Um milagre da sobrevivência ao ebola

Ebola é uma doença brutal. Mas, graças aos cuidados constantes, o pequeno Nelly a venceu

Por Sam Waterton, República Democrática do Congo
um homem segura uma criança no colo
UNICEF/Nybo/2019
20 janeiro 2020

Os médicos não achavam que Nelly conseguiria sobreviver quando ele foi internado no Centro de Tratamento do Ebola de Butembo, na República Democrática do Congo, no último mês de setembro.

Nelly, de 6 anos, apresentava sintomas avançados do ebola após contrair a doença, junto com dois de seus irmãos, em agosto. Menos de um mês depois, sua vida estava por um fio.

Quando os médicos começaram o tratamento, a consciência de Nelly estava oscilando, ele estava com a respiração ofegante e grandes olheiras.

No centro de tratamento, o menino foi cuidado e acalentado por Germain Mbusa, que se sentava com Nelly dentro de uma bolha plástica transparente e protetora. Germain sabe como é vencer o ebola. Tendo sobrevivido à doença, Germain agora está imune e trabalha no centro como "canção de ninar", assim são chamados esses cuidadores por causa de sua presença calmante. Ele foi capaz de ficar em segurança ao lado de Nelly, conversando com o menino e segurando sua mão, apoiado por uma equipe de médicos e nutricionistas que prestam assistência médica vital.

República Democrática do Congo. Um cuidador no Centro de Tratamento do Ebola de Butembo está sentado com uma criança afetada pelo vírus na província de Kivu do Norte.
UNICEF/Nybo/2019
Germain, que trabalha como "canção de ninar" no Centro de Tratamento do Ebola de Butembo, República Democrática do Congo, fica sentado ao lado de Nelly, que está recebendo tratamento após contrair o ebola.

"Eu queria vê-lo se recuperar o mais rápido possível", diz Germain.

Os sintomas do Ebola variam, mas febre súbita, fraqueza intensa, dor muscular, dor de cabeça e irritação na garganta são comuns nos estágios iniciais da doença. Isso pode ser seguido por vômitos e diarreia, erupção cutânea e, em alguns casos, sangramento interno e externo.

República Democrática do Congo. Estudantes colocam um cartaz detalhando a sensibilização ao ebola em uma escola em Butembo.
UNICEF/UN0311511/Tremeau
Estudantes pregam cartazes detalhando sintomas e cuidados em relação ebola em uma escola em Butembo, na República Democrática do Congo.

"Quando Nelly chegou, não havia esperança", diz o médico Serge Mumbere Kavalami, diretor do hospital.

Mas então algo inesperado aconteceu: Nelly começou a melhorar.

"Com toda a ajuda da equipe… ele conseguiu! A sobrevivência de Nelly é um milagre", diz Kavalami.

O UNICEF enviou nutricionistas, pediatras e psicólogos para trabalhar nos centros de tratamento do ebola para atender às necessidades específicas de pessoas infectadas pelo vírus, particularmente crianças, mulheres grávidas e mães que amamentam, muitas das quais já estavam desnutridas antes de ficar doentes.

Após 35 dias em terapia intensiva, Nelly deixou o centro de tratamento com sua família como sobrevivente do ebola. "Estou feliz por ter me curado e gostaria de ir para a escola", diz Nelly sorrindo enquanto timidamente junta as mãos do lado de fora dos portões do hospital.

um menino pequeno está sendo abraçado por três pessoas maiores. Todos estão sorrindo.
UNICEF/UNI226187/Bindra
Em 9 de outubro de 2019, Nelly, 6 anos, é abraçado por sua irmã, seu irmão e sua mãe, ao deixar o Centro de Tratamento de Ebola após 35 dias de tratamento, em Butembo, República Democrática do Congo .

De um sobrevivente a outro
Após semanas de preocupação, o clima é leve e comemorativo. A família e a equipe médica estão dançando, rindo e tocando tambores. Nelly está sem fôlego, entusiasmado, enquanto sua família o beija e o abraça. "Eu ficava preocupada quando visitava... chorava todos os dias. Estou muito agradecida por ele estar melhor", diz a mãe de Nelly enquanto carrega o filho nas costas.

Histórias de sobrevivência como a de Nelly são mais uma evidência de que os esforços dedicados de profissionais de saúde que têm o apoio do UNICEF estão ajudando a salvar vidas. Mais de 1.100 pessoas sobreviveram ao último surto, que começou em Kivu do Norte em agosto de 2018. Mas, mesmo com as taxas de sobrevivência melhorando, a prevenção continua sendo fundamental. Desde 2018, quase 33 milhões de pessoas foram alcançadas com informações sobre como detectar e prevenir o ebola por meio de atividades de divulgação e iniciativas nas prefeituras, igrejas, escolas e programas de rádio.

Germain diz que nunca desistiu de Nelly. "Fiquei tão feliz quando Nelly sobreviveu", diz ele. "Fiquei assustado quando ele se recusou a comer. Eu olhava para ele e tinha pavor de que ele morresse. Mas ele conseguiu".



A resposta do UNICEF ao ebola concentra-se em uma abordagem comunitária transversal. Isso inclui o envolvimento com as comunidades; o fornecimento de água potável e a melhoria do saneamento e da higiene como parte da prevenção e do controle de infecções; o aumento dos serviços de apoio psicossocial, educação e proteção à criança; e a assistência em nutrição.
 


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