Uma criança ou jovem morre a cada 4,4 segundos em 2021 – refere um relatório da ONU

Outros 1,9 milhões de bebés nasceram tragicamente natimortos durante o mesmo período, de acordo com um relatório separado da ONU.

11 Janeiro 2023
Bernadette Best, a 31 years old mother, practicing kangaroo care.
UNICEF/UN0668460/Dejongh

NOVA IORQUE/GENEBRA/WASHINGTON D.C., 10 de Janeiro de 2023 - Estima-se que 5 milhões de crianças morreram antes do seu quinto aniversário e outros 2,1 milhões de crianças e jovens entre os 5-24 anos perderam a vida em 2021, de acordo com as últimas estimativas divulgadas pelo Grupo Interagências das Nações Unidas para a Estimativa da Mortalidade Infantil (IGME da ONU).

Num relatório separado, também divulgado hoje, o grupo descobriu que 1,9 milhões de bebés nasceram natimortos durante o mesmo período. Tragicamente, muitas destas mortes poderiam ter sido evitadas com acesso equitativo aos cuidados de saúde materno-infantil, aos cuidados do recém-nascido e para os adolescentes de alta qualidade.

"Todos os dias, demasiados pais enfrentam o trauma da perda dos seus filhos, por vezes mesmo antes do primeiro suspiro", disse Vidhya Ganesh, Director da Divisão de Análise, Planeamento e Monitorização de Dados do UNICEF (Fundo das Nações Unidas paa a Infância). "Uma tragédia tão generalizada e evitável nunca deveria ser aceite como inevitável". O progresso é possível com uma vontade política mais forte e um investimento direccionado no acesso equitativo aos cuidados de saúde primários para cada mulher e criança".

Os relatórios mostram alguns resultados positivos com um menor risco de morte em todas as idades a nível global desde 2000. A taxa global de mortalidade de menores de cinco anos caiu 50% desde o início do século, enquanto as taxas de mortalidade em crianças mais velhas e jovens caíram 36%, e a taxa de nado-morto caiu 35%. Isto pode ser atribuído a mais investimentos no reforço dos sistemas de saúde primários em benefício de mulheres, crianças e jovens.

No entanto, os ganhos diminuíram significativamente desde 2010, e 54 países ficarão aquém do cumprimento da meta de Desenvolvimento Sustentável para a mortalidade de menores de cinco anos. Se não forem tomadas medidas rápidas para melhorar os serviços de saúde, alertam as agências, quase 59 milhões de crianças e jovens morrerão antes de 2030, e quase 16 milhões de bebés serão natimortos.

"É extremamente injusto que as hipóteses de sobrevivência de uma criança possam ser moldadas apenas pelo seu local de nascimento, e que existam desigualdades tão grandes no seu acesso aos serviços de saúde que salvam vidas", disse o Dr. Anshu Banerjee, Director para a Saúde Materna, Recém-nascido, Criança e Adolescente e Envelhecimento na Organização Mundial de Saúde (OMS). "As crianças em toda a parte precisam de sistemas de saúde primários fortes que satisfaçam as suas necessidades e as das suas famílias, para que - não importa onde nasçam - tenham o melhor começo e esperança para o futuro".

As crianças continuam a enfrentar possibilidades de sobrevivência extremamente diferenciadas com base no local onde nascem, sendo a África Subsaariana e o sul da Ásia os mais afectados, mostram os relatórios. Embora a África Subsaariana tivesse apenas 29 por cento dos nascimentos vivos globais, a região foi responsável por 56 por cento de todas as mortes de menores de cinco anos em 2021, e o Sul da Ásia por 26 por cento do total. As crianças nascidas na África Subsaariana estão sujeitas ao maior risco de morte infantil do mundo - 15 vezes maior do que o risco para as crianças na Europa e América do Norte.

As mães nestas duas regiões também suportam a dolorosa perda de bebés e nados-mortos a um ritmo excepcionalmente alto, com 77% de todos os natimortos em 2021 a ocorrerem na África Subsaariana e no Sul da Ásia. Quase metade de todos os nados-mortos ocorreu na África Subsaariana. O risco de uma mulher ter um nado-morto na África Subsaariana é sete vezes maior do que na Europa e América do Norte.

"Por trás destes números estão milhões de crianças e famílias a quem são negados os seus direitos básicos à saúde", disse Juan Pablo Uribe, Director Global de Saúde, Nutrição e População, Banco Mundial e Director do Fundo de Financiamento Global. "Precisamos de vontade política e liderança para um financiamento sustentado dos cuidados de saúde primários, que é um dos melhores investimentos que os países e parceiros de desenvolvimento podem fazer".

O acesso e a disponibilidade de cuidados de saúde de qualidade continua a ser uma questão de vida ou de morte para as crianças a nível mundial. A maioria das mortes de crianças ocorre nos primeiros cinco anos, metade das quais ocorre logo no primeiro mês de vida. Para estes bebés mais novos, o nascimento prematuro e as complicações durante o parto são as principais causas de morte. Do mesmo modo, mais de 40% dos natimortos ocorrem durante o parto - a maioria dos quais são evitáveis quando as mulheres têm acesso a cuidados de qualidade durante a gravidez e o parto. Para as crianças que sobrevivem depois dos primeiros 28 dias, doenças infecciosas como a pneumonia, a diarreia e a malária constituem a maior ameaça.

Embora a COVID-19 não tenha aumentado directamente a mortalidade infantil - com as crianças a enfrentarem uma menor probabilidade de morrer da doença do que os adultos - a pandemia pode ter aumentado os riscos futuros para a sua sobrevivência. Em particular, os relatórios destacam preocupações em torno de interrupção nas campanhas de vacinação, dos serviços de nutrição, e o acesso aos cuidados de saúde primários, o que poderá pôr em risco a sua saúde e bem-estar durante muitos anos. Além disso, a pandemia tem alimentado, o maior recuo continuado nas vacinações em três décadas, colocando os recém-nascidos e crianças mais vulneráveis em maior risco de morrer de doenças evitáveis.

Os relatórios também registam lacunas nos dados, que poderiam minar criticamente o impacto das políticas e programas concebidos para melhorar a sobrevivência e o bem-estar da infância.

"As novas estimativas sublinham o notável progresso global desde 2000 na redução da mortalidade entre crianças com menos de 5 anos", disse John Wilmoth, Director da Divisão de População do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (DESA). "Apesar deste sucesso, é necessário mais trabalho para abordar as grandes diferenças persistentes na sobrevivência infantil entre países e regiões, especialmente na África Subsaariana. Só melhorando o acesso a cuidados de saúde de qualidade, especialmente na altura do parto, seremos capazes de reduzir estas desigualdades e acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças em todo o mundo".

 

Moçambique e outros países da Comunidade de Língua Oficial Portuguesa, todos diminuíram a mortalidade infantil nos últimos anos, lê-se nos referidos relatórios.

Moçambique tinha em 1990 uma taxa de mortalidade em crianças menores de  cinco anos de 245 por mil nascidos vivos, que desceu para 171 em 2000 e para 71,6 em 2020.

Foram registadas 142.000 mortes infantis em 1990, 128.000 em 2000 e 79.000 em 2020.

A taxa de mortalidade infantil (por mil nascimentos) em Moçambique foi de 163 em 1990 e de 53, 30 anos depois. O número de mortes infantis desceu de 95.000 em 1990 para 60.000 em 2020.

A taxa de mortalidade neonatal reduziu de 63 por mil nascidos vivos em 1990, para 47,5 em 2000 e 28 em 2020.As mortes neonatais nesses anos foram de 38.000, 37.000 e 33.000, respectivamente.

 


Notas aos editores:

Os dois relatórios - Níveis & Tendências da Mortalidade Infantil e Nunca Esquecidos - (Levels & Trends in Child Mortality and Never Forgotten) são o primeiro de uma série de importantes conjuntos de dados divulgados em 2023, com números de mortalidade materna da ONU a serem publicados no final deste ano.

Descarregue o conteúdo multimédia aqui.

Aceda aqui ao relatório sobre a mortalidade infantil e aqui ao relatório sobre a natimortalidade.

 

Sobre o IGME da ONU

O Grupo Interagências das Nações Unidas para a Estimativa da Mortalidade Infantil ou IGME da ONU foi formado em 2004 para partilhar dados sobre a mortalidade infantil, melhorar os métodos de estimativa da mortalidade infantil, informar sobre os progressos no sentido dos objectivos de sobrevivência infantil e melhorar a capacidade dos países para produzir estimativas atempadas e devidamente avaliadas da mortalidade infantil. O IGME da ONU é liderada pelo UNICEF e inclui a Organização Mundial de Saúde, o Grupo do Banco Mundial e a Divisão de População do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (DESA).

Para mais informação visite: http://www.childmortality.org/

 

Para mais informação, queira contactar:

UNICEF em Nova Iorque: Sara Alhattab, Tel: +1 917 957 6536, salhattab@unicef.org

OMS em Genebra: Laura Keenan, Tel: +41 79 500 65 64, keenanl@who.int e mediainquiries@who.int  

Banco Mundial em Washington, DC: Alexandra Humme, ahumme@worldbank.org  

Divisão de População, Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (DESA): Thomas Spoorenberg, spoorenberg@un.org  

UNICEF em Moçambique: Benilde Soares, Especialista de Saúde, Cel: +258 82 300 0256, bsoares@unicef.org

 

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