ACREDITE! VOCÊ TEM O PODER DA MUDANÇA.
Click to close the emergency alert banner.

Uma merenda que alimenta muito mais do que o corpo

Em Tauá, no Ceará, a história de Ana Tamyres mostra como a alimentação escolar fortalece hábitos saudáveis, valoriza a agricultura familiar e transforma a escola em um espaço de cuidado, aprendizagem e saúde

-
UNICEF
30 julho 2026
Em Tauá, no Ceará, a história de Ana Tamyres mostra como a alimentação escolar fortalece hábitos saudáveis, valoriza a agricultura familiar e transforma a escola em um espaço de cuidado, aprendizagem e saúde

Na Escola Maria Alexandrino Nogueira Marques, em Tauá, no interior do Ceará, o sinal que anuncia a hora do recreio também anuncia uma pequena aula sobre o mundo. É na hora da refeição que as crianças começam a construir hábitos que vão levar para a vida, descobrem sabores que não conheciam e aprendem que os alimentos que comem vêm da própria região.  

Para Ana Tamyres, de 10 anos, essa história começa dentro de casa. Sua mãe, Dayely do Nascimento, é uma das trabalhadoras que ajudam a produzir parte dos alimentos que chegam à mesa dos estudantes da cidade. Ana cresceu vendo de perto esse ciclo e é essa vivência que ela conta em um cordel. 

Cordel
UNICEF/BRZ/Beatriz Oliveira
Click play for audio experience

Cordel
by UNICEF

 

Muito além da merenda 

A história de Ana não é exceção: é o retrato de uma rotina construída todos os dias nas escolas de Tauá. Ali, a alimentação escolar é uma ferramenta de saúde, cultura, educação e pertencimento em uma rede que une escola, famílias, nutricionistas, pequenos agricultores, produtores locais e gestores públicos em torno de um mesmo objetivo. 

"Recebemos crianças aqui a partir dos seis anos, e a grande maioria traz de casa bolinhos industrializados, sucos e outros alimentos ultraprocessados. Então vamos conversando com elas, compartilhando, oferecendo a nossa alimentação e mostrando o quanto ela é importante. Seguimos um cardápio e, todos os dias, oferecemos uma alimentação variada", conta Simone Chaves, diretora da escola. 

Ana Tamyres e Simone Chaves, diretora da Escola Maria Alexandrino Nogueira Marques.
UNICEF/BRZ/Beatriz Oliveira Ana Tamyres e Simone Chaves, diretora da Escola Maria Alexandrino Nogueira Marques.

Essa mudança de hábito não acontece por acaso, é resultado de um cardápio pensado com cuidado, refeição por refeição. 

"Na alimentação escolar, procuramos ofertar alimentos mais naturais, evitando os ultraprocessados. Comer saudável é importante para a saúde e para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Para termos essa continuidade, fazemos o teste de aceitabilidade: só entra no cardápio aquilo que é aceito por eles", explica Hallyne Carvalho, nutricionista responsável pela alimentação escolar. 

E os efeitos dessa escolha vão muito além. "A importância da alimentação saudável, livre de ultraprocessados, é imensa. Isso impacta também a saúde adulta de meninos e meninas. Estamos falando de crianças e adolescentes que passam o dia na escola e precisam se alimentar bem", destaca Sayonara Moura, secretária municipal de Saúde. 

 

Comida da escola, a mesma comida de casa 

Dayely, mãe de Ana Tamyres, no Espaço Delas.
UNICEF/BRZ/Beatriz Oliveira Dayely, mãe de Ana Tamyres, no Espaço Delas.

Essa revolução na merenda escolar tem um sabor ainda mais especial: em Tauá, parte dos alimentos servidos nas escolas vem da agricultura familiar, aproximando produtores locais da comunidade escolar e gerando renda para o município. Dayely faz parte do Espaço Delas, cooperativa formada por mulheres do município que produzem pães, sequilhos, bolos e barras de cereais destinados à alimentação nas escolas. Além de garantir alimentação de qualidade para os estudantes, a cooperativa se tornou um símbolo de autonomia e renda para as famílias envolvidas — entre elas, a de Ana. 

"A Ana come legumes, frutas, tudo o que recebe na escola. E as mesmas coisas que ajudo a produzir, eu faço em casa. Sei que alimentos saudáveis e naturais ajudam bastante no crescimento das crianças e fico feliz por contribuir com a alimentação de tantas crianças", conta Dayely. 

E os resultados, ela vê de perto. "A Ana está sendo aluna destaque da sala. Recebo muitos elogios dos professores e as notas são excelentes. Então eu acho que a merenda está ajudando muito no desenvolvimento dela", completa. 

 

Uma lei que chega para proteger 

Merendeiras da Escola Maria Alexandrino Nogueira Marques servindo os alunos.
UNICEF/BRZ/Beatriz Oliveira Merendeiras da Escola Maria Alexandrino Nogueira Marques servindo os alunos.

No Ceará, esse trabalho ganhou um reforço importante com a aprovação da Lei de Escolas Saudáveis (Lei Estadual nº 19.455/2025), construída conjuntamente com a Assembleia Legislativa do Ceará e o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), e com apoio técnico do UNICEF e de parceiros como o Instituto de Defesa de Consumidores (IDEC) e a Universidade Estadual do Ceará (UECE). A legislação estabelece diretrizes para promover a alimentação adequada e a educação alimentar e nutricional nas escolas, além de restringir a oferta e a comercialização de alimentos ultraprocessados no ambiente escolar. 

“Nós percebemos que essa mudança é estrutural e precisa ser feita por meio de legislação e de regulamentação do processo de compra da alimentação, da produção e da mudança de hábitos alimentares de crianças e adolescentes. Aqui no estado, fizemos esse grande esforço para termos uma legislação moderna, que atendesse tanto as escolas públicas quanto as privadas”, explica Rui Aguiar, chefe do escritório do UNICEF no Ceará. 

"Em Tauá, 100% dos recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) são destinados à aquisição de alimentos da agricultura familiar", completa João Alcimo, secretário municipal de Educação. 

 

Um desafio nacional, uma resposta local 

A experiência de Tauá dialoga com um problema cada vez maior no Brasil: o consumo de alimentos ultraprocessados entre crianças e adolescentes vem crescendo nas últimas décadas, contribuindo para diferentes formas de má nutrição, como sobrepeso e obesidade. Fortalecer a alimentação escolar e ampliar o acesso a alimentos in natura ou minimamente processados são estratégias essenciais para garantir o desenvolvimento integral de meninas e meninos, e para prevenir doenças ao longo de toda a vida. 

A história de Ana mostra que essa transformação pode começar de um jeito simples: com alimentos produzidos perto de casa, preparados com cuidado e compartilhados na escola. Quando alimentação saudável, educação e comunidade caminham juntas, a merenda alimenta muito mais do que o corpo. Ela fortalece vínculos, cria oportunidades e ajuda a construir um futuro mais saudável para crianças e adolescentes. 

Para essa iniciativa, o UNICEF conta com a parceria estratégica da BNP Paribas Cardif. Para ações gerais de Saúde, o UNICEF conta com a parceria estratégica de Takeda e Infinis. Além disso, o UNICEF tem XBRI Pneus como parceira estratégica para toda sua atuação no Brasil.