Mulheres Angolanas na Luta Contra a Violência Baseada no Género.
O olhar de 4 jovens sobre os desafios da violência de género em Angola.
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A estatísticas dão conta que quase 34% das mulheres já foram sobreviventes de violência ao longo da vida. Essa realidade, dura e muitas vezes invisível, é o pano de fundo para os 16 dias de activismo, uma campanha global que, ocorre entre 25 de novembro e 10 de dezembro, se transformam numa ferramenta essencial de luta contra a violência baseada no género e de defesa dos direitos das crianças.
A violência contra mulheres raparigas e crianças em Angola é alarmante. Muitas meninas e mães adolescentes são sobreviventes de abusos físicos, emocionais e sexuais, perpetrados tanto no seio familiar como na sociedade em geral. Para as mães raparigas, a situação é ainda mais desafiadora. Estas jovens, frequentemente marginalizadas, enfrentam responsabilidades precoces, exclusão social e económica e, em muitos casos, uma carência profunda de apoio psicológico e institucional.
A violência contra a mãe não afecta apenas a sobrevivente directa, também tem tido repercussão significativas para os filhos e filhas, influenciando o seu desenvolvimento comportamental e emocional.
Para Lúcia David, activista social, situações do género geram traumas, agressividade complexos de inferioridade e dificuldades de relacionamento. Compartilhando a sua experiência, Lúcia revela que cresceu num ambiente violento, onde teve que assumir responsabilidades precoces, mas encontrou nos estudos forças para mudar a sua realidade.
Quando questionada sobre o que pode ser feito para proteger mães sobreviventes da violência de género, Lúcia, sugeriu a criação de grupos escolares e religiosos de apoio social, assim como a promoção do diálogo nas famílias.
Marcela Mateus, estudante de Direito e membro do colectivo feminista Unidas Somos mais Fortes, defende que “devemos primeiramente trabalhar a concepção que a sociedade tem sobre a violência de género. Nas comunidades mais periféricas, onde o problema é mais comum, ainda é visto como algo natural nos relacionamentos interpessoais. É aí que está o grande problema.”
Para a activista, é essencial mudar as mentalidades mas também fortalecer as políticas públicas e os apoios institucionais:
“Muitas mulheres não conseguem sair deste ciclo porque, muitas vezes, não têm onde recorrer. Apesar de existirem casas de abrigo, estas são pouco conhecidas e as políticas públicas ainda não são coesas. É necessário desarticular as estruturas que incentivam essa violência e criar políticas públicas eficazes,” acrescenta.
Por outro lado, Isabel Major, analista de informação e conselheira da plataforma SMS Jovem, considera que a acção mais importante para apoiar uma sobrevivente da violência é ouvir com atenção e acreditar na sua história. É essencial garantir que ela não carregue o sentimento de culpa e ajudá-la a se sentir acolhida. . “Devemos demonstrar empatia e oferecer apoio sem julgamentos, encorajar a procurar ajuda de pessoas ou organizações especializadas.” Afirmou.
Para Isabel, o mais importante é dar força à sobrevivente, e ajudá-la a recuperar a confiança, a segurança e a sensação de valorização.
O Papel dos Pais foi destacado pela jovem conselheira como sendo um aspecto fundamental na formação de jovens conscientes e no combate à violência de género pois “a falta de tempo para dialogar, pode levar os rapazes a adotar comportamentos desviantes por falta de orientação ou exemplos positivos.” Afirmou.
Os pais devem ensinar desde cedo o valor do respeito e da igualdade, mostrando que a violência nunca é uma solução: “Reservar momentos para falar sobre emoções e ajudar os filhos a lidar com raiva ou frustrações de forma saudável faz toda a diferença. O exemplo dado pelos pais em casa, por meio de atitudes justas e respeitosas, é um modelo essencial para que os filhos aprendam a tratar os outros com dignidade e respeito,” aconselhou Isabel .
Por sua vez Edna Cazengue, conselheira da plataforma SMS Jovem, acredita que os jovens são agentes de mudança e devem juntar-se a luta contra a violência baseada no género:
“Quando os jovens falam sobre este tema e mostram atitudes correctas, influenciam as pessoas à sua volta a fazerem o mesmo, desta forma ajudam não apenas combater a violência baseada no género, mas também contribuem por uma sociedade mais igualitária e humana.
Mais do que números e estatísticas, os 16 dias de activismo são sobre histórias de coragem e resiliência. Este movimento demonstra que é possível transformar vidas e comunidades por meio de ações coletivas. O empoderamento de mulheres e a criação de redes de apoio são passos importantes para romper o ciclo de violência.
Em Angola, a mensagem é clara: proteger os direitos das mulheres e das meninas não é apenas uma responsabilidade social, mas uma necessidade urgente. Cada voz que se junta a esta causa contribui para a construção de um futuro onde a violência de género seja uma lembrança do passado e não uma realidade do presente.
No âmbito dos 16 Dias de Activismo, o UNICEF veiculou campanhas para sensibilizar a sociedade angolana sobre a urgência de combater a violência baseada no género. Entre as iniciativas promovidas, destacam-se três vídeos que tiveram como objectivo informar e mobilizar a população.
OS vídeos incluíram depoimentos e mensagens de cidadãos anónimos, bem como de figuras públicas reconhecidas, como apresentadoras de televisão e influenciadoras digitais, que se uniram à causa para expandir a mensagem de igualdade e respeito. os vídeos foram divulgados nas redes sociais do UNICEF e também nos principais canais de comunicação do país, incluindo a Televisão Pública de Angola (TPA) e a TV Zimbo, reforçando o compromisso promover mudanças de comportamento e criar uma cultura de tolerância zero à violência baseada no género.