“Quero acolher os jovens por meio da arte”
Giulya Maciel, tem 20 anos, e mora na Cidade Tiradentes, no município de São Paulo. Ela compõe uma rede de adolescentes e jovens comunicadores
“Eu venho de muitos lugares”, é assim que Giulya Aparecida Maciel, de 20 anos, conta sobre suas origens. Apesar de morar desde seu nascimento na Cidade Tiradentes, no extremo leste do município de São Paulo, Giulya afirma que seus passos vêm de longe, e que foi influenciada por parte de sua família a se envolver com o campo artístico.
Com apenas 20 anos, a jovem já desenvolveu um conjunto de habilidades por meio de oportunidades oferecidas por projetos sociais do território: capoeira, kickboxing, violão, caixa, flauta transversal, circo, danças africanas, street dance, além de três anos de estudos de teatro. E foi esse lado mobilizado e engajado que, segundo a jovem, a fez se interessar e se inscrever no Passa a Visão, assim que ficou sabendo da oportunidade.
Uma das frentes de trabalho do projeto é a formação de uma Rede de Adolescentes e Jovens Comunicadores, da qual Giulya faz parte. O objetivo é levar informações confiáveis e relevantes sobre como prevenir e denunciar as múltiplas formas de violências contra crianças e adolescentes para outros adolescentes, jovens e moradores da Cidade Tiradentes – território prioritário da #AgendaCidadeUNICEF no município de São Paulo.
Durante sua participação no Passa a Visão, ela e outros 46 adolescentes e jovens tiveram suas competências fortalecidas nas temáticas de violências contra crianças e adolescentes, violências de gênero, racismo, branquitude e políticas públicas, além de aprender como criar estratégias de comunicação comunitária.
“Eu queria ter essa troca com outros jovens. Saber o que os jovens da Cidade Tiradentes estão pensando e essa troca está rolando de fato. (...) A forma mais fácil de comunicar alguma coisa para a gente é de jovem para jovem. Outras formas até funcionam, mas não têm o mesmo impacto”, diz a jovem. Ela reforça, ainda, a importância de projetos sociais do bairro, que fomentam “rodas de conversas, espaços onde as pessoas sejam acolhidas e incentivadas a dar nome às coisas”.
A rotina de Giulya contempla também outras atividades. Há cerca de dois anos, ela idealizou, junto com outras quatro mulheres de diferentes gerações, um coletivo chamado “Cultura Lá Em Casa”, que busca atender e entender as necessidades da comunidade por meio da cultura, incentivando a expressão por meio das artes. “O coletivo existe para achar as estrelas da quebrada em projetos que vão desde atividades recreativas com o público infantil até ações de contação de histórias e reconhecimento de artistas que vivem na Cidade Tiradentes”, explica.
Giulya também tem sonhos para o futuro. Ela quer cursar a faculdade de Artes Cênicas. “Quero me tornar diretora de teatro para acolher os jovens por meio da arte”, finaliza.
Passa a Visão é uma iniciativa do UNICEF em parceria estratégica com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e em parceria de implementação com a ONG Serenas, que visa implementar metodologias de mudança de comportamento social para a prevenção das múltiplas formas de violências contra crianças e adolescentes.