Adolescentes indígenas usam tecnologia para eternizar a cura por meio da natureza
Estudantes da Escola Estadual Indígena Antonio Saymã, em Uiramutã, Roraima, transformam saberes dos anciãos em vídeos, unindo tradição indígena e inovação digital
“A medicina tradicional sempre esteve presente na minha vida. Quando tenho cólica, tomo chá de camomila, que aprendi sobre os benefícios com minha mãe”, conta Ester Lima, de 15 anos. Ao lado dos colegas Wendel Silva e Ryane Leite, ambos também com 15 anos, a adolescente integrou um projeto de horta medicinal na Escola Estadual Indígena Antonio Saymã. Criado para atender à comunidade e resgatar o uso de plantas como fonte de cura, o projeto passou a enfrentar um desafio após sua conclusão: como incentivar o cuidado contínuo e o uso das ervas medicinais em um contexto em que os saberes ancestrais estavam se perdendo? A resposta começou a se desenhar com a chegada do projeto Territórios Conectados, iniciativa do UNICEF.
Com a conectividade oferecida pelo projeto, a escola passou a contar com internet, além do suporte necessário para desenvolver práticas pedagógicas inovadoras, e fortalecer o aprendizado e as competências digitais de toda a comunidade escolar. Motivados por esse novo cenário, os adolescentes se uniram às professoras Lidiane Ribeiro e Nazione da Silva para usar a tecnologia como ferramenta de registro, valorização e preservação dos conhecimentos tradicionais e memórias da comunidade. Dessa união, nasceu a iniciativa “Horta Medicinal: Preservação dos saberes indígenas Macuxi”, uma série de vídeos dedicada a transmitir os conhecimentos ancestrais para a presente e as futuras gerações.
Para isso, alunos e professores receberam formações sobre comunicação e ativismo, além de aprenderem a utilizar novas tecnologias e a potencializar a educação a partir delas. Depois de adquirirem os conhecimentos básicos necessários, foi hora de falar diretamente com as fontes de todos os saberes: os vovôs e vovós, como carinhosamente são chamados os anciões da comunidade.
Os adolescentes acompanharam de perto os relatos de cada ancião, registrando as histórias em tablets e por meio de vídeos didáticos. “Para mim, é marcante integrar um projeto que valoriza o que herdei da minha mãe e me permite levar esse aprendizado para além da comunidade”, explica Wendel Silva. Enfermeira da região, a mãe do adolescente foi uma das responsáveis por fortalecer, localmente, o conhecimento sobre o uso de ervas medicinais.
Todo conhecimento tradicional, que antes era transmitido pela oralidade entre as gerações, ganhou um novo jeito de expressão e agora também está nas redes sociais. “É tudo muito novo para a gente. Mexer no tablet, usar programas de edição de vídeo, redes sociais, fazer pesquisa. Eu achei tudo muito interessante”, destaca Ryane Leite.
“O projeto trouxe tecnologia para a nossa escola, fortaleceu o conhecimento e o aprendizado, de forma que nós pudéssemos preservar os nossos saberes indígenas Macuxi, que é a nossa horta medicinal”, destaca a professora Nazione da Silva.
Sobre a iniciativa Territórios Conectados
O UNICEF atua no Brasil para fortalecer o direito de cada menina e cada menino estar na escola, aprendendo. Esse pleno desenvolvimento exige o acesso à conectividade e a uma educação integral que considere e integre as novas tecnologias da informação e comunicação (TICs). Desde 2021, com o projeto #TerritóriosConectados, o UNICEF tem atuado em parceria com organizações da sociedade civil em diferentes regiões do Brasil para ampliar a conectividade de escolas públicas e, ao mesmo tempo, fortalecer a cultura digital e práticas de educação de qualidade baseadas no uso das TICs.
No Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Maranhão e em Roraima, a iniciativa conta com o apoio da empresa francesa VINCI Energies* por meio de uma parceria de longo prazo. Nesses estados, o projeto é desenvolvido em parceria com a organização Casa da Árvore. Em Roraima, tem apoio institucional da Secretaria de Educação e Desporto do Estado de Roraima (SEED), Centro Estadual de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima (CEFORR), Organização dos Professores Indígenas de Roraima (OPIRR) e a Associação dos Povos Indígenas da Terra São Marcos (APITSM).
Para ações gerais de Educação, temos a parceria estratégica de TP, parceria da Fundação Itaú e o apoio de FTD Educação. Além disso, o UNICEF tem XBRI Pneus como parceira estratégica para toda sua atuação no Brasil.
*O UNICEF não endossa nenhuma empresa, marca, produto ou serviço.