Estima-se que 375,000 crianças estejam em alto risco em Moçambique após o ciclone Jude atingir o país - UNICEF

Inundações generalizadas, destruição de escolas e instalações de saúde ameaçam a sobrevivência, educação e bem-estar das crianças

13 Março 2025
Estima-se que 747,000 pessoas, metade das quais crianças, poderão ter sido afectadas pelos ventos fortes, chuvas torrenciais e inundações repentinas que atingiram as províncias de Nampula, Niassa e Zambézia, no norte de Moçambique, esta semana.
UNICEF Moçambique/2025/Ricardo Franco

MAPUTO, 13 de Março de 2025 - O terceiro ciclone a atingir Moçambique nos últimos meses destruiu escolas, cortando o acesso à educação a cerca de 20,000 crianças, e danificou ou destruiu mais de 20,000 casas, segundo os primeiros relatórios.

Estima-se que 747,000 pessoas, metade das quais crianças, poderão ser afectadas pelos ventos fortes, chuvas torrenciais e inundações repentinas que atingiram as províncias de Nampula, Niassa e Zambézia, no norte de Moçambique, esta semana.

O ciclone Jude, que atingiu a província de Nampula na manhã de segunda-feira, 10 de Março, trouxe ventos de até 195 km/h e chuvas torrenciais. O ciclone causou danos consideráveis nas infraestruturas, incluindo estradas, sistemas de água e electricidade, instalações de saúde e escolas.

As primeiras informações sugerem que 17,000 crianças ficaram sem acesso à aprendizagem, prevendo-se que este número aumente nos próximos dias. As graves inundações estão a exacerbar o risco de doenças transmitidas pela água, incluindo a cólera e a diarreia - grandes ameaças à vida das crianças. Entretanto, os graves danos nas principais estradas estão a perturbar a distribuição de bens essenciais.

Isto acontece numa altura em que mais de 730,000 moçambicanos já estavam a sofrer o impacto devastador dos ciclones tropicais Chido e Dikeledi, que destruíram ou danificaram mais de 150,000 casas, 471 escolas e 100 instalações de saúde.

“O impacto do ciclone Jude em centenas de milhares de crianças e famílias já afectadas pelos ciclones Chido e Dikeledi está a ser devastador. Ventos extremos e chuvas fortes destruíram infraestruturas críticas e estão a privar as crianças vulneráveis dos serviços essenciais, disse Mary Louise Eagleton, Representante do UNICEF em Moçambique.

“O UNICEF está a trabalhar com os nossos parceiros e o Governo para responder e satisfazer as necessidades das pessoas afectadas, mas depois de já ter respondido a dois ciclones no espaço de apenas alguns meses, estamos sobrecarregados e necessitamos urgentemente de recursos adicionais.”

Antes da chegada do ciclone, o UNICEF e os seus parceiros pré posicionaram suprimentos, incluindo materiais de ensino e aprendizagem, medicamentos, pastilhas de purificação de água e kits de prevenção da cólera, que estão agora a ser distribuídos às comunidades afectadas. Contudo, a escala da crise excede os recursos actuais num país onde 3.4 milhões de crianças já necessitavam de assistência humanitária, e a actual época de ciclones poderá durar mais seis semanas.

O UNICEF apela urgentemente aos doadores, governos e comunidade internacional para que aumentem e mantenham o financiamento para as áreas de educação e esforços de resposta à emergências. Sem uma intervenção imediata, o futuro de toda uma geração de crianças moçambicanas está em risco.

 


 

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