Do posto de saúde às comunidades: Cidália leva vacinas para mais perto das crianças de Mopeia

“Quando sensibilizamos a comunidade e as mães compreendem a importância da vacinação, teremos menos trabalho nas consultas, porque a doença foi prevenida ou poderá manifestar-se de forma mais ligeira.”

Telcinia Nhantumbo
Healthcare worker in an orange safety vest prepares a vaccine while a mother holds her baby in a clinic setting with other children nearby.
UNICEF Mozambique/2026/Tomane
06 Setembro 2026

Mopeia, Zambézia - Num dos mercados locais, onde várias famílias chegavam vindas de diferentes comunidades, Cidália Gimo encontrou uma oportunidade para proteger mais crianças contra o sarampo e mobilizou a equipe para instalar uma brigada móvel e poder alcançar também crianças que viviam fora da área normalmente atendida pela unidade sanitária.

Técnica de Medicina Geral e Directora do Centro de Saúde de Gulamo, Cidália Gimo trabalha há oito anos na área de saúde e está alocada na comunidade de Sambalendo, no distrito de Mopeia, na província da Zambézia. Durante a campanha de vacinação de bloqueio contra o sarampo, assumiu tanto a supervisão das actividades, bem como a administração das vacinas e também ajudou as equipas de Brigadas Móveis a chegar às comunidades onde as crianças mais precisavam de protecção.

Na campanha, parte das vacinações foi realizada na unidade sanitária. Mas Cidália sabia que, para algumas famílias, a distância podia impedir a deslocação. Por isso, aproveitou o movimento das equipes para fazer uma Brigada Móvel num mercado local e alcançar crianças de diferentes zonas.

As brigadas móveis ampliaram ainda mais esse alcance, aproximando os serviços das comunidades e recuperando crianças que, por causa da distância ou de outras dificuldades, tinham faltado às doses previstas no calendário de vacinação.

“Em colaboração com os líderes comunitários, organizámos concentrações e conseguimos atingir o nosso grupo-alvo”, conta. A mobilização foi particularmente importante numa altura em que algumas comunidades já tinham registado casos de sarampo e muitas famílias estavam preocupadas com a saúde das crianças.

A resposta das famílias foi positiva. As mães continuaram a ser quem mais levava as crianças à vacinação, mas Cidália também começou a ver alguns pais a participar. Nas palestras comunitárias, as equipas reforçavam que o acompanhamento da saúde das crianças é uma responsabilidade partilhada por toda a família.

Para Cidália, cada encontro era também uma oportunidade para informar. Durante as palestras, nas unidades sanitárias e nas reuniões com líderes comunitários e membros dos comités de saúde, a equipa explicava os riscos do sarampo e a importância de vacinar as crianças a tempo.

“Quando sensibilizamos a comunidade e as mães compreendem a importância da vacinação, teremos menos trabalho nas consultas, porque a doença foi prevenida ou poderá manifestar-se de forma mais ligeira”, explica. “A prevenção é mais importante do que o tratamento, e é também mais barata.”

Essa convicção acompanha Cidália em todas as áreas do seu trabalho. Como directora da unidade sanitária, gere diferentes actividades e está pronta para apoiar onde for necessário: na vacinação infantil, na maternidade, nas urgências ou no banco de socorro.

“Gosto de todas as áreas da saúde. Consigo integrar-me em quase todos os lugares. Se é vacinação de crianças, estou lá. Se é maternidade ou urgência, também estou lá”, afirma.

Para Cidália, chegar a cada criança significa evitar doenças, reduzir a pressão sobre os serviços de saúde e dar tranquilidade às famílias. Em Mopeia, o seu compromisso mostra como a informação, a confiança e os serviços levados para mais perto das comunidades podem ajudar a garantir que nenhuma criança fique para trás.

Entre 31 de Agosto e 4 de Setembro, crianças dos 6 aos 59 meses receberam a vacina nos distritos de Luabo, Lugela, Mocuba e Mopeia.

A campanha decorreu igualmente nas províncias de Sofala e Nampula, unindo esforços para travar a transmissão do sarampo e proteger as crianças mais novas. A iniciativa é liderada pelo Ministério da Saúde (MISAU), em parceria com o UNICEF, com apoio financeiro da Gavi, the Vaccine Alliance e do Governo da República da Coreia (ROK). Esta colaboração permite apoiar a presença das equipas no terreno e levar a vacinação até às comunidades mais distantes.