade de adaptação.
    • Os esforços de mitigação levarão décadas para reverter os impactos das mudanças climáticas e, para as crianças e os adolescentes de hoje, será tarde demais. A menos que invistamos pesadamente na adaptação e resiliência dos serviços sociais para os 4,2 bilhões de crianças nascidas nos próximos 30 anos, essas crianças enfrentarão riscos cada vez maiores para sua sobrevivência e bem-estar.
    • Os serviços essenciais devem ser adaptados, como sistemas de água, saneamento e higiene, serviços de saúde e educação.
    • É imperativo que, na COP26, os países se comprometam a aumentar o investimento em adaptação ao clima e resiliência em serviços essenciais para crianças e adolescentes, priorizando os grupos mais vulneráveis e marginalizados. As decisões tomadas na COP26 vão moldar a vida de todos os meninos e meninas em todas as nações do mundo, agora e no futuro.
  • Reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
    • O UNICEF está pedindo aos países que cortem suas emissões em pelo menos 45% (em comparação com os níveis de 2010) até 2030 para manter o aquecimento a não mais que 1,5 grau Celsius.
    • Os governos estão lamentavelmente fora do caminho para cumprir essa meta, com a UNFCCC alertando que as metas de mitigação do clima existentes podem levar a um aumento de temperatura de cerca de 2,7 graus Celsius até o final do século. Para cada fração de grau de aquecimento, os cientistas dizem que ondas de calor mais extremas, inundações e secas podem ser esperadas.
    • O número de crianças e adolescentes que o UNICEF estima como estando em "risco extremamente alto" dos impactos das mudanças climáticas provavelmente aumentará à medida que os impactos das mudanças climáticas se acelerem.
  • Incluir adolescentes e jovens em todas as negociações e decisões sobre o clima.
    • O UNICEF apoia as solicitações dos adolescentes e jovens para que os governos acabem com a omissão consistente dos adolescentes e jovens, especialmente aqueles dos lugares mais afetados.
    • Os adolescentes e jovens continuam exigindo ações climáticas abrangentes e ousadas dos tomadores de decisão. Até o momento, a ação exigida não se concretizou nos níveis exigidos.
    • Crianças, adolescentes e jovens estão sub-representados nas políticas e nas discussões políticas, apesar de serem as principais partes interessadas em seus resultados. Eles são, portanto, limitados em sua capacidade de influenciar decisões que são críticas para seu futuro.
    • Os direitos e as vozes das crianças e dos adolescentes devem ser refletidos e incluídos na implementação do Acordo de Paris em níveis nacional, regional e internacional. A COP26 apresenta uma oportunidade crítica para formalizar isso. 2022 marcará 30 anos desde que a Convenção da UNFCCC foi elaborada e, ainda assim, nunca houve uma decisão voltada para crianças, adolescentes e jovens em ações climáticas tomadas no âmbito da UNFCCC.
    • Cada governo deve fornecer educação climática para crianças, adolescentes e jovens, de modo que eles possam contribuir de forma significativa e participar das políticas e ações climáticas.

###

Contatos para a imprensa

Elisa Meirelles Reis
Oficial de Comunicação
UNICEF Brasil
Telefone: (61) 98166 1649
Ester Correa Coelho
Oficial de Comunicação
UNICEF Brasil
Telefone: (61) 99122 8671

Sobre o UNICEF
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do planeta, para alcançar as crianças mais desfavorecidas do mundo. Em 190 países e territórios, o UNICEF trabalha para cada criança, em todos os lugares, para construir um mundo melhor para todos.

Acompanhe nossas ações no Facebook, Twitter, Instagram, YouTube, LinkedIn e TikTok.

Você também pode ajudar o UNICEF em suas ações. Faça uma doação agora.