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Aos 22 anos, jovem mobiliza juventude e abre caminhos na periferia de RO

Rodrigo Gonçalves usa a própria história para criar perspectivas na periferia de Machadinho d'Oeste (RO)

UNICEF
Aos 22 anos, jovem mobiliza juventude e abre caminhos na periferia de RO
UNICEF
14 outubro 2026

"A juventude não é o amanhã, é o hoje. A juventude precisa de políticas públicas agora". A frase, dita com a firmeza de quem conhece a periferia, é a referência para o trabalho de mobilização de Rodrigo Gonçalves de Souza Araújo, de 22 anos. Servidor municipal, mobilizador do Selo UNICEF (Edição 2024-2028) e voluntário da Polícia Militar Mirim, o jovem transformou a escola pública de Machadinho d'Oeste, em Rondônia, em seu principal palco de atuação. 

A trajetória de Rodrigo reflete a realidade de uma parcela significativa dos jovens trabalhadores do norte do país. Nascido em Jaru (RO), mudou-se na infância com a família para Machadinho D’Oeste. Antes de planejar dinâmicas de engajamento e debater direitos infantojuvenis, trabalhou como ajudante de pedreiro e, mais tarde, no comércio local. 

O incentivo constante dos pais e uma habilidade natural para a comunicação foram as ferramentas que o impediram de ser engolido pelas estatísticas de evasão escolar. Encontrou em atividades da igreja e em projetos comunitários um refúgio para desenvolver o que viria a ser seu maior trunfo: a capacidade de mobilizar pessoas.

A mudança de vida aconteceu em 2018, quando passou a integrar a Polícia Militar Mirim. Foi lá que cruzou o caminho de Jane Sicone, então mobilizadora local do Selo UNICEF. Ao notar a desenvoltura do jovem, Jane o convidou para integrar o Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA), uma iniciativa do Selo UNICEF que reforça a participação de adolescentes nas discussões de políticas públicas municipais. A imersão na iniciativa alterou sua percepção sobre direitos humanos e participação cidadã.

Pouco tempo depois, o jovem que trazia na bagagem a vivência das periferias de Rondônia subia ao palco de um evento oficial do UNICEF para dar voz à sua região. "Foi ali que eu percebi que o que pensamos importa e que podemos, sim, ocupar esses espaços", relembra Rodrigo.

Inspiração para novas lideranças

Com a disciplina de quem aprendeu o valor do dinheiro poupando, Rodrigo alcançou metas materiais precoces: comprou a primeira motocicleta e, pouco depois, a casa própria. No entanto, sua métrica de sucesso não se restringe ao patrimônio individual. No horizonte pessoal, o plano é ainda mais ambicioso: estudar para prestar vestibular para Medicina, com foco em Pediatria.

Em sua atuação na Polícia Militar Mirim, na condição de instrutor voluntário, o jovem lida diariamente com outros adolescentes que chegam sem perspectivas, cercados pela vulnerabilidade social. Sua abordagem aposta na inspiração de vida espelhamento para impulsionar o grupo.

Para além dos planos individuais, Rodrigo entendeu a partir de suas vivências na PM Mirim e no NUCA que seu papel principal é o de um catalisador de lideranças ocultas na comunidade. Atualmente, ele articula parcerias para transformar a atual fanfarra da instituição em uma orquestra musical, com o intuito de oferecer uma alternativa cultural contra a criminalidade local.

"Eu espero que, no futuro, outros adolescentes olhem para mim e pensem: 'Se o Rodrigo conseguiu, eu também consigo'. Para ele, a essência do voluntariado reside em provar que a juventude da periferia não deve apenas assistir às decisões, mas ditar o rumo delas”, diz.

Sobre os NUCAs 

Os núcleos de cidadania de adolescentes (NUCAs) fazem parte da metodologia do Selo UNICEF e tem o objetivo de facilitar que adolescentes tenham o direito de participar e de ser ouvidos nas discussões de políticas públicas municipais que os impactam, direta e indiretamente.  

Atualmente, mais de 56 mil adolescentes participam de 1.970 NUCAs em 2.116 municípios participantes do Selo UNICEF. Em Rondônia, 52 NUCAs reúnem 1.194 meninas e meninos. A participação cidadã de adolescentes é um direito garantido pela Convenção sobre os Direitos da Criança (1989), pela Constituição Federal do Brasil (1988) e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990).

O Selo UNICEF é uma das maiores iniciativas de fortalecimento de políticas públicas do País. Na última edição (2021-2024), 933 municípios dos 2.023 que foram mobilizados pelo programa receberam a certificação. Isso representa a melhoria de indicadores-chave relacionados à infância e adolescência nestas localidades, como imunização, permanência de crianças na escola e prevenção de violências.

A edição atual, que segue até 2028, já atingiu número recorde de adesões, com 2.277 cidades de 18 estados participando da iniciativa.

Parceiro implementador
O Instituto Amazônia Açu (IAÇU) atua como parceiro implementador do UNICEF na Amazônia Legal, oferecendo apoio técnico aos municípios na execução das ações do Selo UNICEF e contribuindo para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à infância e adolescência na região.