Cumprimento de medida socioeducativa em tempos de Covid-19

Ação do UNICEF em parceria com Funase, do Governo de Pernambuco, busca conscientizar grupo de alta vulnerabilidade sobre cuidados para conter a pandemia

UNICEF Brasil
adolescente de costas vê cartaz com medidas de prevenção da covid-19
Divulgação/Funase/Abinoan Barboza
29 julho 2020

Gustavo* tinha 16 anos quando começou a cumprir medida socioeducativa na região metropolitana do Recife. Hoje, ele diz que os últimos dois anos e meio em regime fechado no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) Vitória de Santo Antão tem sido positivo, mas que teve que reaprender muitos cuidados básicos por conta da pandemia do coronavírus. “O mais complicado é não poder receber visita”, diz.

“Não é fácil, mas é importante porque trata da saúde de cada um de nós”, conta Gustavo. “Mas todo mundo aqui já incorporou a situação, uso de máscaras, lavar as mãos, álcool em gel, tivemos muita informação, espaço para tirar dúvidas”.

O Case Vitória de Santo Antão é uma das 23 unidades de medidas socioeducativas em meio fechado em Pernambuco que estão sendo foco de uma campanha de reforço dos cuidados sanitários durante a pandemia de Covid-19 e também mensagens de empoderamento e direitos dos meninos e meninas em cumprimento de medidas socioeducativas. A campanha é resultado de uma parceria do UNICEF com o Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude (SDSCJ) e da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase), e alcança 716 adolescentes e jovens entre 12 e 21 anos atendidos nessas unidades.

“Há cartazes por aqui que ajudam a reforçar um pouco a importância desses cuidados, não deixam a gente esquecer”, conta Gustavo.

“O UNICEF vem contribuindo com o governo do estado para a proteção e garantias de direitos dos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas, tanto em meio fechado quanto em meio aberto”, explica Augusto Souza, oficial de Proteção da Criança do UNICEF. “As e os adolescentes socioeducandos fazem parte de um grupo de alta vulnerabilidade e, por isso, precisam de atenção especial para superar esses desafios e exercerem sua cidadania”, explica. 

“Corra atrás do amor, alimente seu coração. Só não me julgue, nem vem me criticar”, canta Gustavo em um de seus raps, que ele escreve enquanto cumpre seu período no Case. “Quando sair, quero ficar com minha esposa e ser policial”, diz Gustavo, enquanto lava as mãos para se proteger da Covid-19.

 

* O nome do adolescente foi alterado neste texto para preservar sua identidade