“É bom quando a gente percebe que não está esquecido”
UNICEF e parceiros distribuem 9 mil kits de limpeza, higiene e cestas básicas doados por Gemini Energy e BNDES a quase 4 mil famílias vulneráveis em Salvador, Fortaleza e Recife
No gingado da capoeira praticada pela filha de 8 anos, Ana Teresa de Oliveira vê a ancestralidade se manifestar. Quando mais nova, ela também foi capoeirista. Hoje, aos 31 anos, Ana Teresa dedica-se a criar sozinha a menina e o filho de um ano e meio, morando no bairro Pau Miúdo, em Salvador. A tarefa árdua tornou-se ainda mais exigente com a chegada da pandemia do novo coronavírus, que acabou com a renda ganha em faxinas e na venda de salgados. “Impactou toda a minha estrutura. Eu fiquei sem perspectiva, sem entender como eu conseguiria viver com as restrições e tudo fechado”.
Mesmo com as aulas suspensas, Ana Teresa voltou à associação de capoeira da filha, desta vez, para receber do mestre Tonho Matéria um kit de limpeza e higiene. Com álcool em gel, água sanitária, sabonete, detergente e itens da cesta básica, o kit foi entregue numa parceria do UNICEF e Gemini Energy, via BNDES, que está alcançando 3.957 famílias em Salvador, Fortaleza e Recife. A estimativa é que 9.069 kits atendam mais de 20 mil pessoas nessas três cidades.
“É tão bom quando a gente percebe que não está esquecido. É bom saber que olham para a gente e enxergam nosso potencial para fazer a diferença e construir coisas boas, mesmo a gente sendo periférica”, diz.
Ana Teresa vem contando com o auxílio emergencial e disse que as doações chegaram num bom momento. “O kit ajudou bastante. Gostei muito do álcool em gel, que é essencial para fazer a higiene do que vem da rua. Te traz segurança”, diz.
Em Fortaleza, foi na escola de balé da filha que Nazária Marques retirou um dos 1.121 kits distribuídos na capital cearense. Ali, na Escola de Dança e Integração Social para Criança e Adolescente (Edisca), ela também participou de um curso de capacitação e planeja vender doces e salgados para contribuir com a renda da família, hoje vinda exclusivamente do marido, que trabalha como entregador autônomo. Mãe de quatro filhos, Nazária conta que recebe ajuda de familiares e também disse que as doações chegaram em boa hora.
“Para quem tem muita criança em casa, tudo que entra é super bem-vindo. Eu tenho visto que até quem tem pouco tem repartido com os outros e isso é comovente. É um momento em que a gente vê que as pessoas estão sendo muito solidárias”, conta.