UNICEF orienta famílias sobre como proteger crianças e adolescentes da fumaça no Amazonas
Diante das queimadas e da estiagem, organização reúne recomendações para mães, pais e cuidadores reduzirem a exposição à fumaça e os riscos à saúde de meninas e meninos. Condições do ar podem causar doenças respiratórias graves
Manaus, 23 de outubro de 2026 – Nesse mês de outubro, a fumaça das queimadas e a estiagem voltam a afetar os direitos de crianças e adolescentes no Amazonas, que registrou nas últimas duas semanas a pior qualidade do ar do país, segundo o Índice de qualidade do Ar (AQI). Diante desse cenário, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) reúne orientações para famílias e cuidadores sobre como proteger crianças e adolescentes e alerta para os efeitos da fumaça aliada à seca na saúde, no acesso à água potável, na alimentação adequada e na continuidade da educação de todos as crianças e adolescentes, com um foco nas comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas e periféricas, que são expostas a uma maior vulnerabilidade.
Em setembro deste ano, o Amazonas registrou muitos incêndios florestais, favorecidos por um tempo muito mais seco que a normalidade. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa), houve um aumento de 10,5% nos atendimentos por doenças respiratórias na rede municipal de saúde entre agosto e setembro. A exposição à fumaça agrava doenças respiratórias, como asma, pneumonia e bronquiolite, e afeta principalmente crianças pequenas. Já a escassez de água pode levar ao consumo de água de qualidade inadequada, aumentando o risco de doenças de transmissão hídrica, como diarreias e hepatite A, além de comprometer a higiene e ampliar o risco de desnutrição.
“Não existe nível seguro de exposição à fumaça às crianças. A inalação de poluentes pode agravar doenças respiratórias e provocar crises graves. As queimadas precisam ser controladas para que crianças possam voltar a frequentar a escola, ficar ao ar livre e crescer em ambientes saudáveis e seguros”, afirma Gregory Bulit, chefe do Programa de Água, Saneamento e Higiene, Clima, Meio Ambiente e Desastres do UNICEF no Brasil.
A situação das queimadas e fumaça levou a Prefeitura de Manaus a suspender as aulas presenciais da rede municipal de ensino para proteger a saúde dos estudantes e profissionais da educação. Segundo a prefeitura, a fumaça que atinge a capital é proveniente de queimadas em municípios do interior do Amazonas, principalmente nas regiões leste e metropolitana, além de outros estados. A interrupção das aulas afeta a aprendizagem e, para muitos estudantes, o acesso a uma refeição diária.
Para reduzir esses riscos, o UNICEF recomenda que mães, pais e cuidadores adotem medidas para diminuir a exposição de crianças e adolescentes à fumaça, manter a hidratação e identificar sinais de que é necessário buscar atendimento de saúde. Confira os principais cuidados:
O que famílias e cuidadores podem fazer?
- Em dias de fumaça intensa, evitar que crianças e adolescentes fiquem ao ar livre e manter um "espaço limpo" em casa, com portas e janelas fechadas.
- Manter as crianças hidratadas e, para as maiores de 2 anos, considerar o uso de máscara (preferencialmente 95, PFF2 ou P100) no trajeto escolar ou outras atividades ao ar livre.
- Em caso de ardência ou coceira, lavar nariz e olhos com soro fisiológico.
- Famílias de crianças com asma ou outras doenças respiratórias devem ter medicamentos disponíveis em casa.
- Procurar a unidade de saúde mais próxima diante de tosse persistente, dificuldade para respirar, febre alta, vômitos, diarreia ou sinais de desidratação, como boca seca.
- Higienizar regularmente os recipientes de água e lavar frutas, verduras e legumes em água corrente, deixando-os de molho por 15 minutos em solução de hipoclorito de sódio 2,5% (uma colher de sopa para cada litros de água).
- O UNICEF destaca a importância da captação de água da chuva para quem não tem acesso regular ao abastecimento. Como essa água pode ser contaminada ao entrar em contato com o telhado, é fundamental seguir as orientações para o tratamento da água em casa apresentadas abaixo.
- Em situações de escassez de água, quando for necessário recorrer a fontes alternativas não seguras, é fundamental realizar o tratamento da água antes do consumo. Siga os seguintes passos:
- Filtre ou coe a água com filtro doméstico, coador de papel ou pano limpo.
- Desinfete com hipoclorito de sódio a 2,5%: adicione duas gotas por litro de água, misture bem e aguarde 30 minutos antes de consumir. O hipoclorito pode ser obtido nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
- Na ausência de hipoclorito, ferva a água por cinco minutos, contados a partir do início da fervura.
Ações do UNICEF e parceiros
Nos últimos anos, o UNICEF tem atuado para apoiar agentes comunitários e indígenas de saúde para reconhecer agravos de saúde em crianças, garantir a vigilância nutricional das crianças com ferramentas adaptadas e encaminhar para tratamento as crianças com desnutrição aguda, construir cisternas de captação de água de chuva, distribuir filtros de cerâmica bombas de água movidas a energia solar e equipamentos de aprofundamento de poços cacimba.
As ações foram implementadas em parceria com a ADRA Brasil, Cáritas Suíça e o Instituto Amazônia Açu, em coordenação com a SESAI, o Governo do Amazonas, prefeituras e organizações indígenas. Os projetos têm o financiamento da União Europeia por meio do Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária (ECHO).
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Sobre o UNICEF
O UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, trabalha para proteger os direitos de cada criança e adolescente, em todos os lugares, especialmente os mais vulneráveis, nos locais mais remotos. Em mais de 190 países e territórios, fazemos o que for preciso para ajudar crianças e adolescentes a sobreviver, prosperar e alcançar seu pleno potencial. Em 2025, o UNICEF comemora 75 anos no Brasil.
O trabalho do UNICEF é financiado inteiramente por contribuições voluntárias.
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