Uma abordagem global é a única maneira de combater a Covid-19, diz a ONU ao lançar o plano de resposta humanitária

Plano Global de Resposta Humanitária à Covid-19

25 março 2020
uma menina lava as mãos em uma bica que tem o logo do UNICEF. ela olha para a câmera sorrindo
UNICEF/UNI313259/Matas
  • O chefe humanitário da ONU adverte que falhar na ajuda aos países vulneráveis no combate ao coronavírus agora pode colocar milhões em risco e deixar o vírus livre para dar a volta ao mundo.
  • ONU lança resposta humanitária global de US$ 2 bilhões para combater o Covid-19 em 51 países da América do Sul, da África, do Oriente Médio e da Ásia.
  • Governos instados a se comprometer a apoiar totalmente o Plano Global de Resposta Humanitária, enquanto mantêm o financiamento dos recursos humanitários existentes.

Nova Iorque, 25 de março de 2020 – O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou hoje (quarta-feira 25 de março) um plano coordenado global de resposta humanitária de US$ 2 bilhões para combater a Covid-19 em alguns dos países mais vulneráveis do mundo, em uma tentativa de proteger milhões de pessoas e impedir que o vírus dê a volta ao mundo.

A Covid-19 matou mais de 16 mil pessoas em todo o mundo e existem quase 400 mil casos relatados. Ela tem presença em todo o mundo e agora está alcançando países que já estavam enfrentando crises humanitárias por causa de conflitos, desastres naturais e mudanças climáticas.

O plano de resposta será implementado pelas agências da ONU, com ONGs internacionais e consórcios de ONGs desempenhando um papel direto na resposta. Essa resposta vai:

  • fornecer equipamento de laboratório essencial para testar o vírus e suprimentos médicos para tratar pessoas;
  • instalar estações de lavagem de mãos em acampamentos e assentamentos;
  • lançar campanhas de informação pública sobre como proteger a si e aos outros do vírus; e
  • estabelecer pontes e hubs aéreos em toda a África, Ásia e América Latina para levar trabalhadores humanitários e suprimentos aonde quer que eles sejam mais necessários.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse:

“A Covid-19 está ameaçando toda a humanidade – e, portanto, toda a humanidade deve reagir. As respostas individuais de cada país não serão suficientes.

Precisamos ajudar os ultra-vulneráveis – milhões e milhões de pessoas que são menos capazes de se proteger. Essa é uma questão de solidariedade humana básica. Também é crucial para combater o vírus. Este é o momento de avançar pelos vulneráveis.”

O secretário-geral adjunto da ONU para assuntos humanitários, Mark Lowcock, disse:

 “A Covid-19 já virou de cabeça para baixo a vida em alguns dos países mais ricos do mundo. Agora está chegando a lugares onde as pessoas vivem em zonas de guerra, não podem acessar facilmente água potável e sabão e não têm esperança de uma cama de hospital se ficarem gravemente doentes.

Deixar os países mais pobres e vulneráveis do mundo à sua sorte seria cruel e imprudente. Se deixarmos o coronavírus se espalhar livremente nesses lugares, estaremos colocando milhões em alto risco, regiões inteiras serão levadas ao caos e o vírus terá a oportunidade de dar a volta ao mundo.

Países que lutam contra a pandemia em casa estão priorizando com razão as pessoas que vivem em suas próprias comunidades. Mas a dura verdade é que eles não conseguirão proteger seu próprio povo se não agirem agora para ajudar os países mais pobres a se protegerem.

Nossa prioridade é ajudar esses países para que se preparem e continuar ajudando os milhões que dependem da assistência humanitária da ONU para sobreviver. Financiado adequadamente, nosso esforço de resposta global fornecerá às organizações humanitárias as ferramentas para combater o vírus, salvar vidas e ajudar a conter a disseminação da Covid-19 em todo o mundo.”

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse:

“O vírus agora está se espalhando em países com sistemas de saúde fracos, incluindo alguns que já estão enfrentando crises humanitárias. Esses países precisam do nosso apoio – por solidariedade, mas também para proteger todos nós e ajudar a suprimir essa pandemia. Ao mesmo tempo, não devemos combater a pandemia às custas de outras emergências de saúde humanitária.”

A diretora executiva do UNICEF, Henrietta H. Fore, disse:

“As crianças são as vítimas ocultas da pandemia de Covid-19. Os isolamentos sociais e o fechamento das escolas estão afetando sua educação, saúde mental e acesso a serviços básicos de saúde. Os riscos de exploração e abuso são maiores do que nunca, para meninos e meninas. Para crianças em movimento ou vivendo em conflitos, as consequências serão diferentes das que já vimos. Não devemos decepcioná-los.”

No lançamento virtual do Plano Global de Resposta Humanitária à Covid-19, o secretário-geral da ONU esteve acompanhado por um link de vídeo por Lowcock, Tedros e Fore.

Juntos, eles instaram os Estados membros da ONU a que se comprometam a restringir o impacto da Covid-19 em países vulneráveis e a conter o vírus globalmente, dando o maior apoio possível ao plano, além de sustentar o apoio central aos apelos humanitários existentes que ajudam mais de milhões de pessoas que já contam com assistência humanitária da ONU apenas para sobreviver.

Os Estados membros foram alertados de que qualquer desvio de financiamento das operações humanitárias existentes criaria um ambiente no qual a cólera, o sarampo e a meningite poderiam prosperar, no qual ainda mais crianças ficariam desnutridas e no qual os extremistas poderiam assumir o controle – um ambiente que seria o terreno fértil perfeito para o coronavírus.

Para iniciar o plano de resposta, Lowcock liberou US$ 60 milhões adicionais do Fundo Central de Resposta de Emergência (Cerf) da ONU. Isso eleva o apoio do Cerf à ação humanitária em resposta à pandemia de Covid-19 para US$ 75 milhões. Além disso, os fundos agrupados com base no país destinaram mais de US$ 3 milhões até agora.

Essa nova alocação do Cerf – uma das maiores já realizadas – apoiará: o PMA para garantir a continuidade das cadeias de suprimentos e o transporte de trabalhadores humanitários e bens de socorro; a OMS para conter a propagação da pandemia; e outras agências para fornecer assistência humanitária e proteção às pessoas mais afetadas pela pandemia, incluindo mulheres e meninas, refugiados e pessoas deslocadas internamente. O apoio incluirá esforços em torno da segurança alimentar, saúde física e mental, água e saneamento, nutrição e proteção.

Notas para os editores:

  1.  O Plano Global de Resposta Humanitária à Covid-19 pode ser encontrado aqui: [disponível somente em inglês]
  2. O Plano Global de Resposta Humanitária à Covid-19 será coordenado pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha).
  3. O Plano agrupa requerimentos da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o UN-Habitat, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

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