Covid-19: Mais de 95% das crianças estão fora da escola na América Latina e no Caribe, estima o UNICEF

23 março 2020
um menino está sentado mexendo no computador
UNICEF/BRZ/Raoni Libório

Cidade do Panamá, 23 de março de 2020 – O UNICEF estima que na América Latina e no Caribe, mais de 154 milhões de crianças[1], cerca de 95% dos alunos matriculados na região, estão temporariamente fora da escola devido à Covid-19.

Cerca de 90% dos centros de educação infantil e escolas de ensino fundamental e médio da América Latina e do Caribe permanecerão fechados pelas próximas semanas e esse percentual está crescendo rapidamente. Essa situação, que pode durar mais do que o planejado inicialmente, aumenta o risco de abandono permanente, especialmente para crianças e adolescentes mais vulneráveis.

No Brasil, ainda não há uma determinação nacional para o fechamento das instituições de ensino, como em outros países da América Latina e do Caribe (veja o mapa). No entanto, grande parte das redes públicas e da rede privada já determinou o fechamento das escolas.

Portanto, é urgente tomar medidas para evitar a interrupção da educação e garantir o acesso a modalidades de ensino a distância continuadas e flexíveis para todas as crianças em casa, incluindo aquelas sem acesso à Internet e aquelas que têm alguma deficiência.

"Esta é uma crise educacional sem precedentes na história recente da América Latina e do Caribe", disse Bernt Aasen, diretor regional a.i. do UNICEF para a América Latina e o Caribe. "Nunca houve tantas escolas fechadas ao mesmo tempo. A expansão do coronavírus deixará a maioria das meninas e dos meninos fora da escola nas próximas semanas. Se o fechamento das escolas for prolongado, há um grande risco de as crianças e os adolescentes ficarem atrasados em seu aprendizado, e tememos que estudantes mais vulneráveis nunca voltem às salas de aula. É vital que eles não parem de aprender em casa".

"Para continuar seus estudos em casa, todas as ferramentas e todos os canais disponíveis deverão ser utilizados, seja por rádio, televisão, internet ou telefone celular. Só conseguiremos enfrentar esse desafio por meio de um esforço conjunto de governos, setor privado, pais, mães e crianças e adolescentes", acrescentou Aasen.

O fechamento das escolas também implica a interrupção do acesso a outros serviços básicos importantes, como merenda escolar, programas recreativos, atividades extracurriculares e apoio pedagógico. Os serviços escolares de saúde, água, saneamento e higiene também serão afetados. Para as escolas que permanecem abertas, é essencial garantir o acesso a sabão e água potável e promover práticas de higiene.

Muitos países começaram a implementar modalidades de ensino a distância, incluindo cursos em plataformas digitais. No entanto, essas modalidades não são garantidas em toda a região, e nem todas as famílias têm acesso a elas, principalmente as mais vulneráveis. É prioritário fornecer conteúdo acessível no rádio e na televisão para crianças de baixa renda, em risco de exclusão, sem acesso à internet, com deficiência, além de migrantes e comunidades indígenas.

Nesta semana, o UNICEF e seus parceiros lançarão a campanha de divulgação regional #AprendendoEmCasa por meio de seus canais digitais para fornecer às famílias e aos educadores da região ferramentas gratuitas de educação e entretenimento, além de dicas e exemplos de boas práticas de saúde e higiene.

O UNICEF reconhece os esforços de todos os governos da região para garantir o direito à educação e está trabalhando com eles e outros parceiros para desenvolver modalidades de ensino a distância mais flexíveis que incluam conteúdo online, rádio e televisão, materiais de leitura e trabalhos de casa guiados.


[1] Com base nos dados de matrículas do Instituto de Estatística da Unesco http://data.uis.unesco.org/

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