“É bom quando a gente percebe que não está esquecido”

UNICEF e parceiros distribuem 9 mil kits de limpeza, higiene e cestas básicas doados por Gemini Energy e BNDES a quase 4 mil famílias vulneráveis em Salvador, Fortaleza e Recife

UNICEF Brasil
uma mulher usando máscara está em pé, apoiada em um tambor. atrás dela há diversas cestas básicas com o logo do UNICEF
UNICEF/BRZ/Manuela Cavadas
17 agosto 2020

No gingado da capoeira praticada pela filha de 8 anos, Ana Teresa de Oliveira vê a ancestralidade se manifestar. Quando mais nova, ela também foi capoeirista. Hoje, aos 31 anos, Ana Teresa dedica-se a criar sozinha a menina e o filho de um ano e meio, morando no bairro Pau Miúdo, em Salvador. A tarefa árdua tornou-se ainda mais exigente com a chegada da pandemia do novo coronavírus, que acabou com a renda ganha em faxinas e na venda de salgados. “Impactou toda a minha estrutura. Eu fiquei sem perspectiva, sem entender como eu conseguiria viver com as restrições e tudo fechado”.

Mesmo com as aulas suspensas, Ana Teresa voltou à associação de capoeira da filha, desta vez, para receber do mestre Tonho Matéria um kit de limpeza e higiene. Com álcool em gel, água sanitária, sabonete, detergente e itens da cesta básica, o kit foi entregue numa parceria do UNICEF e Gemini Energy, via BNDES, que está alcançando 3.957 famílias em Salvador, Fortaleza e Recife. A estimativa é que 9.069 kits atendam mais de 20 mil pessoas nessas três cidades.

“É tão bom quando a gente percebe que não está esquecido. É bom saber que olham para a gente e enxergam nosso potencial para fazer a diferença e construir coisas boas, mesmo a gente sendo periférica”, diz.

Ana Teresa vem contando com o auxílio emergencial e disse que as doações chegaram num bom momento. “O kit ajudou bastante. Gostei muito do álcool em gel, que é essencial para fazer a higiene do que vem da rua. Te traz segurança”, diz.

uma menina e uma mulher, as duas usando máscaras, estão segurando uma cesta básica com o logo do UNICEF. Elas estão num estacionamento, atrás delas aparece um pedaço de um carro.
UNICEF/BRZ/Nilson Silva

Em Fortaleza, foi na escola de balé da filha que Nazária Marques retirou um dos 1.121 kits distribuídos na capital cearense. Ali, na Escola de Dança e Integração Social para Criança e Adolescente (Edisca), ela também participou de um curso de capacitação e planeja vender doces e salgados para contribuir com a renda da família, hoje vinda exclusivamente do marido, que trabalha como entregador autônomo. Mãe de quatro filhos, Nazária conta que recebe ajuda de familiares e também disse que as doações chegaram em boa hora.

“Para quem tem muita criança em casa, tudo que entra é super bem-vindo. Eu tenho visto que até quem tem pouco tem repartido com os outros e isso é comovente. É um momento em que a gente vê que as pessoas estão sendo muito solidárias”, conta.