Mais de 190 técnicos reforçam resposta à desnutrição infantil no Bié.

Com apoio técnico do UNICEF e financiamento da Fundação BFA, profissionais de saúde foram capacitados para melhorar a identificação precoce e o tratamento da desnutrição infantil.

Heitor Lourenço
Mais de 190 técnicos reforçam resposta à desnutrição infantil no Bié.
UNICEF Angola/2026
16 Setembro 2026

Cuito, setembro de 2026 — Mais de 190 técnicos de saúde concluíram, na província do Bié, formações em Gestão Integrada da Desnutrição Aguda, Atenção Integrada às Doenças da Infância e gestão de dados de nutrição. A iniciativa foi promovida pelo Gabinete Provincial de Saúde, com apoio técnico do UNICEF e financiamento da Fundação BFA.

Os participantes foram capacitados em Gestão Integrada da Desnutrição Aguda (GIDA), gestão de dados de nutrição e Atenção Integrada às Doenças da Infância (AIDI). Estas competências são essenciais para que os profissionais reconheçam rapidamente os sinais de risco, prestem cuidados de acordo com protocolos actualizados e encaminhem atempadamente os casos que exigem tratamento especializado.

Na cerimónia de entrega de certificados, Frederico Brito, Chefe da Secção de Saúde e Nutrição do UNICEF Angola, defendeu que o reforço dos recursos humanos e das infra-estruturas deve estar directamente ligado à melhoria da qualidade dos serviços prestados às populações.

“Recursos humanos e infra-estruturas, sem serviços de qualidade, não resolvem os problemas reais da população. Esta formação marca uma transição para protocolos mais eficazes, capazes de contribuir para diagnósticos mais precisos e para uma recuperação mais rápida dos pacientes”, afirmou Frederico Brito.

Mais de 190 técnicos reforçam resposta à desnutrição infantil no Bié.
UNICEF Angola/2026

A formação deu também atenção ao sistema de informação em saúde. O registo rigoroso e a análise regular dos dados permitem compreender melhor os problemas, acompanhar metas e resultados e orientar os recursos para as crianças e comunidades com maiores necessidades.

Ao destacar a importância da evidência para a tomada de decisões, Frederico Brito acrescentou: “Sem sistemas de informação sólidos, podemos não estar a responder aos problemas prioritários. A evidência ajuda-nos a tomar decisões e a realizar acções com base nas necessidades reais”.

Uma parceria para transformar a vida as comunidades

Desde 2021, o UNICEF e o BFA colaboram com o Governo Provincial do Bié para melhorar a nutrição nos primeiros 1.000 dias de vida — da gravidez até aos dois anos de idade — nos municípios do Cunhinga e de Belo Horizonte. A abordagem integra o reforço dos serviços de saúde, a disponibilização de insumos nutricionais, o rastreio da desnutrição e acções comunitárias de nutrição, água, saneamento e higiene.

A formação dos profissionais constitui uma parte central deste esforço. Técnicos mais bem preparados podem identificar precocemente a desnutrição, oferecer aconselhamento às famílias, acompanhar as crianças durante o tratamento e produzir dados mais fiáveis para apoiar a planificação dos serviços.

Para Vera Neusa Dias, Administradora Executiva da Fundação BFA, a conclusão da formação representa uma conquista para os profissionais e, ao mesmo tempo, um compromisso com a melhoria dos cuidados prestados às comunidades.

Mais de 190 técnicos reforçam resposta à desnutrição infantil no Bié.
UNICEF Angola/2026

“Que os conhecimentos adquiridos se traduzam em diagnósticos mais precoces, dados mais fiáveis, decisões mais informadas e cuidados de saúde de maior qualidade. Quando capacitamos um técnico, não estamos apenas a investir num profissional; estamos a reforçar a resposta nas comunidades, a apoiar as famílias e a investir na vida, na saúde e no futuro das nossas crianças”, afirmou.

No encerramento do acto, Isaías Cambissa Sambunga, Chefe de Departamento de Saúde Pública, reconheceu a importância da parceria entre a Fundação BFA, o UNICEF e o Governo da Província do Bié, sublinhando o seu contributo para complementar as acções do Executivo angolano. 

O responsável apelou aos formandos para que partilhem os conhecimentos adquiridos com outros profissionais de saúde que não tiveram a oportunidade de participar na formação.

“Façamos uma corrente positiva para melhor servir as comunidades e melhorar os nossos indicadores”, reforçou.

Partilhar o conhecimento adquirido

Para Marina Pena, Supervisora Provincial de Nutrição do Bié, a formação trouxe ferramentas práticas para melhorar o acompanhamento dos serviços e reforçar a organização do trabalho das equipas. A responsável destacou que “os conhecimentos adquiridos irão apoiar supervisões em serviço, decisões baseadas em evidência e o fortalecimento do trabalho em equipa”.

Mais de 190 técnicos reforçam resposta à desnutrição infantil no Bié.
UNICEF Angola/2026

Segundo a supervisora, o impacto esperado passa também pela melhoria da qualidade dos cuidados prestados às crianças, adolescentes e famílias, incluindo a identificação precoce dos sinais de perigo associados às doenças infantis, através da estratégia de Atenção Integrada às Doenças da Infância.

Paulina Jamba, Supervisora Municipal de Nutrição do Município do Cuito, também destacou o valor prático da capacitação para o trabalho diário dos profissionais de saúde.

Mais de 190 técnicos reforçam resposta à desnutrição infantil no Bié.
UNICEF Angola/2026

“Esta formação foi uma experiência muito enriquecedora, pois permitiu-me adquirir conhecimentos e competências importantes na área da nutrição e saúde infantil. Aprendi a realizar correctamente a triagem activa e passiva de crianças menores de cinco anos com desnutrição, os critérios de admissão para tratamento ambulatório, os protocolos terapêuticos e os critérios de transferência para a Unidade de Nutrição Especializada”, afirmou.

A entrega dos certificados esteve inserida no programa da missão conjunta do UNICEF e da Fundação BFA à província do Bié. Durante a missão, as equipas reuniram-se com autoridades provinciais e municipais e visitaram unidades sanitárias e comunidades para acompanhar intervenções de prevenção e tratamento da desnutrição.

Durante as visitas, foi possível observar o trabalho dos profissionais de saúde, dos agentes comunitários e dos grupos de mães que promovem práticas adequadas de alimentação e higiene, realizam o rastreio activo da desnutrição e orientam as famílias para os serviços de saúde.