Capacitação Em Saúde Sexual Reprodutiva Empodera Jovens Adolescentes Em Luanda.
Um exemplo de como a educação pode empoderar e transformar vidas criando um ambiente acolhedor e encorajador para todas e todos.
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Nos dias 3, 4, 5 e 6 de Julho, O UNICEF com apoio do Lar Dom Bosco e Cuidados da Infância promoveu uma formação sobre saúde sexual reprodutiva e saúde mental onde reuniu mais de 52 jovens, adolescentes com idades compreendidas entre 12 a 20 anos, em Viana e no Cacuaco, Luanda.
Entre os jovens estava Beatriz Sebastião, de 16 anos, que vive no Cazenga. Estudante da 8ª classe, que também se dedica ao curso de soldadura industrial e artes e ofícios, é conhecida por sua curiosidade e engajamento nas actividades escolares e comunitárias, mas sentia que muitos aspectos de sua saúde permaneciam sem resposta.
“Eu tinha muitas dúvidas e medos, sentia que muitas perguntas permaneciam sem resposta e os assuntos relacionados à saúde sexual eram muitas vezes tratados com tabu, e nunca tive a oportunidade de discutir abertamente”, contou Beatriz.
As conversas abertas sobre tópicos como contracepção, doenças sexualmente transmissíveis e a importância da saúde mental quebraram muitos preconceitos que Beatriz e outras participantes tinham "foi como se um véu tivesse sido levantado" explicou Beatriz.
A especialista em saúde e igualdade de género, Maria Malomalo da organização social Mwana Pwo, dedicou os 4 dias de formação a desmistificar tópicos como Direitos Humanos, Género e Sexualidade, Saúde Sexual e Reprodutiva, Violência Baseada no Género, Protecção da Criança e Competências transversais, de modo a criar um ambiente acolhedor e encorajador para todas.
A formação, que a Beatriz inicialmente imaginou ser séria e rígida, surpreendeu-a pela criatividade e abordagem descontraída da formadora.
“Achei que a formação seria muito séria, mas acabou sendo muito divertida e descontraída. Encontrei um jeito novo de aprender e me encantou. Agora tenho utilizado o mesmo método para conversar com as minhas colegas sobre o assunto e tem resultado, muitas delas hoje já conseguem conversar sobre saúde sexual reprodutiva sem tabu e vergonha” adiantou.
Beatriz, que reunia regularmente as suas colegas de sala para ensinar arte e costura, agora aproveita essas reuniões para ter conversas informais de modo a disseminar o que aprendeu na formação “queria criar um espaço onde pudéssemos falar abertamente sobre nossas preocupações, além de continuar a ensinar habilidades práticas.”
“Eu sabia que não podia guardar esse conhecimento só para mim. Eu agora sei que devo cuidar bem da minha sexualidade, sei que isso dita quem eu sou e tenho maior prazer em ensinar também as outras meninas da minha escola” Salientou.
Esses encontros rapidamente se tornaram uma fonte de apoio e informação “uma colega me disse que se sentia confiante depois das nossas conversas, e isso me fez perceber o impacto real que podemos ter na vida dos outros”. Ao ver como sua iniciativa ajudava outros a se sentirem mais informados e menos sozinhos, emocionada Beatriz afirmou "saber que estou fazendo a diferença na vida de outras pessoas me dá um sentido de propósito"
"A informação e o apoio que recebemos podem realmente transformar nossas vidas, e eu estou grata por ter tido a oportunidade de aprender e agora compartilhar isso com outros."
Beatriz Sebastião é uma das 52 participantes da formação e um exemplo de como a educação pode empoderar e transformar vidas. Com determinação e vontade de compartilhar o que aprendeu, Beatriz está pronta para fazer a diferença em sua comunidade, de maneira a ajudar outras meninas a se conhecerem melhor e a cuidarem de sua saúde com dignidade e consciência.