Acesso à água potável transforma comunidades afectadas pela seca.
Com a reabilitação de furos de água o abastecimento contínuo está garantido reduzindo riscos para a saúde e segurança na comunidade.
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A seca no sul de Angola tem sido um desafio constante, agravada por variações climáticas. No Cunene e na Huíla, a falta de água tem comprometido a subsistência das comunidades afectando não só a vida doméstica, mas também a saúde, a educação e a segurança alimentar. Durante anos, as famílias dependeram de fontes de água localizadas distantes e muitas vezes contaminadas, enfrentando desafios diários para obter este recurso essencial à vida.
“As sondas ficavam muito longe. Para termos água, precisávamos caminhar grandes distâncias, às vezes várias vezes ao dia. Era muito cansativo” recordou Ana Fernanda, moradora do bairro Kuawa e auxiliar de limpeza na Escola Nº16, onde se encontra um dos pontos de água reabilitados pelas autoridades locais com o apoio do UNICEF.
Como vários outros habitante da sua comunidade, Ana não esconde a satisfação de ter um ponto de água mais próximo “Com a reabilitação desta sonda no bairro, a realidade mudou. Agora temos água perto de casa”.
Com o financiamento do Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF), o UNICEF reabilitou 24 furos de água que atendem escolas, centros de saúde especializados no tratamento de crianças com desnutrição e comunidades, trazendo melhorias concretas para o dia a dia das populações e contribuindo para a permanência das crianças na escola.
Os furos reabilitados beneficiam directamente mais de 68 mil pessoas. Além da comunidade o acesso recuperado aos serviços de água beneficia também o gado e em alguns casos hortas familiares para maior produção alimentar, bem como melhores práticas de higiene.
A melhoria na comunidade é visível. As pessoas já não precisam percorrer quilómetros à procura de água. Mas ainda há desafios: o desejo de um abastecimento domiciliário e a urgência de mais investimentos para expandir a rede de distribuição.
Mas não são apenas as famílias que sentem o efeito positivo da reabilitação dos pontos de água. Lídia Lucas, chefe dos recursos humanos do centro de saúde do bairro Tchitulo, vê os benefícios da água além do uso doméstico.
“A água é o coração do nosso trabalho aqui no centro de saúde. Sem ela, a higiene hospitalar fica comprometida e o risco de infecções aumenta. Agora, com o abastecimento corrente e o tanque para armazenamento, conseguimos garantir um ambiente mais seguro para os pacientes.”
Mas não é só o centro de saúde que mudou. “Temos uma lavandaria comunitária onde os moradores lavam as suas roupas e até as roupas de cama do hospital. A água a jorrar nas torneiras reduz imenso o risco de contaminação. Isso dá-nos mais tranquilidade.” Concluiu.
Joaquina João, moradora do bairro Patrício Lumumba, visivelmente alegre, sorri ao falar sobre a diferença que o furo reabilitado trouxe.
“Antes, gastávamos muito tempo para ir buscar água. Agora, podemos fazer mais coisas com esse tempo. Gostaria que a água chegasse às nossas casas. Seria muito bom.”
As intervenções de reabilitação dos furos foram realizadas com recurso a sistemas de bombeamento movidos a energia solar, substituindo as antigas bombas manuais. A mudança teve um impacto directo na vida da população, reduzindo o esforço físico necessário para extrair água.
Anteriormente, esta era uma tarefa frequentemente realizada por crianças, que passavam horas a operar as bombas para garantir o abastecimento das suas famílias. Agora os centros de saúde podem funcionar com mais segurança e as crianças vão à escola sem preocupação.