Como Elisa ajudou a proteger a sua comunidade da cólera

“Tomar a vacina foi um gesto pequeno, mas que pode fazer uma grande diferença. Proteger-me foi também uma forma de cuidar da minha comunidade.”

Francelino Murela
Como Elisa ajudou a proteger a sua comunidade da cólera
UNICEF Moçambique/2025/Francelino Murela
19 Maio 2025

Zambézia, Moçambique – No bairro 8 de Março, distrito de Mopeia, o domingo parecia seguir o seu ritmo habitual: culto de manhã, almoço em família e vizinhos à sombra das mangueiras. Mas para Elisa, de 16 anos, aquele dia teria um significado diferente.

Ao sair da igreja com a mãe, Elisa notou a movimentação junto ao Centro de Saúde 8 de Março. Já tinha ouvido os Agentes Polivalentes de Saúde (APS) explicarem como a vacina protegia contra a cólera. Embora houvesse algum receio entre vizinhos, sentiu que era o momento certo para agir.

“Perguntei à minha mãe se podia ir agora. Ela disse: ‘Se te sentes pronta, vai.’ E eu fui”, contou Elisa à equipa técnica.

Chegou ao centro de saúde na tarde do segundo dia da campanha, a 18 de Maio, e foi a primeira a chegar naquele turno. Ouviu atentamente a explicação do técnico e, em poucos minutos, tomou a vacina oral.

“Foi muito rápido e não doeu nada. O técnico explicou tudo com calma, e isso deixou-me mais tranquila”, disse logo após ser vacinada.

Mais tarde, mencionou que gostaria de contar a experiência às colegas. “Acho que se eu contar como foi, elas podem sentir-se mais à vontade para vacinar também.”

A equipa de mobilização notou boa adesão no segundo dia, inclusive de adolescentes. Embora não seja possível ligar isso directamente à atitude de Elisa, exemplos como o dela ajudam a fortalecer a confiança dos jovens.

“Acho que às vezes esperamos que os mais velhos façam tudo. Mas nós, os mais novos, também temos responsabilidade,” afirmou.

A campanha de vacinação oral contra a cólera iniciou no dia 17 de Maio e vai até 21 de Maio de 2025, em dois distritos – Mopeia e Alto-Molócuè, da província da Zambézia e quatro distritos – Cidade de Nampula, Murrumbala, Angoche e Larde, da província de Nampula. 

Vacinar foi uma escolha minha, mas sei que ajudou todos à minha volta.
UNICEF Moçambique/2025/Francelino Murela

Vacinar foi uma escolha minha, mas sei que ajudou todos à minha volta.

Elisa, de 16 anos.

Com o objectivo de travar a propagação do surto e proteger as populações em maior risco, por meio da vacinação e da mobilização comunitária liderada pelo Ministério da Saúde, com o apoio do UNICEF através do GAVI e outros parceiros, a campanha responde a um surto que, desde finais de 2023, já causou 3,428 casos e 51 mortes, segundo a Direcção Nacional de Saúde Pública. Isso significa que, de cada 100 pessoas que adoeceram, cerca de uma ou duas infelizmente perderam a vida.

A decisão de Elisa mostra que atitudes simples podem ter um impacto duradouro. “Vacinar foi uma escolha minha, mas sei que ajudou todos à minha volta,” concluiu, com um sorriso e segurando o seu cartão de vacinação.

Hoje, o bairro 8 de Março tem mais do que um posto de vacinação. Tem exemplos como o de Elisa, que mostram que proteger-se é também cuidar dos outros.