Jornalistas reforçam competências para uma cobertura mais inclusiva sobre deficiência.
Formação aborda terminologia adequada, acessibilidade e representação das pessoas com deficiência nos meios de comunicação social.
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Luanda, 7 de outubro de 2026, o UNICEF, em parceria com a Federação Angolana das Associações de Pessoas com Deficiência (FAPED), realizou o primeiro módulo do ciclo de formações sobre Inclusão, Deficiência e Comunicação Baseada nos Direitos Humanos, dirigido a jornalistas e profissionais da comunicação social.
A iniciativa tem como objectivo fortalecer conhecimentos e competências para promover uma cobertura jornalística ética, responsável, acessível e alinhada aos direitos das pessoas com deficiência. O programa é composto por três módulos, estando os próximos previstos para os dias 4 de novembro e 2 de dezembro.
Na abertura da sessão, a Vice-Presidente da FAPED, Maria Fernandes, destacou o papel fundamental da comunicação social na promoção da inclusão e no combate aos estigmas que ainda afectam as pessoas com deficiência. Seguidamente, Teresa Fedão, Oficial de Deficiência e Inclusão do UNICEF, apresentou conceitos básicos de inclusão e acessibilidade, reforçando a importância de uma abordagem baseada nos direitos humanos.
Na ocasião, a Representante Adjunta do UNICEF em Angola dirigiu-se aos participantes reforçando a importância do papel da comunicação social na promoção da inclusão:
Neste esforço, cada um dos que está aqui presente e os órgãos de comunicação social que representam, desempenham um papel decisivo. Uma comunicação ética e inclusiva deve respeitar a dignidade das pessoas, utilizar terminologia adequada, assegurar formatos acessíveis, dar espaço às suas próprias vozes e evitar narrativas de pena, heroísmo ou dependência.
Deve mostrar não apenas os desafios, mas também as capacidades, as conquistas e as contribuições das pessoas com deficiência para a sociedade. Ao contar estas histórias com rigor, contexto e sensibilidade, a comunicação social ajuda a mudar percepções, a promover a responsabilização e a mobilizar a sociedade para a acção.
Ao longo do dia, os participantes exploraram temas como a legislação de protecção das pessoas com deficiência em Angola, os conceitos fundamentais sobre deficiência e a utilização de terminologias adequadas na comunicação social. Os debates permitiram esclarecer dúvidas e promover uma reflexão crítica sobre a forma como as pessoas com deficiência são representadas nos meios de comunicação.
Através de vídeos, exercícios interactivos e dinâmicas de grupo, os jornalistas foram convidados a colocar-se no lugar de pessoas com diferentes tipos de deficiência, experimentando algumas das barreiras físicas, sociais e atitudinais que estas enfrentam diariamente.
Uma das actividades que mais marcaram os participantes foi o “Jogo da Vida”, um exercício prático que simulou diferentes realidades vividas por pessoas com deficiência. A dinâmica estimulou momentos de reflexão profunda sobre inclusão, igualdade de oportunidades e participação social.
O módulo também abordou temas relacionados com o estigma e a discriminação. Durante as discussões, os participantes analisaram exemplos concretos de linguagem inadequada frequentemente utilizada em conteúdos jornalísticos e identificaram alternativas mais inclusivas e respeitadoras da dignidade das pessoas com deficiência.
“Esta formação está a ser libertadora para mim, porque eu realmente não tinha noção de como lidar com as pessoas com deficiência, e este vídeo ensinou-me a perguntar como elas querem ser tratadas”, partilhou uma participante do portal Platina.
No final da sessão, os jornalistas receberam o desafio de elaborar um plano de acção para promover práticas de comunicação mais inclusivas nos seus respectivos órgãos de comunicação social. Os trabalhos serão apresentados e discutidos durante o próximo módulo da formação.
Ao investir na capacitação dos profissionais de comunicação, o UNICEF e a FAPED procuram contribuir para uma narrativa mais inclusiva, que reconheça as pessoas com deficiência como titulares de direitos e promova uma sociedade mais justa e acessível para todos.