Em Mocímboa da Praia, Teresa recomeça a vida com esperança de não voltar a fugir
“Desta vez, queremos ficar.”
Mocímboa da Praia, Cabo Delgado - Em 2020, Teresa António, de 29 anos, viu-se obrigada a deixar a sua casa em Mocímboa da Praia com o marido e os filhos, depois de ataques de homens armados atingirem a região.
A família iniciou a pé uma longa caminhada até Mueda, em busca de um lugar seguro.
“Fomos a pé até Mueda. Lá, algumas pessoas de boa vontade deixaram-nos ficar nas suas casas durante algum tempo”, contou Teresa.
Mais tarde, a família recebeu um pequeno espaço onde construiu uma casa simples. Foi ali que Teresa, o marido e os filhos viveram durante cerca de três anos. Porém, recomeçar não foi fácil. Em Mocímboa da Praia, a família dependia principalmente do trabalho nas machambas para garantir o seu sustento. Em Mueda, sem uma fonte regular de rendimento, as dificuldades aumentaram.
Quando a situação de segurança melhorou, a família decidiu regressar a Mocímboa da Praia.
“Voltámos porque aqui em Mueda era muito difícil. Em Mocímboa da Praia tínhamos as nossas machambas e conseguíamos trabalhar para alimentar a família”, explicou.
Mas o regresso não significou o fim das incertezas. Em 2025, novos ataques obrigaram Teresa e a sua família a fugir novamente para Mueda. Desta vez, quando chegaram, encontraram destruída a casa que tinham construído durante a primeira deslocação.
“Quando voltámos a Mueda, a nossa casa já não estava em condições para vivermos. Tivemos de ficar na casa de um familiar durante 8 meses”, recordou.
Para Teresa, cada regresso significa mais do que voltar fisicamente a uma comunidade. Significa tentar reconstruir uma vida que foi interrompida várias vezes.
Em junho de 2026, a família recebeu baldes, sabão, detergente para lavar roupas, capulanas, purificador de água, kits de dignidade, como pensos higiênicos, roupa íntima, entre outros, para apoiar as necessidades básicas de higiene da família. Como parte do apoio prestado pelo UNICEF às famílias retornadas da comunidade de Chimbanga, em Mocímboa da Praia.
“Foi a primeira vez que recebemos este tipo de apoio desde que nos deslocámos para Mueda pela primeira vez”, disse Teresa.
Para ela, os artigos recebidos têm um significado prático no dia a dia da família.
“Os baldes usamos para conservar água para beber em casa. O sabão e o detergente usamos para dar banho às crianças e lavar a roupa.”
São produtos simples, mas que ajudam uma família a recuperar alguma estabilidade depois de períodos marcados por deslocações e incerteza.
“Esses kits ajudaram-nos muito no nosso recomeço aqui em Mocímboa da Praia”, afirmou Teresa.
Teresa e mais 253 famílias retornadas daquela comunidade receberam apoio do UNICEF, com financiamento do Fundo Humanitário de Moçambique (MOZ HF) , para apoiar as suas necessidades básicas após o regresso.
Hoje, Teresa voltou a viver em Mocímboa da Praia com o marido e os filhos. A família tenta reconstruir a vida, recuperar os meios de subsistência e olhar novamente para o futuro.
Depois de ter sido obrigada a fugir duas vezes, Teresa espera que o regresso desta vez seja definitivo.
“Esperamos não ter de voltar a fugir outra vez e abandonar a nossa casa.”
Por agora, entre os desafios de recomeçar e a esperança de permanecer, Teresa concentra-se naquilo que pode fazer todos os dias, cuidar dos filhos, organizar a casa e reconstruir a vida.