Brigadas móveis levam vacinas às regiões mais remotas de Moçambique

"A estrada estava bloqueada pela água em vários pontos e tive de atravessar, duas vezes, secções inundadas, colocando a minha motorizada numa canoa", diz Óscar Emílio.

Neil Monahan
Zambezia, Mozambique - In the shade of a verdant tree, dozens of women and children from the Muebe community wait for the monthly visit of Oscar Emilio, a preventative medicine technician, on his motorbike. Oscar, 27, soon arrives on his Honda bearing a box laden with vaccines, needles, and other medical supplies.   In Mozambique, ‘mobile brigades’ - teams of doctors and health workers that move between communities - provide access to basic health services in the most remote areas.
UNICEF Mozambique/2024/Ricardo Franco
12 Abril 2024

Zambézia, Moçambique - À sombra de uma árvore verdejante, dezenas de mulheres e crianças da comunidade de Muebe aguardam a visita mensal de Óscar Emílio, um técnico de medicina preventiva, na sua motorizada. Óscar, de 27 anos, chega rapidamente na sua Honda com uma caixa carregada de vacinas, agulhas e outros artigos médicos.

Em Moçambique, as "brigadas móveis" - equipas de médicos e profissionais de saúde que se deslocam entre comunidades - proporcionam acesso a serviços básicos de saúde nas zonas mais remotas. Como membro de uma brigada móvel de saúde, o Óscar desloca-se entre comunidades agrícolas isoladas na província da Zambézia, vacinando crianças que vivem longe de hospitais e unidades sanitárias.

De Muebe, diz Óscar, "são 15 quilómetros de caminhada até ao centro de saúde mais próximo para estas mulheres. Com os bebés às costas, ao calor e em estradas más, são precisas seis horas para ir e voltar".

Esta região de terras agrícolas exuberantes e baixas está também sujeita a inundações regulares na época das chuvas. Para chegar a Muebe hoje, Óscar foi obrigado a fazer um percurso árduo. "Tive de percorrer 10 quilómetros esta manhã em estradas difíceis. A estrada estava bloqueada pela água em vários pontos e tive de atravessar duas vezes secções inundadas, colocando a minha mota numa canoa", diz ele.

À sua chegada, as mulheres começam a fazer fila com os cartões amarelos de vacinação na mão. "Trato 80 a 90 crianças em cada visita a Muebe", explica Óscar. "Se não houvesse uma brigada móvel, muitas destas crianças não seriam vacinadas. Em vez disso, as mães recorreriam aos curandeiros tradicionais."

As vacinas continuam a ser o método mais seguro do mundo para proteger as crianças de doenças potencialmente fatais, como a poliomielite, o sarampo e a hepatite B. Em Moçambique, as taxas de cobertura de algumas vacinas essenciais caíram de 91% em 2019 para 67% em 2022 devido às perturbações da pandemia da COVID-19 e a uma série de ciclones devastadores. Brigadas móveis como a do Óscar estão a ajudar a aumentar novamente esses números. 

 Oscar and his colleagues are having a significant impact on these rural communities. He says, “Now 100 per cent of the children in this community are getting vaccines and receiving them on time.”
UNICEF Mozambique/2024/Ricardo Franco

Óscar e os seus colegas estão a ter um impacto significativo nestas comunidades rurais. Diz ele: "Agora, 100 por cento das crianças desta comunidade estão a ser vacinadas e a recebê-las a tempo."

Algumas mães agradecidas, na multidão, dizem que o serviço está a salvar vidas em Muebe. Elazia Mandito Tavares, 23 anos, trouxe o seu filho Samuel, de 3 anos, para ser vacinado. Ela afirma que:

"Antes da chegada da brigada móvel, algumas mulheres da comunidade recorriam aos curandeiros tradicionais. Não tinham tempo nem dinheiro para se deslocarem ao hospital - e algumas crianças perderam a vida por causa disso". 

Com o generoso apoio do Governo da Irlanda, o UNICEF assiste no equipamento e na formação das brigadas móveis em Moçambique.

Some grateful mothers in the crowd say that the service is saving lives in Muebe. Elazia Mandito Tavares, 23, has brought her 3-year-old boy Samuel for vaccination. She asserts that:  “Before the mobile brigade came around, some women in the community went to the traditional healers instead. They did not have the time or money to travel to the hospital - and some children lost their lives because of this.”
UNICEF Mozambique/2024/Ricardo Franco