Testemunho de um Professor sobre Desafios e Superação na Educação Inclusiva
o UNICEF, em colaboração com a União Europeia, tem apoiado o Ministério da Educação e Cultura na formação de professores e gestores escolares, bem como na provisão de tecnologias de assistência a crianças com necessidades educativas especiais.
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Luís Jossefa é professor do ensino primário no Distrito de Buzi, Província de Sofala, no centro de Moçambique. Com 12 anos de experiência, o professor partilha uma história inspiradora de superação pessoal e compromisso com a educação inclusiva. Como pessoa com deficiência física e sem formação prévia na área de educação inclusiva, enfrentou diversos desafios dentro e fora da sala de aula, mas sempre procurou adaptar-se para garantir que todos os seus alunos aprendessem com dignidade e em pé de igualdade.
Em 2025, a sua participação numa capacitação em educação inclusiva, promovida pela Direcção Provincial da Educação de Sofala com o apoio do UNICEF e da União Europeia, representou um ponto de viragem na sua trajectória. Para além de adquirir novas estratégias pedagógicas, o Professor Jossefa renovou a esperança e reforçou o seu papel como agente de mudança, determinado a construir uma escola mais inclusiva, acolhedora e livre de discriminação.
Moçambique tem demonstrado um forte compromisso com a educação inclusiva, consagrado na Constituição da República, na Lei do Sistema Nacional de Educação e em diversas políticas públicas. Esses instrumentos garantem o direito à educação das crianças com deficiência, promovendo acções como o uso da língua de sinais, a formação de professores, a acessibilidade nas escolas e a inclusão nos sistemas de ensino regular.
A Estratégia de Educação Inclusiva e Desenvolvimento da Criança com Deficiência e o Plano Estratégico da Educação (2020–2029) reforçam esses compromissos com medidas concretas, alinhadas a tratados e convenções internacionais, como a Convenção sobre os Direitos da Criança e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Com o objectivo de tornar efectivo esse compromisso, o UNICEF, em colaboração com a União Europeia, tem apoiado o Ministério da Educação e Cultura na formação de professores e gestores escolares, bem como na provisão de tecnologias de assistência a crianças com necessidades educativas especiais.
Esta iniciativa abrange os distritos do Búzi (província de Sofala), Namuno e Montepuez (província de Cabo Delgado). Em Sofala, por exemplo, foram capacitados 100 professores do ensino primário no distrito do Búzi, abrangendo 35 escolas organizadas em 8 Zonas de Influência Pedagógica (ZIPs).
A formação teve como objectivos disseminar a Estratégia Nacional de Educação Inclusiva, reforçar as competências dos professores no atendimento psicopedagógico de alunos com necessidades educativas especiais, introduzir o uso da língua de sinais e implementar práticas inclusivas na educação física. A iniciativa incluiu ainda a partilha de experiências, a criação de Unidades de Apoio Pedagógico nas escolas e a elaboração de planos de acção para a inclusão de alunos com deficiência.
Actualmente, o professor Luís Jossefa leciona a 5ª classe na Escola Primária de Bândua I, e já passou por escolas como a EPC de Puanda, Maconde e Macua, em todas elas enfrentou contextos desafiantes, sobretudo devido à ausência de formação específica em educação inclusiva.
Mesmo assim, procurou sempre criar formas empáticas e criativas de ensinar, como no caso de um aluno com deficiência auditiva da sua turma actual. Sem formação formal até então, o professor Jossefa, recorreu a gestos, brincadeiras, desenhos e expressões para estabelecer um canal de comunicação eficaz, promovendo um ambiente de aprendizagem mais acolhedor e acessível.
O professor Jossefa relata que, nos últimos anos, tem notado mudanças positivas na sua escola. A convivência entre alunos com e sem deficiência tornou-se mais natural, com atitudes de solidariedade cada vez mais frequentes entre colegas, que se ajudam mutuamente por exemplo, auxiliando estudantes com mobilidade reduzida a subir rampas ou a participar em actividades desportivas.
Para ele, esses progressos reflectem o impacto dos esforços conjuntos entre o governo e parceiros como o UNICEF, por meio das formações, bem como do trabalho contínuo de professores e gestores escolares no âmbito da Estratégia Nacional de Educação Inclusiva.
Motivado pelos conhecimentos adquiridos, o professor Jossefa compromete-se a partilhar os conteúdos aprendidos na formação com a direção pedagógica e com os colegas da sua escola tanto os que participaram da formação quanto os que não tiveram essa oportunidade promovendo encontros regulares de troca de experiências durante as reuniões de planificação. Mais do que isso, deseja ser um verdadeiro “padrinho” da inclusão não apenas na sua escola, mas também fora dela um modelo de empatia, acolhimento, na escola pretende aplicar estratégias que incentivem a entreajuda entre os alunos, ser um agente de prevenção de violência contra criança na escola, especialmente criança com deficiência, e promover o respeito pelas diferenças, contribuindo para a construção de uma cultura de paz e valorização da diversidade.
O professor Jossefa, ao reflectir sobre a sua própria trajectória, vê nos seus alunos com deficiência um espelho da sua jornada: marcada por dificuldades, mas também por resiliência, adaptação e vontade de vencer as barreiras que se impõem no ensino e aprendizagem. Acredita firmemente que, com o apoio certo, toda criança pode aprender, crescer e realizar os seus sonhos.
Por isso, deixa um profundo agradecimento a Direcção Provincial de Sofala, o UNICEF, à União Europeia e a todos os parceiros envolvidos nesta iniciativa. A capacitação não só lhe trouxe ferramentas práticas, como também renovou a esperança de que uma educação inclusiva, justa e de qualidade é possível e começa com o compromisso de cada professor.