Angola reforça luta contra a cólera com campanha de vacinação.
Esforço conjunto entre o Governo angolano e parceiros internacionais visa conter o surto e proteger populações em risco.
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O Governo angolano deu início, na segunda-feira, 03 de Fevereiro, a uma campanha de emergência contra a cólera, visando imunizar mais de 800 mil pessoas nas áreas mais afectadas pelo surto que teve inicio em Janeiro de 2025.
O lançamento da campanha teve lugar no bairro Paraíso, município de Cacuaco, numa iniciativa, liderada pelo Ministério da Saúde, com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Banco Mundial.
“Com o objectivo de reduzir a propagação da doença e cortar a cadeia de transmissão, foram mobilizadas mais de 900 mil doses da vacina contra a cólera, provenientes do stock mundial” referiu a Ministra da Saúde Silvia Lutucuta.
A Ministra da Saúde, Silvia Lutucuta destacou durante a abertura da campanha de vacinação que “a imunização é apenas uma parte da estratégia global para conter o surto”.
A coordenadora residente do sistema das Nações Unidas em Angola, Zahira Virani, destacou na sua intervenção a importância de garantir esforços contínuos para erradicar a cólera.
“A mesma liderança e forte determinação que vimos na resposta imediata, devem agora ser aplicadas para melhorar o acesso a infraestruturas de água e saneamento por todo o país. Assim nunca mais iremos enfrentar um problema como este que é a cólera em Angola.”
A campanha mobilizou cerca de 700 equipas móveis e pretende alcançar mais de 800 mil pessoas. A vacinação será realizada em postos fixos instalados em unidades sanitárias, igrejas, mercados e escolas. Além disso, equipas móveis percorrerão os bairros, vacinando de porta em porta para garantir que todos sejam imunizados.
Segundo José Chivale, coordenador da vacinação e poliomielite na OMS, a vacina foi destinada às zonas de maior risco, como Cacuaco, Sequele e Dande. No entanto, o coordenador reforçou que a vacinação é apenas uma parte da solução.
“A vacina é um componente essencial, mas devemos continuar a apostar na prevenção e no acesso a água potável, nenhuma vacina é 100% eficaz porém espera-se é que depois da campanha o número de casos possa reduzir.”
Ângelo Role, presidente do conselho de moradores do bairro, assegurou que resposta da população tem sido positiva. Garantiu que os moradores da sua zona foram alertados sobre a importância da vacinação e estão a aderir significativamente aos postos de vacinação.
“Temos cinco equipas em cada quarteirão, e o número de vacinados já ultrapassou 300 cidadãos. As mães têm trazido as crianças aos postos fixos, e os vacinadores passam de porta em porta para que a vacina chegue até aos lugares mais distantes e também a aqueles que não conseguem se deslocar até aos postos.”
Natália Francisco, moradora do bairro Belo Monte, elogiou a iniciativa. “É para o nosso bem, principalmente das crianças. Devemos aderir para não sermos afectados e eliminar a doença do nosso bairro.”
Para a moradora, a mobilização comunitária tem sido essencial para incentivar mais pessoas a vacinarem-se.
“Graças a informação dos mobilizadores eu consegui avisar a minha família e incentivá-los a aderir a campanha, e também aprendi sobre os cuidados a ter para evitar a doença.”
A campanha de vacinação contra a cólera mais do que uma resposta de emergência, representa um marco na luta por melhorias na saúde pública e pela dignidade das comunidades afectadas. No entanto, para que esta acção tenha um impacto duradouro, recomenda-se que seja acompanhada de medidas estruturais, como o reforço do abastecimento de água potável, o saneamento adequado e a educação para a prevenção.
Desde o início do surto que já levou 77 pessoas a morte o UNICEF, em coordenação com outros parceiros têm apoiado Angola com financiamento, reforço da capacidade dos profissionais de saúde, fornecimento de materiais de biossegurança e mobilização comunitária. Com objectivo de garantir que a resposta à crise seja rápida, eficaz e coordenada, protegendo a população e prevenindo novos surtos no futuro.
O surto de cólera em Angola mostrou a urgência de investir em infra-estruturas essenciais e em sistemas de saúde mais firmes. Mas a verdadeira erradicação da cólera só será possível com um compromisso contínuo, que garanta não apenas o controlo da doença, mas a sua prevenção a longo prazo.