Juventude amazônida mostra força e protagonismo na agenda climática rumo à COP30
No Dia da Amazônia, o UNICEF destaca a mobilização da juventude que já está transformando realidades nos territórios amazônicos e se preparando para a COP30, a primeira Conferência do Clima da ONU a ser realizada na Amazônia.
Em diferentes cidades do Pará, adolescentes e jovens estão organizados em Núcleos de Cidadania de Adolescentes (NUCA), uma iniciativa do UNICEF no âmbito do Selo UNICEF, que fortalece a participação social em mais de dois mil municípios na Amazônia Legal e Nordeste brasileiros. Nos NUCAs, adolescentes ribeirinhos, quilombolas, indígenas e urbanos se encontram para debater meio ambiente, direitos, saúde, educação e mudanças climáticas. Mais do que espaço de formação cidadã, os núcleos têm se tornado verdadeiras escolas de protagonismo juvenil, onde adolescentes assumem papéis de liderança e promovem ações transformadoras em suas comunidades.
Vozes que transformam
Para Marília Sofia Santos, de 15 anos, integrante do NUCA de Moju, participar desse espaço foi uma oportunidade de levar temas ambientais para além da sala de aula: “A gente já foi para uma comunidade quilombola, já falamos sobre lixo, poluição, clima e, principalmente, sobre direitos. Nós, jovens e crianças, queremos fazer a diferença e corremos atrás dos nossos direitos.”
Em Abaetetuba, Daíse Bitencourt, de 16 anos, conta que o NUCA a ajudou a descobrir habilidades que nem imaginava. “Eu melhorei minha oratória, aprendi a lidar com pessoas e encontrei um norte: quero seguir profissionalmente na área ambiental. No NUCA, desenvolvemos ações de reflorestamento, produzimos sabonetes ecológicos, papel reciclado e criamos composteiras. Tudo isso me fez enxergar novas possibilidades.”
Também em Moju, o jovem Marlon Cohen, de 17 anos, lembra como as atividades conectaram passado e futuro: “Começamos com ações de ancestralidade, visitando igarapés que fazem parte da história da cidade, mas que estavam poluídos. A primeira ação foi conscientizar a população para restaurar aquele espaço. Mesmo sendo difícil, nós podemos fazer a diferença. É fazer local, mas pensar global.”
O impacto do NUCA na vida dos jovens
Para Gabriel Ribeiro, de 18 anos, do NUCA de Ponta de Pedras, no Marajó, a experiência foi transformadora. “No NUCA da minha cidade existem jovens ribeirinhos, quilombolas e da cidade, todos impactados pelas mudanças climáticas. Com o NUCA, me senti abraçado e acolhido. Aprendi com o grupo que era possível mudar realidades por meio da educação e isso fez com que eu me tornasse a primeira pessoa da minha família a ingressar em uma universidade pública. Nós vamos sim continuar. Vamos achar soluções, porque somos jovens, fortes e capazes de mudar realidades.”
Lucas Rodrigues, de 23 anos, de Marituba, também reforça a importância da participação política. Segundo ele, a criação do NUCA em seu município mostrou aos adolescentes que sua voz tem peso nos espaços de decisão. “A partir desse espaço, muitos perceberam que tinham papel na vida política da cidade, que podiam ser escutados nas conferências e nos conselhos, como o CMDA. O NUCA abriu portas para que a juventude fosse ouvida e reconhecida como sujeito de direitos.”
Juventude como protagonista da agenda climática
Para o UNICEF, os NUCAs cumprem um papel essencial ao colocar os adolescentes como protagonistas da ação climática em seus territórios. “É fundamental que a juventude amazônida esteja no centro das soluções para a crise climática. Eles já estão mostrando, com ações locais, que é possível construir respostas efetivas, conectando meio ambiente, ancestralidade e cidadania”, afirma Mariana Buoro, Oficial de Mudanças Climáticas e Meio Ambiente do UNICEF no Brasil.
Às vésperas da COP30, que pela primeira vez será realizada na Amazônia, o protagonismo juvenil ganha ainda mais relevância. Os adolescentes dos NUCAs já estão contribuindo para que suas comunidades se preparem para os desafios climáticos atuais e futuros, lembrando que preservar a Amazônia é uma responsabilidade compartilhada — não apenas para proteger o presente, mas também para garantir o futuro das próximas gerações.