UNICEF WASH: Desafios e Respostas no Combate ao Surto de Cólera em Angola.

Medidas de prevenção e tratamentos são implementadas para controlar a propagação da doença.

Miraldina de Jesus
UNICEF WASH: Desafios e Respostas no Combate ao Surto de Cólera em Angola.
UNICEF Angola/2025
12 Fevereiro 2025

Desde o primeiro caso registado a 7 de Janeiro de 2025, Angola enfrenta um surto de cólera que tem se espalhado rapidamente deixando um rasto de preocupação nas comunidades. Com mais de três mil casos   casos confirmados até ao momento, o surto  tem atingido principalmente as províncias de Luanda, do Bengo, Icolo e Bengo, Huambo, Malanje, zaire,  e Huíla.

A situação é particularmente grave no município de  Cacuaco, provincia de Luanda, onde a falta de água potável, higiene e saneamento básico  têm acelerado a propagação da doença. Famílias inteiras vivem em risco, sem acesso a meios adequados para tratar a água e muitas sem sequer compreender os riscos e a origem da doença. As crianças no grupo etário mais afectado é o dos 2 aos 5 anos , seguido do grupo etário dos 10 aos 14 anos de idade.

Diante desta emergência sanitária, o Ministério da Saúde, em colaboração com o UNICEF e a Organização Mundial da Saúde, têm desempenhado um papel importante no combate à cólera, fornecendo materiais essenciais de comunicação para mudança de comportamento, e para tratamento de água e higiene como hipoclorito cálcio , lixívia , bidões de água de 20L, sabão e kits de teste de cloro residual e PH de campo para monitorar a qualidade de água.

Centros de Tratamento da Cólera (CTCs) Foram inaugurados em várias zonas de Luanda, como parte desta colaboração. Estes centros têm sido uma linha de defesa essencial para garantir que os pacientes infectados recebam o tratamento de emergência necessário na sua localidade.

Equipados com unidades de reidratação oral, medicamentos vitais e equipamentos médicos adequados, os CTCs foram estrategicamente colocados nas áreas mais afectadas, como Cacuaco, para reduzir a mortalidade e facilitar o acesso a cuidados médicos imediatos.

Além da resposta imediata, o UNICEF em suporte do Governo Angolano também tem investido fortemente na prevenção, mobilização comunitária e formação de voluntários para garantir que a informação e as soluções cheguem a quem mais precisa.

Centros de Tratamento da Cólera (CTCs) Foram inaugurados em várias zonas de Luanda, como parte desta colaboração. Estes centros têm sido uma linha de defesa essencial para garantir que os pacientes infectados recebam o tratamento de emergência necessário na sua localidade.
UNICEF Angola/2025 Centros de Tratamento da Cólera (CTCs) Foram inaugurados em várias zonas de Luanda, como parte desta colaboração. Estes centros têm sido uma linha de defesa essencial para garantir que os pacientes infectados recebam o tratamento de emergência necessário na sua localidade.

A Mobilização Comunitária: O Conhecimento Salva Vidas.

Nos bairros mais afectados, a informação tem sido uma das armas mais poderosas contra a cólera. Através de campanhas de sensibilização, o UNICEF juntamente com a OMS e o Ministério da Saúde têm trabalhado lado a lado com líderes comunitários, professores e agentes de saúde, para garantir que as mensagens cheguem a todos.

As ADECOS (Associação de Desenvolvimento Comunitário e Sanitário), criadas pelo Governo angolano em parceria com o UNICEF e a OMS, têm desempenhado um papel fundamental na sensibilização da comunidade, ensinando e incentivando boas práticas de higiene e garantindo o acesso a  informação de forma clara e acessível.

Rosalina Graciano, é um exemplo do impacto deste trabalho. Como agente da ADECOS (Agentes de Desenvolvimento Comunitário e Sanitário), percorre as ruas de Cacuaco diariamente, de porta em porta, ensinando medidas básicas de biossegurança.

Quando o surto começou, muitas famílias não sabiam o que fazer. Hoje, ensinamos  principalmente mulheres e crianças a tratar a água, a lavar as mãos correctamente e a identificar os primeiros sintomas.” Afirmou.

Rosalina Graciano, é um exemplo do impacto deste trabalho.
UNICEF Angola/2025 Rosalina Graciano, é um exemplo do impacto deste trabalho.

O impacto das ADECOS nas comunidades tem sido visível, especialmente nas áreas mais afetadas. Através do trabalho contínuo de sensibilização e educação, têm promovido mudanças nos hábitos de higiene e no tratamento da água. Além disso, ao envolver os próprios moradores no processo,  têm fortalecido o senso de responsabilidade e incentivando a população a enfrentar de forma mais eficaz este problema de saúde pública.

Alexandre João, morador do bairro Ângelo no Município de Cacuaco, relatou as mudanças no seu bairro desde a implementação da mobilização comunitária:

No início, havia muito medo e desinformação. Mas, desde que começaram as sensibilizações, as pessoas passaram a ter mais cuidado. Já não vemos tantas crianças doentes aqui no bairro”.

Alexandre João, morador do bairro Ângelo no Município de Cacuaco, relatou as mudanças no seu bairro desde a implementação da mobilização comunitária.
UNICEF Angola/2025 Alexandre João, morador do bairro Ângelo no Município de Cacuaco, relatou as mudanças no seu bairro desde a implementação da mobilização comunitária.

O líder comunitário Ntsambo Augusto reforçou a importância da mobilização:

A cólera não se combate apenas com remédios, mas também com conhecimento. Temos promovido encontros, palestras e até campanhas nas igrejas para garantir que todos saibam como se proteger. Cada um faz a sua parte”. 

O líder comunitário Ntsambo Augusto reforçou a importância da mobilização.
UNICEF Angola/2025 O líder comunitário Ntsambo Augusto reforçou a importância da mobilização.

Cunha Miranda, presidente da associação de Moradores do bairro Havemos de Voltar, um dos bairros afectados pela Cólera, apelou por mais recursos, mas  também elogiou a força do povo angolano:

O nosso bairro enfrenta grandes dificuldades no abastecimento de água, estamos a enfrentar uma crise dentro de outra crise, mas não vamos desistir. Se continuarmos unidos, poderemos travar o surto”.

O Morador apelou também para que prestem uma maior atenção as zonas mais afectadas para que se reforce o abastecimento de água.

Cunha Miranda, presidente da associação de Moradores do bairro Havemos de Voltar, um dos bairros afectados pela Cólera, apelou por mais recursos, mas  também elogiou a força do povo angolano.
UNICEF Angola/2025 Cunha Miranda, presidente da associação de Moradores do bairro Havemos de Voltar, um dos bairros afectados pela Cólera, apelou por mais recursos, mas também elogiou a força do povo angolano.

A luta contra a cólera em Angola ainda está longe de terminar, mas a resposta tem sido positiva. Para garantir a segurança das comunidades mais vulneráveis, é essencial que todos continuem a adotar medidas de prevenção.

A higiene adequada, que passa por lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou cinza, tratar a água em casa antes de a consumir e evitar o consumo de alimentos crus ou não higienizados, são passos simples, mas vitais, para quebrar a cadeia de transmissão. Além disso, é fundamental que as comunidades sigam as orientações das autoridades sanitárias, participando nas campanhas de sensibilização e procurando tratamento imediatamente caso surjam sintomas. 

DEVEMOS COLOCAR ABAIXO AS MENSAGENS CHAVES DE ÁGUA SANEAMENTO E HIGIENE
UNICEF Angola/2025 AS MENSAGENS CHAVES DE ÁGUA SANEAMENTO E HIGIENE.