1 ano após o ciclone Idai: A história de Manuel Isaias

Há 1 ano, centenas de milhares de crianças e pessoas viram suas vidas viradas de cabeça para baixo pelas inundações quando o ciclone Idai atingiu Moçambique. 

Claudio Fauvrelle
"Perdemos o nosso avó por causa do ciclone Idai. Quando o ciclone chegou na minha casa, a força do vento derrubou uma parede em cima do meu avó, não havia ajuda médica, porque o foco era salvar as pessoas nas zonas mais afectadas, e mais tarde o meu avó perdeu a vida devido as lesões que teve," conta Manuel Isaias Manuel, de 23 anos, no Centro de Reassentamento de Guara-Guara, na província de Sofala.
UN/MOZA2020-00169/Karel Prinsloo
10 Março 2020

Guara-Guara, Sofala - "Perdemos o nosso avó por causa do ciclone Idai. Quando o ciclone chegou na minha casa, a força do vento derrubou uma parede em cima do meu avó, não havia ajuda médica, porque o foco era salvar as pessoas nas zonas mais afectadas, e mais tarde o meu avó perdeu a vida devido as lesões que teve," conta Manuel Isaias Manuel, de 23 anos, no Centro de Reassentamento de Guara-Guara, na província de Sofala.

Há 1 ano, centenas de milhares de crianças e pessoas viram suas vidas viradas de cabeça para baixo pelas inundações quando o ciclone Idai atingiu Moçambique. 

Após ter a sua casa destruída na vila de Buzi, Manuel e sua família foram evacuados de barco para a localidade de Guara-Gauara, após terem ficado 7 dias em cima de um telhado comendo bolachas que os helicópteros atiravam. Guara-Guara foi um dos pontos estratégicos e seguro escolhido pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) para acolher centenas de famílias afectadas. 

Manuel vive agora em Guara-Guara com sua esposa Anita Gabriel (20 anos) e seu dois filhos Fernando (7 anos) e Maria (5 anos). "Sinto falta do meu trabalho, em Buzi eu tinha uma banca e vendia produtos, aqui não tenho trabalho ainda."

A família de Manuel está feliz por estar em Guara-Guara, "é um sítio bom, não temos problemas de enchentes de água, os meus filhos vão a escola nas tendas que montaram, e eu consegui construír esta casa," disse Manuel.

Após dois grandes ciclones em uma única estação, seca extrema e inundações em Moçambique, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) está preocupado com o fator de as vítimas das mudanças climáticas serem as mais vulneráveis - as crianças e as pessoas mais pobres da sociedade.

O UNICEF tem apoiado ao Governo de Moçambique, com ajuda de parceiros, a providenciar ajuda humanitária para as crianças e famílias afectadas pelos ciclones, fornecendo água potável, vacinando as crianças menores de 15 anos contra a cólera e sarampo, fazendo o tratamento das crianças contra desnutrição aguda, garantindo que as crianças tenham acesso a educação de qualidade, providenciando apoio psicossocial, e alcançando as pessoas afectadas com mensagens que salvam vidas e promovem a mudança de comportamento.

"No futuro, eu quero trabalhar. Pelo meus filhos, eu quero que eles tenham o melhor, e que seja eu a dar-lhes, eu quero que eles olhem para o pai com orgulho," este é o desejo de Manuel para o seu futuro.