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No coração da Amazônia, uma aliança pelas crianças indígenas

Em São Gabriel da Cachoeira, agências da ONU, organizações indígenas e governo iniciam projeto para integrar saúde, educação, proteção e bioeconomia em seis estados da Amazônia Legal

UNICEF
16 setembro 2025

Do alto, ao se aproximar de São Gabriel da Cachoeira, no extremo noroeste da Amazônia, a paisagem já anuncia a grandiosidade do território: rios que desenham caminhos pela floresta infinita e montanhas que se erguem como guardiãs do céu. No chão, a cidade pulsa em cores e cultura. As ruas pintadas de amarelo, vermelho e verde preparam o caminho para uma festa regional no início de setembro e recebem visitantes e moradores com a energia de um território onde nove em cada dez habitantes são indígenas, pertencentes a 23 etnias diferentes. 

Foi nesse cenário que sete agências da ONU — UNESCO, UNFPA, ACNUR, OIT, OIM e OPAS/OMS, lideradas pelo UNICEF — em conjunto com lideranças indígenas, governos e parceiros, lançaram oficialmente as ações do projeto “Proteção Integral e Promoção dos Direitos de Crianças, Adolescentes e Jovens Indígenas na Amazônia Legal”, financiado pelo Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. 

Considerado um dos municípios mais indígenas do Brasil, São Gabriel da Cachoeira também é um lugar de resistências e saberes. Nas feiras, na rua central da cidade e nas portas das casas, farinha e frutas se misturam ao artesanato produzido com grafismos que carregam histórias ancestrais. No alto da Pedra da Cosama, de onde se vê o Rio Negro em toda a sua força e beleza, a sensação é de que o tempo se alonga para caber no pôr do sol entre montanhas e corredeiras da serra do Cabari. 

A Casa de Saberes Indígenas (Maloca) da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) se tornou espaço de diálogo, escuta e construção coletiva durante três dias, entre os dias 20 e 22 de agosto. No evento Diálogos Fundo Brasil-ONU no Alto Rio Negro: Encontro sobre Saúde e Proteção dos Povos Indígenas, lideranças locais trouxeram suas prioridades para o futuro e a necessidade de reforçar políticas públicas existentes; jovens comunicadores defenderam a importância do fortalecimento das línguas indígenas da região; parteiras e agentes de saúde compartilharam saberes e desafios; artesãos explicaram suas dificuldades e o injusto retorno financeiro dos materiais produzidos. 

rio largo e barco

UNICEF/BRZ/Sarah Paes

duas mulheres indígenas

UNICEF/BRZ/Sarah Paes

No mesmo espaço, as parteiras trouxeram sua voz. “A parteira não é apenas quem ajuda a nascer. É quem segura a vida junto da comunidade. Quando somos reconhecidas, todo o nosso povo é fortalecido”, contou uma delas, recebida com aplausos.

As lideranças reforçaram a importância de manter a escuta aberta, não apenas no evento, mas em todo o processo que o projeto pretende construir. “Escutar é tão importante quanto falar. O que pedimos aqui é que nossas vozes continuem sendo ouvidas, não apenas durante o evento, mas em cada ação que será realizada”, destacou uma das seis lideranças indígenas presentes no evento de abertura do projeto (Baré, Baniwa, Kokama, Ticuna, Tukano e Yanomami).

rio largo no pôr do sol

UNICEF/BRZ/Sarah Paes

mulher indígena fala ao microfone

UNICEF/BRZ/Sarah Paes

As falas se entrelaçaram com compromissos práticos: definição de territórios prioritários, capacitação de agentes indígenas de saúde e parteiras, início da estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI) e fortalecimento da rede de proteção de crianças e adolescentes indígenas.

“Esta semana abrimos um espaço de conversa fundamental, com rodas de diálogo em que os próprios povos indígenas compartilharam suas necessidades e prioridades. Esse momento reforça nosso compromisso de seguir ouvindo, aprendendo e construindo juntos”, afirmou o então representante do UNICEF no Brasil, Youssouf Abdel-Jelil.

O projeto atuará em todos os seis eixos que o contemplam em São Gabriel da Cachoeira, por isso a escolha do local para iniciar as atividades — integrando saúde, educação, proteção, governança, juventude e biodiversidade. O objetivo é ambicioso: fortalecer políticas públicas, reduzir desigualdades e garantir que crianças, adolescentes, jovens, migrantes e refugiados indígenas tenham acesso a direitos, oportunidades e um futuro sustentável.

Na cabeceira do Rio Negro, conhecida como “Cabeça do Cachorro”, a primeira ação do Fundo Brasil-ONU ecoa como um marco: um trabalho conjunto, construído lado a lado com os povos da Amazônia, para que suas vozes, culturas e modos de vida sigam vivos e fortalecidos para as próximas gerações. 

Sobre o Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia

Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia é o resultado de uma parceria entre o Governo Federal, o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal e o Sistema das Nações Unidas. O Fundo busca mobilizar recursos para financiar projetos que gerem alternativas econômicas inclusivas e sustentáveis para fomentar o desenvolvimento da região Amazônica e beneficiar as populações em situação de maior vulnerabilidade. O Canadá foi o primeiro país a anunciar apoio financeiro ao Fundo, com uma contribuição de 13 milhões de dólares canadenses.