Cabo Delgado: Como as salas de aula temporárias ajudaram as crianças a voltar à escola
"As crianças estão muito mais felizes agora. A comunidade agradece por ter recebido as tendas e os materiais didáticos. Eles realmente ajudam as crianças nos estudos."
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Cabo Delgado, Moçambique - Na vila costeira de Ngoma, em Cabo Delgado, ao lado de vários edifícios escolares sem tecto destruídos pelo ciclone Chido, vêm-se duas grandes tendas brancas erguidas no pátio da Escola Básica de Ngoma, com mais de 1.000 estudantes.
"O ciclone destruiu o tecto de todos os edifícios escolares, excepto um, mas ficou muito danificado", disse João Luís Teófilo, director da escola, de 31 anos. "O escritório, as carteiras, os livros, o material escolar desapareceram ou foram destruídos."
Apesar da devastação, João e sua equipe reabriram a escola após as férias em fevereiro. Sem salas de aula, as crianças tinham aulas ao ar livre. "A escola abriu a tempo, mas com desafios", disse. "Os professores mantinham as aulas lá fora, debaixo do sol. Os estudantes sentavam-se no chão. Muitas crianças deixaram de vir. Elas não estavam motivadas devido à situação difícil da escola."
Nhamo Juma, de treze anos, foi uma das crianças afectadas.
"Durante a tempestade, a minha casa foi danificada, nossas plantações desapareceram e os meus livros escolares foram destruídos", disse ela. "Fiquei triste porque a escola não tinha tecto e os alunos tinham que estudar fora sem sombra."
Para Nhamo e muitos outros, as coisas mudaram quando o UNICEF, com o apoio do Governo da Noruega e da Iniciativa Hoje e Amanhã (Today and Tomorrow Initiative), disponibilizou duas grandes tendas para servir de salas de aula temporárias. Os alunos também receberam mochilas escolares, cadernos, lápis e outros materiais didáticos essenciais, trazendo um pequeno alívio para as famílias que perderam tudo.
"Voltei para a escola quando começamos a ter aulas dentro das tendas", disse Nhamo, sorrindo. "Estou feliz por estar de volta com meus amigos. As tendas permitem-nos vir à escola e voltar a aprender."
Mauricio Salimo, de 18 anos, também ficou longe da escola após o ciclone. Sua casa foi gravemente atingida e ele perdeu todos os seus bens, incluindo material escolar.
"Fiquei triste quando vi que a escola havia sido destruída", disse ele. "Voltei quando as tendas do UNICEF chegaram."
Para João, director da escola, as tendas trouxeram mais do que sombra e abrigo. Restituíram o sentido da dignidade e da esperança.
"As crianças estão muito mais felizes agora", disse ele. "A comunidade agradece por ter recebido as tendas e os materiais didáticos. Eles realmente ajudam as crianças nos estudos."
Enquanto os edifícios escolares aguardam reabilitação, a vontade de aprender continua forte. Sob a tenda branca, as crianças de Ngoma estão reconstruindo seu futuro, uma lição de cada vez.