ATPU: O tratamento que devolve vida e esperança às crianças com desnutrição

"O tratamento ambulatório com Alimento Terapéutico Pronto para o Uso (ATPU) é muito importante porque, através deste tratamento, conseguimos devolver a saúde da criança."

Miraldinda Gabriel
Paula Gáspar, de 39 anos, nutricionista há mais de cinco anos.
UNICEF Moçambique/2026/Miraldina Gabriel
10 Junho 2026

Palma, Cabo Delgado - No Centro de Saúde de Palma, em Cabo Delgado, todos os dias começam com o mesmo propósito: salvar vidas.

Para Paula Gáspar, de 39 anos de idade, nutricionista há mais de cinco anos, essa missão é profundamente pessoal.

“Ver uma criança recuperar-se é uma das maiores recompensas do meu trabalho”, diz.

Mas por trás de cada recuperação, há uma realidade difícil — e uma resposta que está a fazer a diferença.

Onde o desafio é real

Em Palma, muitas famílias enfrentam dificuldades para garantir uma alimentação adequada às suas crianças.

A desnutrição aguda grave não é apenas um diagnóstico — é uma ameaça real à vida.

Todos os meses, Paula acompanha cerca de 10 crianças nessa condição.

Crianças que chegam frágeis.
Sem energia.
Algumas já estão em estado crítico.

ATPU é um tratamento que muda tudo

É aqui que uma solução simples, mas poderosa, entra em cena.

O Alimento Terapêutico Pronto para o Uso (APTU) — conhecido pelas mães como “chocolatinho” — tornou-se uma ferramenta essencial na recuperação destas crianças.

“Com este tratamento, conseguimos devolver a saúde da criança”, explica Paula.

Para os casos mais graves, há também leites terapêuticos e acompanhamento clínico intensivo.

Mas o impacto vai muito além do tratamento.

Vai para casa com as mães.
Continua na forma como alimentam os filhos.
Transforma hábitos.
E salva vidas.

Fazemos o tratamento ambulatório com Alimento Terapéutico Pronto para o Uso (ATPU) e, para casos que necessitam de internamento, usamos os leites terapêuticos F75 e F100 incluindo antibióticos. Isso é muito importante para nós porque, através deste tratamento, conseguimos devolver a saúde da criança
UNICEF Moçambique/2026/Miraldina Gabriel

Aqui no centro de saúde, fazemos o tratamento ambulatório com Alimento Terapéutico Pronto para o Uso (ATPU) e, para casos que necessitam de internamento, usamos os leites terapêuticos F75 e F100 incluindo antibióticos. Isso é muito importante para nós porque, através deste tratamento, conseguimos devolver a saúde da criança.

Paula Gáspar, 39 anos.

Quando o apoio faz a diferença

Nada disso seria possível sem o apoio contínuo do UNICEF, com financiamento da União Europeia (ECHO).

Este apoio garante:

  • disponibilidade de alimentos terapêuticos
  • continuidade do tratamento
  • acompanhamento regular das crianças

Sem isso, a realidade seria muito mais difícil.

“Muitas famílias não têm condições para garantir uma alimentação adequada. Mesmo quando explicamos o que fazer, nem sempre conseguem comprar os alimentos”, explica Paula.

É neste contexto que o tratamento se torna uma ponte entre a vulnerabilidade e a recuperação.

Muito mais do que tratar — acompanhar

O trabalho não termina com a entrega do APTU.

Paula e a sua equipa acompanham de perto cada caso:

  • Explicam como administrar o tratamento
  • Reforçam a importância das consultas
  • Orientam as famílias sobre alimentação

Porque recuperar não é apenas ganhar peso.

É garantir que a criança volte a crescer com saúde.

Uma resposta que salva vidas

Para Paula, cada criança que melhora carrega consigo uma história de superação.

“Cada recuperação é uma nova oportunidade de vida para uma criança”, afirma.

Num contexto onde os desafios são muitos — desde dificuldades económicas até crises humanitárias — estas pequenas vitórias tornam-se enormes conquistas.

A história de Palma mostra o que é possível quando há trabalho conjunto.

UNICEF e União Europeia, em parceria com o Governo, estão a garantir que tratamentos essenciais cheguem a quem mais precisa.

E isso está a mudar o futuro de muitas crianças.

Porque no meio da fragilidade, surge cuidado.
No meio das dificuldades, surge apoio.
E onde antes havia risco, hoje há esperança.

E, para muitas crianças em Palma, essa esperança tem o sabor de um simples “chocolatinho” — que está a devolver-lhes a vida.