1 ano após o ciclone Idai: A história de Vasco Gaspar

Nos seus 100 anos de vida, Vasco Gaspar nunca tinha visto algo parecido, o ciclone Idai foi um dia marcante nos seus 100 de vida.

Claudio Fauvrelle
"Nos meus 100 anos de vida nunca vi ou senti algo assim, a água enchia tão rápido, o vento destruía tudo, pessoas gritavam por socorro, casas destruídas, pessoas a serem levadas pelas águas, foi um dos dias mais assustadores que já vivi," contou Vasco Gaspar António, de 100 anos de idade, no Centro de Reassentamento de Ndeje, na província de Sofala.
UNICEF Mozambique/2020/Claudio Fauvrelle

11 Março 2020

"Nos meus 100 anos de vida nunca vi ou senti algo assim, a água enchia tão rápido, o vento destruía tudo, pessoas gritavam por socorro, casas destruidas, pessoas a serem levadas pelas águas, foi um dos dias mais assustadores que já vivi," contou Vasco Gaspar António, de 100 anos de idade, no Centro de Reassentamento de Ndeje, na província de Sofala.

Um ano após o ciclone Idai atingir Moçambique, no dia 14 de Março de 2019, e desencadear uma série de desastres climáticos sem precedentes, 2,5 milhões de pessoas, quase metade delas crianças precisam de assistência humanitária. Vasco Gaspar faz parte destas 2,5 milhões de pessoas.

Há 1 ano, Vasco viveu um episódio que até hoje deixou sequelas na sua saúde, "eu preciso usar esta bengala para andar, porque quando o ciclone Idai veio, uma das paredes da minha casa caiu em cima da minha perna, fui logo socorrido pelos meus amigos e vizinhos, que levaram-me até uma estação de comboio, era o único sitio seguro na nossa comunidade de Tica."
 

"Nos meus 100 anos de vida nunca vi ou senti algo assim, a água enchia tão rápido, o vento destruía tudo, pessoas gritavam por socorro, casas destruídas, pessoas a serem levadas pelas águas, foi um dos dias mais assustadores que já vivi," contou Vasco Gaspar António, de 100 anos de idade, no Centro de Reassentamento de Ndeje, na província de Sofala.
UNICEF Mozambique/2020/Claudio Fauvrelle

Eu gostaria que as pessoas cuidassem melhor do mundo, para que os jovens e crianças de hoje não passem o que eu passei naquele dia

Vasco Gaspar António.

Vasco Gaspar já viveu 100 anos, passou e presenciou muita coisa, mas nada marcou-lhe mais do que o dia que o ciclone Idai passou pela sua comunidade de Tica. Hoje vive no centro de reassentamento de Ndeje, onde tem beneficiado do apoio do Governo de Moçambique, Nações Unidas e parceiros. "Hoje, vivo sozinho, apesar de estar velho e cansado, eu cuido da minha machamba e faço todo possível para sobreviver. Não irei mais voltar para Tica, porque somente me lembra de dor e sofrimento. Aqui no centro fiz amizades, que são a minha família agora, e eles ajudam-me."

Quando perguntamos sobre o seu sonho e desejo, Vasco Gaspar disse "não tenho sonhos, mas tenho esperança, eu gostaria que as pessoas cuidassem melhor do mundo, para que os jovens e crianças de hoje não passem o que eu passei naquele dia."

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e seus parceiros tem trabalhado para garantir que as escolas e outras infraestruturas danificadas, como os centros de saúde, estejam sendo reabilitados de forma que não colapsem novamente na próxima inundação e que seus telhados não voem para longe imediatamente quando o próximo ciclone atingir.

Graças a seus doadores públicos, privados e individuais, o UNICEF conseguiu realizar uma resposta maciça a estes desastres e salvar a vida de milhares de crianças. No entanto, serão necessários mais fundos para o trabalho de recuperação em andamento para proteger as crianças de eventos climáticos extremos no futuro.