UNICEF apela a 9.9 mil milhões de dólares em financiamento humanitário para apoiar crianças afectadas por conflitos e crises num mundo cada vez mais volátil

O financiamento irá apoiar programas de emergência para 109 milhões de crianças em todo o mundo

05 Dezembro 2024
UNICEF Mozambique supoort to cyclone emergency. A girls stands in the middle of the road while raining.
UNICEF/MOZA2023-00394/Alfredo Zuniga

GENEBRA/NOVA YORK, 5 de Dezembro de 2024 - O UNICEF lançou hoje um apelo de financiamento de 9.9 mil milhões de dólares para alcançar 109 milhões de crianças em 146 países com ajuda humanitária em 2025.

Os fundos serão utilizados na resposta humanitária do UNICEF a múltiplos conflitos, choques climáticos, deslocamentos e crises de saúde previstos para o próximo ano.

Em todo o mundo, 213 milhões de crianças estão a ser vítimas de emergências humanitárias imprevisíveis e voláteis. Com 109 milhões de crianças abrangidas pelo UNICEF para assistência humanitária em 2025, o financiamento dos doadores é fundamental para garantir que a resposta seja atempada, eficaz e suficiente  

“A escala das necessidades humanitárias das crianças está a um nível historicamente elevado, com mais crianças afectadas todos os dias”, afirmou a Directora Executiva do UNICEF, Catherine Russell. “Olhando para 2025, estimamos que 213 milhões de crianças em 146 países e territórios irão necessitar de assistência humanitária ao longo do ano - um número surpreendentemente elevado. O mandato do UNICEF é alcançar cada uma dessas crianças com os serviços e suprimentos essenciais de que precisam e garantir que seus direitos sejam protegidos e preservados - um mandato que tem guiado nosso trabalho nos últimos 78 anos.

Além disso, em 2024, mais de 57.5 milhões de crianças nasceram em países afectados por conflitos ou outras crises humanitárias onde o UNICEF tem um apelo de emergência. Prevê-se que este número aumente em pelo menos 400,000 em 2025.

O apelo de 9.9 mil milhões de dólares para 2025 sublinha a necessidade urgente de fazer face a uma série crescente de desafios humanitários com que se confrontam as crianças em 146 países.

Como parte da sua Acção Humanitária para as Crianças (HAC), que estabelece o apelo da agência para 2025, o UNICEF pretende abranger:

  • 56.9 milhões de crianças e mulheres com acesso a cuidados de saúde primários em instalações apoiadas pelo UNICEF
  • 34 milhões de crianças entre os 6 e os 59 meses de idade rastreadas quanto à desnutrição
  • 20.6 milhões de crianças, adolescentes e cuidadores com acesso a cuidados de saúde mental e apoio psicossocial baseados na comunidade
  • 11.1 milhões de mulheres, raparigas e rapazes com acesso a intervenções de atenuação dos riscos, prevenção e/ou resposta à violência baseada no género
  • 24 milhões de crianças com acesso à educação formal ou não formal, incluindo a aprendizagem precoce
  • 55.3 milhões de pessoas com acesso a água em quantidade e qualidade suficientes

Os cinco principais apelos por necessidades de financiamento para 2025 são os seguintes:

  • Afeganistão $1,188,778,304
  • Sudão $840,000,000
  • República Democrática do Congo $804,295,490
  • Estado da Palestina $716,540,000
  • Líbano $658,200,000

Os resultados notáveis em 2024 incluem:

  • 26.4 milhões de crianças e mulheres com acesso a cuidados de saúde primários
  • 12.2 milhões de crianças entre os 6 e os 59 meses de idade rastreadas em relação à desnutrição
  • 17.4 milhões de pessoas com acesso a água em quantidade e qualidade suficientes para consumo e necessidades domésticas
  • 9.7 milhões de crianças com acesso à educação formal ou não formal, incluindo a aprendizagem precoce
  • 12.6 milhões de crianças, adolescentes e cuidadores com acesso a cuidados de saúde mental e apoio psicossocial baseados na comunidade 

No ano passado, os doadores contribuíram com mais de 50 por cento do financiamento humanitário temático do UNICEF para apenas quatro emergências - Afeganistão, Etiópia, Síria e Ucrânia - uma fracção das 412 emergências que o UNICEF respondeu em 107 países. Entretanto, as operações humanitárias em países como o Burkina Faso, o Líbano, o Uganda, a República Democrática do Congo, o Mali e Myanmar são as mais gravemente sub-financiadas.

“O apoio através de financiamento humanitário flexível é fundamental para o nosso trabalho em prol das crianças afectadas por crises”, afirmou Russell. “Imaginem o que podemos conseguir para as crianças trabalhando em conjunto através de uma acção humanitária baseada em princípios, criando um mundo onde os direitos de todas as crianças sejam protegidos e defendidos, e onde todas as crianças possam desenvolver-se e prosperar - um mundo adequado para todas as crianças.”

 

Sobre Moçambique

As múltiplas crises afectando actualmente Moçambique - conflito, seca e emergências de saúde pública - estão a sobrecarregar os recursos humanitários. Cerca de 4,8 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária (10 por cento de pessoas com deficiência), incluindo 3,4 milhões de crianças.

Em Cabo Delgado, província afectada pelo conflito, mais de 1,3 milhões de deslocados internos, retornados e comunidades hospedeiras necessitam de assistência. Oitenta por cento dos retornados e dos deslocados internos são crianças e mulheres.

Cerca de 3,3 milhões de pessoas deverão encontrar-se em situação de “crise” ou em níveis mais elevados de insegurança alimentar devido ao impacto do fenómeno climático El Niño, enquanto os padrões climáticos La Niña poderão agravar as condições em 2025. Mais de 29 000 crianças com menos de 5 anos irão provavelmente necessitar de tratamento para a desnutrição aguda grave.

O UNICEF em Moçambique necessita de 64 milhões de dólares para responder às necessidades humanitárias de 2,5 milhões de pessoas em todo o país, incluindo 2,1 milhões de crianças. A falta de financiamento previsível e flexível põe em risco o bem-estar das crianças. 

 


 

Notas para os editores:

A síntese do HAC e os apelos individuais estarão disponíveis aqui

Materiais multimédia disponíveis aqui

 

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