Cyberbullying: O que é e como pará-lo

10 coisas que adolescentes querem saber sobre cyberbullying

UNICEF/BRZ/Ueslei Marcelino

O que é cyberbullying?

Cyberbullying é o bullying realizado por meio das tecnologias digitais. Pode ocorrer nas mídias sociais, plataformas de mensagens, plataformas de jogos e celulares. É o comportamento repetido, com intuito de assustar, enfurecer ou envergonhar aqueles que são vítimas. Exemplos incluem:

  • espalhar mentiras ou compartilhar fotos constrangedoras de alguém nas mídias sociais;
  • enviar mensagens ou ameaças que humilham pelas plataformas de mensagens;
  • se passar por outra pessoa e enviar mensagens maldosas aos outros em seu nome.

O bullying presencial e o virtual acontecem lado a lado com frequência. Porém, o cyberbullying deixa um rastro digital – um registro que pode se tornar útil e fornecer indícios para ajudar a dar fim ao abuso.

“O que você gostaria de saber sobre o cyberbullying?” Colocamos essa pergunta para os adolescentes e jovens e recebemos milhares de respostas de todo o mundo.

Nós reunimos profissionais do UNICEF, especialistas internacionais em cyberbullying (bullying virtual) e proteção infantil, para responder as perguntas e aconselhar os mais jovens sobre como se deve lidar com o cyberbullying.

UNICEF/BRZ/Rayssa Coe
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1. Estou sofrendo bullying online? Como saber a diferença entre brincadeira e bullying?

Todos os amigos zoam uns dos outros, mas às vezes é difícil dizer se alguém está apenas se divertindo ou se está tentando magoar você, principalmente online. Às vezes eles riem e dizem coisas do tipo “estava só brincando” ou “não leve isso tão a sério”.

Mas se você se magoa ou acha que os outros estão rindo de você, em vez de com você, é sinal de que a brincadeira já foi longe demais. Se permanecer assim mesmo depois de você pedir à pessoa que pare e se você continuar se sentindo mal com isso, então pode ser bullying.

E quando o bullying acontece online, pode resultar na atenção indesejada de uma grande variedade de pessoas, incluindo desconhecidos. Sempre que isso ocorrer, se você não estiver satisfeito com a situação, você não tem que tolerar isso.

Chame do que quiser – se você estiver sentindo-se mal e isso não tiver fim, então vale a pena pedir ajuda. Acabar com o cyberbullying não é apenas denunciar os agressores, é também reconhecer que todos merecem respeito – online e na vida real.

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2. Quais são os efeitos do cyberbullying?

Quando o bullying ocorre online, pode parecer que você está sendo atacado por todos os lados, inclusive dentro da sua própria casa. Parece que não há como escapar. Os efeitos podem ser duradouros e afetam uma pessoa de muitas maneiras:

  • Mentalmente — sente-se chateada, constrangida, incapaz, até mesmo com raiva
  • Emocionalmente — sente-se envergonhada ou perde o interesse pelas coisas que ama
  • Fisicamente — sente-se cansada (ou perde o sono), ou tem sintomas como dor de barriga e de cabeça

O sentimento de ser zombado ou assediado pelos outros pode impedir que as pessoas se manifestem ou tentem lidar com o problema. Em casos extremos, o cyberbullying pode levar as pessoas ao suicídio.

O cyberbullying pode nos afetar de várias formas. Mas essas podem ser superadas e as pessoas podem recuperar a sua confiança e a sua saúde.

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3. Com quem devo falar se sofro bullying online? Por que denunciar é importante?

Se você acha que está sofrendo bullying, o primeiro passo é procurar ajuda de alguém em que você confie, como seus pais, um familiar próximo, ou algum outro adulto confiável.

Na sua escola, você pode procurar um conselheiro, um treinador, ou sua professora ou seu professor preferido.

E caso não esteja confortável em conversar com alguém que conheça, procure um serviço de ajuda no seu país para conversar com um orientador profissional.

Se o bullying está acontecendo em uma rede social, pense na possibilidade de bloquear o agressor e denuncie formalmente o comportamento na própria plataforma. Empresas de mídias sociais são obrigadas a manter seus usuários seguros.

Pode ser útil coletar evidências – tais como mensagens e capturas de tela das publicações nas mídias sociais – para provar o que está ocorrendo.

Para que o bullying acabe, é necessário que ele seja identificado, e denunciar é a chave para isso. Também pode ajudar mostrar ao agressor que o comportamento dele é inaceitável.

Caso esteja em perigo iminente, então você deve procurar uma autoridade policial ou outro serviço de emergência no seu país.

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4. Estou sofrendo cyberbullying, mas tenho medo de conversar com meus pais sobre isso. Como devo tratar o assunto com eles?

Se você está sofrendo cyberbullying, conversar com um adulto confiável – alguém com quem você se sinta seguro – é um dos primeiros passos mais importantes a dar.  

Conversar com os pais não é fácil para todo mundo. Mas há coisas que podem ajudar você na conversa. Escolha uma hora que você saiba que eles têm a sua total atenção. Explique quão sério é o problema para você. Lembre-se, eles podem não estar tão habituados a tecnologia quanto você, então, talvez você deva ajudá-los a entender o que está acontecendo.

Talvez eles não tenham uma reposta pronta para você, mas eles provavelmente vão ajudá-lo e juntos vocês podem encontrar uma solução. Duas cabeças pensam melhor do que uma! Se você ainda estiver inseguro sobre o que fazer, considere buscar a ajuda de outras pessoas em quem você confia. Geralmente, há mais pessoas que se importam com você e estão dispostas a ajudá-lo do que você imagina!

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5. Como posso ajudar meus amigos a denunciar um caso de cyberbullying, principalmente se eles não quiserem fazer isso?

Qualquer um pode ser vítima de cyberbullying. Se você vir isso acontecendo com alguém que você conheça, tente oferecer ajuda.

É importante que você ouça o seu amigo. Por que ele não quer denunciar o cyberbullying? Como ele está se sentindo? Deixe-o saber que ele não tem que denunciar nada formalmente, mas é essencial que converse com alguém que posso ajudá-lo.

Lembre-se, o seu amigo pode estar fragilizado. Seja gentil com ele. Ajude-o a pensar no que ele realmente quer dizer e para quem. Ofereça-se para acompanhá-lo caso ele decida fazer a denúncia. Mais importante, lembre-o de que vocês estão juntos e você quer ajudá-lo.

Se, mesmo assim, o seu amigo não quiser prosseguir com a denúncia, motive-o a encontrar um adulto de confiança que possa ajudá-lo a lidar com a situação. Lembre-se de que em certos casos as consequências do cyberbullying podem ser uma ameaça à vida.

Não fazer nada pode deixar a pessoa com o sentimento de que todos estão contra ela e que ninguém se importa. As suas palavras podem fazer a diferença.

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6. Estar conectado me dá acesso a muitas informações; no entanto, também significa que estou vulnerável ao abuso. Como impedimos o cyberbullying sem desistir do acesso à internet?

Estar conectado traz muitos benefícios. No entanto, como muitas coisas na vida, traz consigo os riscos dos quais precisamos nos proteger.

Caso sofra cyberbullying, você talvez queira deletar certos aplicativos ou se desconectar por um tempo para poder se recuperar. Mas desconectar-se da internet não é uma solução a longo prazo. Você não fez nada de errado, então por que deveria ser prejudicado? Pode até enviar o sinal errado aos agressores — encorajando o seu comportamento inadequado.

Todos nós queremos que o cyberbullying termine, por isso é tão importante denunciá-lo. Mas criar a internet que almejamos vai além de desafiar o bullying. Precisamos ser cuidadosos sobre o que compartilhamos e dizemos para não magoar os outros. Nós precisamos ser gentis uns com os outros na internet e na vida real. Isso depende de todos nós! 

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7. Como eu evito que minhas informações pessoais sejam utilizadas para me manipular ou me humilhar nas mídias sociais? 

Pense duas vezes antes de publicar ou compartilhar alguma coisa na internet – isso pode continuar lá para sempre e ser usado contra você mais tarde. Não forneça detalhes pessoais, tais como o seu endereço, o seu número de telefone ou o nome da sua escola.

Aprenda sobre as configurações de privacidade dos seus aplicativos favoritos de mídias sociais. Aqui estão algumas ações que você pode tomar em muitos deles:

  • Você pode escolher quem pode ver o seu perfil, lhe enviar mensagens diretamente ou comentar nas suas publicações.
  • Você pode denunciar comentários, mensagens e fotos maldosas e solicitar para que sejam removidos.
  • Além de desfazer a amizade, você pode bloquear completamente a pessoa, que, então, não vai mais poder ver o seu perfil ou contatá-lo.
  • Você também pode escolher que os comentários de certas pessoas apareçam apenas para elas, sem bloqueá-las completamente.
  • Você pode apagar as publicações do seu perfil, ou escondê-las de pessoas específicas.

Na maioria das redes sociais, as pessoas não são notificadas quando são bloqueadas, restritas ou denunciadas.

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8. Existe punição para o cyberbullying?

A maioria das escolas leva o bullying muito a sério e tomará alguma atitude a respeito. Se você está sendo intimidado virtualmente por outros estudantes, avise a sua escola.

Pessoas que são vítimas de qualquer forma de violência, incluindo bullying e cyberbullying, têm direito à justiça, e os agressores devem ser responsabilizados.

Leis contra o bullying, em particular sobre cyberbullying, são relativamente novas e não existem em todos os lugares. É por isso que vários países se apoiam em outras leis relevantes, tais como as que protegem contra o assédio, para punir os agressores virtuais.

Em países com leis específicas sobre cyberbullying, o comportamento online que intencionalmente provoca problemas emocionais é visto como uma atividade criminosa. Em alguns desses países, vítimas de cyberbullying podem procurar proteção, proibir a comunicação de uma pessoa específica e restringir o uso de aparelhos eletrônicos pelo agressor, temporariamente ou permanentemente.

No entanto, é importante lembrar que a punição nem sempre é a forma mais efetiva de mudar o comportamento dos agressores. Muitas vezes é necessário focar em consertar o dano e conciliar o relacionamento.

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9. As empresas de internet não parecem se importar com bullying e assédio online. Elas estão sendo responsabilizadas?

As empresas de internet estão, cada vez mais, prestando atenção à questão do bullying online.

Muitas estão introduzindo maneiras de lidar com isso e melhor protegendo os seus usuários com novas ferramentas, guias e formas de denunciar o abuso online.

Mas a verdade é que precisam fazer mais. Muitos adolescentes e jovens sofrem cyberbullying todos os dias. Alguns lidam com formas extremas de abuso online. Alguns tiram a própria vida como resultado.

Empresas de tecnologia têm a responsabilidade de proteger o usuário, principalmente as crianças, os adolescentes e os jovens.

Depende de todos nós cobrarmos das empresas quando elas não correspondem a essa responsabilidade.

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10. Existem ferramentas online contra o bullying para crianças, adolescentes ou jovens?

Cada rede social oferece diferentes ferramentas (veja-as logo abaixo) que permitem que você restrinja quem pode comentar ou ver as suas publicações, ou quem pode se conectar automaticamente com você como um amigo, além de denunciar casos de bullying. Muitas dessas ferramentas envolvem passos simples para bloquear, silenciar ou denunciar cyberbullying. Nós encorajamos você a explorá-las.

Empresas de mídias sociais também fornecem ferramentas educativas e guias para crianças, pais e professores que ensinam sobre os riscos e as formas de se estar seguro online.

Além disso, a primeira linha de defesa contra o cyberbullying pode ser você. Pense onde o cyberbullying acontece na sua comunidade e nas maneiras como você pode ajudar – seja levantando a sua voz, desafiando os agressores, conversando com um adulto confiável, ou criando consciência sobre o problema. Até mesmo o menor ato de gentileza pode gerar um grande impacto.

Se você está preocupado com a sua segurança ou com algo que tenha acontecido com você online, procure conversar urgentemente com um adulto em que você confie. Ou visite o site da Safernet para encontrar ajuda. Vários países possuem um serviço de ajuda para o qual você pode ligar gratuitamente para conversar com alguém de forma anônima (Child Helpline International).

Contribuições dos especialistas: Sonia Livingstone, OBE, professora de psicologia social, Departmento de Mídia e Comunicação, London School of Economics; e Amanda Third, professora e bolsista de pesquisa professoral, Instituto para Cultura e Sociedade, Western Sydney University.

Contribuições do UNICEF: Alix Cabral, Anjan Bose, Clarice da Silva e Paula, Daniel Kardefelt Winther, Emma Ferguson, Mercy Agbai, Michael Sidwell, Nelson Leoni, Nicole Foster, Rocio Aznar Daban, Siobhan Devine, Stephen Blight e Supreet Mahanti.

Recursos

UNICEF/BRZ/Taciano Brito

Denúncia de abuso e recursos de segurança