Nenhuma Mãe Deve Caminhar Sozinha.
Fortalecendo Famílias através do Aleitamento Inclusivo, Apoio aos Cuidadores e Empoderamento Económico.
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Quando uma mãe amamenta um filho, quando um pai a apoia, quando um avô ajuda a cuidar de uma criança ou quando uma comunidade estende a mão a uma família em dificuldade, algo muito maior do que um simples gesto acontece. Fortalece-se um vínculo humano fundamental, a consciência de que ninguém foi feito para caminhar sozinho.
O aleitamento materno, frequentemente associado aos seus benefícios para a saúde e para o desenvolvimento infantil, é também uma das primeiras expressões de amor, protecção e acolhimento que uma criança recebe ao chegar ao mundo. É um encontro entre vidas. É alimento para o corpo, mas também para o sentimento de segurança, pertença e afeto de que todo ser humano necessita para crescer.
Para muitas mulheres, porém, o caminho da maternidade e do cuidado ainda é marcado por barreiras, preconceitos e desafios que muitas vezes passam despercebidos. Entre elas estão as mulheres com deficiência, que nem sempre encontram serviços de saúde acessíveis, informação adequada ou o apoio necessário para exercer plenamente o seu direito à maternidade e ao aleitamento.
A Semana Mundial do Aleitamento Materno é celebrada todos os anos de 1 a 7 de agosto. E no dia 26 de agosto de 2026 o UNICEF em parceria com gabinete provincial de luanda de saúde, realizaram sua primeira roda de conversa sobre aleitamento inclusivo para mulheres com deficiência, com finalidade de escutar, partilhar experiências e promover praticas saudáveis sobre aleitamento e apoio familiar.
Falar de aleitamento inclusivo é reconhecer que todas as mães têm o direito de receber apoio, orientação e condições adequadas para cuidar dos seus filhos. É compreender que a inclusão não é um favor, mas um compromisso com a dignidade humana. Significa garantir que os centros de saúde estejam preparados para acolher cada mulher com respeito, escutar as suas necessidades e oferecer respostas que valorizem as suas capacidades, e não as suas limitações.
Nenhuma mãe deve carregar sozinha a responsabilidade de cuidar. Por trás de cada criança saudável existe quase sempre uma rede de apoio formada por familiares, cuidadores, profissionais de saúde e membros da comunidade. Quando essa rede funciona com empatia e respeito, cria-se um ambiente onde mães e crianças podem prosperar.
O evento aconteceu no hotel fórum, contou com a presença de 42 participantes. Esteve presente no evento a senhora Ana Angelina, coordenadora provincial do programa de saúde infantil e nutrição que deu em entrevista o seguinte parecer:
“Sabemos que temos mulheres com deficiência visual e auditiva e nós muitas vezes como profissionais, não estamos preparados para poder nos comunicar com estas mulheres, então, este encontro surge principalmente para nós fazermos esta troca, primeiro, ouvir elas, para sabermos o que devemos fazer para melhorar o acesso às informações sobre a prática do aleitamento, e segundo, passar o nosso conhecimento”
Neste contexto, o papel dos profissionais de saúde é particularmente importante. Mais do que prestar cuidados clínicos, são agentes de confiança, orientação e esperança para muitas famílias. Um atendimento acolhedor e inclusivo pode fazer toda a diferença na vida de uma mãe, especialmente quando ela enfrenta desafios adicionais relacionados à deficiência, à vulnerabilidade social ou ao acesso a recursos.
Também os cuidadores merecem atenção e apoio. Cuidar é um acto de amor, mas exige tempo, energia e dedicação. Reconhecer o valor de quem cuida significa oferecer ferramentas, informação e suporte para que possam desempenhar esse papel com maior segurança e bem-estar. Afinal, quando cuidamos de quem cuida, fortalecemos toda a família.
Da mesma forma, o empoderamento económico representa muito mais do que um aumento de rendimento. Representa autonomia, dignidade e liberdade para fazer escolhas. Quando uma mulher tem acesso a oportunidades económicas, aumenta a sua capacidade de prover para a sua família, de participar nas decisões que afectam a sua vida e de construir um futuro com maior confiança. Para as mulheres com deficiência, essa autonomia pode também significar uma maior participação social e o rompimento de ciclos de dependência e exclusão.
Esmeraldina Miguel, Presidente da federação angolana das associações de pessoas com deficiência, também se fez presente como profissional e como mãe que possui uma deficiência, enfatizou sobre as dificuldades que as mães com deficiência enfrentam, agradeceu e apelou à continuação ao apoio que tem recebido do UNICEF:
“As mães com deficiência, vivem muitas dificuldades para poder ter uma alimentação saudável que corresponda à produção desse bom leite para amamentar as crianças, eu iria pedir ao UNICEF, que continue a apoiar as actividades com mulheres com deficiência, principalmente porque, a mulher é a mãe das nações, não importa se ela tem uma deficiência, não vai deixar de ser responsável da família, a responsável do lar , então é uma mais valia muito grande, poder ter apoio para essas mulheres amamentarem bem os seus filhos, e no futuro, serem grandes homens ou mulheres para o país ”
Ao longo do evento surgiam questões como:
“Até quanto tempo temos que amamentar?”
“O que fazer quando o bebê para de mamar antes da altura recomendada para interromper a amamentação?”
Dentre os participantes não tiveram apenas mães com deficiência, tiveram também pais solteiros com deficiência, e homens com deficiência sem filhos, interessados em se preparar para ter uma participação positiva no aleitamento de seus futuros filhos.
A mensagem que as mães e pais com deficiência, que participaram da roda de conversa sobre aleitamento inclusivo deixaram, foram as seguintes:
“Deem oportunidades, acessos, para que realmente não só mulheres, homens com deficiência também possam aceder aos cargos, as vagas que existem para os vários sectores que estão abertos nos concursos públicos, porque também somos geradores de famílias, e temos essas responsabilidades, olhem como seres humanos que também vão precisar dessas oportunidades, especialmente as mulheres.” Esmeraldina Miguel
Vitorino Domingos “como pai, para mim, vendo as mulheres conhecendo os seus direitos, fazer o que e certo, olhar a criança como prioridade, amamentar na hora certa, para mim é uma alegria.”
Talvez a maior lição seja esta, o aleitamento inclusivo, o apoio aos cuidadores e o empoderamento económico não são temas separados. São diferentes expressões de um mesmo compromisso com a vida, com a igualdade e com o bem-estar coletivo. São caminhos que conduzem ao mesmo destino: famílias mais fortes, crianças mais protegidas e comunidades mais humanas.
Num mundo frequentemente marcado pela pressa e pelo individualismo, estas iniciativas recordam-nos algo essencial: o verdadeiro desenvolvimento acontece quando ninguém é deixado para trás. Acontece quando cada mulher é valorizada na sua singularidade, quando cada família encontra apoio para superar os seus desafios e quando cada criança recebe a oportunidade de crescer rodeada de cuidado e amor.
Porque, no fim, fortalecer uma família é muito mais do que melhorar condições de vida. É afirmar a dignidade humana. É reconhecer que cada pessoa tem valor e um papel a desempenhar. É cultivar esperança. E toda esperança que encontra espaço para crescer transforma-se numa força capaz de mudar famílias, comunidades e gerações inteiras.