Vozes dos jovens na linha da frente: Relatos do impacto do ciclone Chido nas suas comunidades
Jovens e adolescentes tornam-se protagonistas na promoção de mudanças sociais e ambientais nas comunidades de Cabo Delgado.
Introdução
O UNICEF tem desempenhado um papel crucial no empoderamento de adolescentes e jovens em Moçambique, co-criando espaços seguros e inclusivos para que as suas vozes sejam ouvidas, e estejam significativamente envolvidos no desenvolvimento das suas comunidades e do país.
Desde a criação da primeira plataforma de participação de adolescentes e jovens em 2022 até então, um total de 5 foram estabelecidas pelo UNICEF, em parceria com a Rádio Moçambique e outros membros da Plataforma como a Televisão de Moçambique, a Coalisão da Juventude e o Parlamento Infantil, tem apoiado e promovido o envolvimento significativo de adolescentes e jovens.
Como resultado, estes mesmos jovens foram capacitados para organizar campanhas de advocacia, produzir programas de rádio e televisão, mobilizar seus pares nas escolas, nas redes sociais e nas comunidades sobre questões relacionadas aos direitos das crianças, de modo a incentivar instituições e comunidades a reconhecerem e valorizarem suas perspectivas.
Este apoio contínuo transformou os jovens em protagonistas na promoção de mudanças sociais e ambientais nas suas comunidades.
História da Zena Ali
Bairro Chuiba, Pemba - "Perdemos a nossa casa e muitas famílias da comunidade ficaram sem abrigo." As ruas ficaram destruídas, e muitas pessoas perderam seus bens, conta Zena Ali, uma adolescente que este ano passa a frequentar a 8.ª classe na Cidade de Pemba, na Província de Cabo Delgado.
Antes do ciclone, Zena passava parte dos dias a estudar e, nos tempos livres, brincava com seus amigos. Gostava especialmente de jogar "arede" (jogo com três pessoas sendo que uma enche a garrafa com areia enquanto as outras tentam acertá-la com a bola) e outras brincadeiras que traziam alegria e faziam esquecer as preocupações. Mas depois do ciclone, tudo mudou drasticamente.
"A nossa escola, que antes tinha carteiras e telhado, já não é a mesma. Agora, aprender tornou-se mais difícil”.
Zena teve sorte de não perder seu material escolar, mas muitas outras crianças não tiveram a mesma sorte. "Algumas perderam tudo e não sabem como vão continuar a estudar." Apesar das adversidades, Zena está determinada a recomeçar e tem muita vontade de continuar seus estudos.
Para este ano, Zena espera ter cadernos e todo o material necessário para aprender melhor. "Também gostaria que a escola fosse reconstruída para podermos estudar num ambiente melhor e mais seguro." Zena gostaria de receber uma pasta, cadernos e canetas para acompanhar as aulas sem dificuldades.
"O ciclone trouxe muitas mudanças, mas não destruiu a minha vontade de aprender." Zena acredita que, com apoio e esperança, ela e sua comunidade conseguirão superar esta fase difícil.
História da Cátia Biche
Bairro Metula, Pemba - "O ciclone chegou à meia-noite, as chapas da casa voaram como se fossem folhas de papel. Em questão de minutos, tudo foi destruído. Agarramos as crianças e poucos bens que conseguimos carregar e corremos para a casa vizinha, buscando abrigo e segurança,” conta Cátia Biche, uma encarregada de educação, no Bairro Metula, na Cidade de Pemba, na província de Cabo Delgado.
A tempestade na comunidade de Cátia finalmente se acalmou por volta das sete horas da manhã. "Exaustos, mas aliviados por estarmos vivos, começamos a carregar os nossos bens de volta para casa." O cenário na comunidade de Cátia era desolador: roupas estragadas, chapas retorcidas e objectos espalhados por todos os lados.
"Alguns jovens da comunidade vieram nos ajudar a construir um alpendre improvisado, onde ficamos com as crianças. Apesar da boa vontade, a ajuda foi limitada." As crianças de Cátia ainda não foram matriculadas na escola, não têm uniforme escolar e, muitas vezes, falta-lhes acesso a alimentos. "O início do ano lectivo se aproxima, mas não temos condições de comprar cadernos ou materiais escolares. Estamos a espera de ser apoiados para que as crianças possam estudar," diz Cátia.
Cátia e sua família agora precisam de apoio para reconstruir nossa casa.
História do Osvaldo Abudo
Bairro de Chuiba, Pemba - Osvaldo Abudo, um encarregado de educação, enfrenta um ano extremamente difícil após a passagem devastadora do ciclone Chido. "A passagem do ciclone Chido trouxe sofrimento e destruição. Muitas pessoas perderam as suas casas, incluindo os mais velhos. Não temos onde dormir, pois os lugares onde antes descansávamos foram levados pelo vento e pela chuva."
A reconstrução da comunidade tem sido lenta e difícil. "Não podemos depender apenas do governo, porque a ajuda pode demorar. Por isso, cada pessoa tenta juntar algum dinheiro — pelo menos 500 meticais — para comprar bambu, rolos e arame para tentar construir um abrigo, ainda que seja provisório."
Osvaldo luta para garantir a educação e alimentação de seus filhos. Com o ano lectivo prestes a iniciar, muitas famílias não conseguiram comprar material escolar ou pagar matrículas. "Se pudesse pedir ajuda, gostaria que nos apoiassem na compra de tábuas e chapas para reconstruirmos as nossas casas. Também precisaríamos de cadernos, canetas e pastas, pois sem material escolar será difícil que os nossos filhos acompanhem as aulas."
Osvaldo deixa uma mensagem de esperança para todos que sofreram com o ciclone. "Para todas as pessoas que, como eu, sofreram com este ciclone, quero dizer que não percam a esperança. Sei que é difícil, mas se nos ajudarem a enfrentar esta dificuldade, poderemos reconstruir as nossas vidas e permitir que as nossas crianças voltem a estudar."
História da Mariamo Cacos
Bairro de Chuiba, Pemba - Mariamo Cacos, uma mãe dedicada, viu sua vida virar de cabeça para baixo com a chegada do ciclone Chido. "Tivemos muitos estragos. As minhas camas estão estragadas, as panelas foram levadas pela água e as roupas também ficaram todas estragadas."
Felizmente, Mariamo e seus filhos não foram feridos, mas perderam quase tudo. "A comida foi levada pela água, e até hoje estou a sofrer com isso. Hoje, por exemplo, são 13 horas e ainda não consegui comer, pois preciso pedir aos outros para me ajudar a conseguir algo."
Naquela noite aterrorizante, Mariamo tentou proteger seus filhos, levando-os para a casa de sua mãe. "Mas pouco depois, percebi que não havia um sítio seguro, pois a casa dela também foi destruída."
Desesperados, eles assistiam a fúria dos ventos. "O vento arrancava tudo pelo caminho, as chapas voavam, e eu só pensava nos meus filhos. Só Deus quis que sobrevivêssemos, pois poderia ter sido muito pior."
Agora, Mariamo luta diariamente para prover o mínimo para sua família. Cada dia é uma batalha para garantir que seus filhos tenham algo para comer. "Para garantir a alimentação dos meus filhos, faço o que posso. Há dias em que consigo juntar 50 meticais para comprar um quilo de farinha de milho, procuro matapa de Maringá, preparo xima e tento alimentar os meus filhos com o pouco que tenho."
Com o ano lectivo prestes a começar, a preocupação de Mariamo aumenta. "Ainda não consegui comprar o material escolar nem matricular os meus filhos. Não tenho dinheiro." A perda do pai das crianças tornou tudo ainda mais difícil. "A minha mensagem para quem também sofreu com o ciclone é que sei bem o que estão a passar. E para aqueles que podem ajudar, peço que olhem por nós. Precisamos de apoio para recomeçar, pois perdemos tudo."
História da Avó Muanaweto
Bairro Chuiba, Pemba - Muanaweto, uma avó dedicada, viu sua vida mudar drasticamente com a chegada do ciclone Chido. "Tudo começou quando estávamos dentro de casa, havia vento e chuva. As chapas começaram a voar e a casa desabou por cima de nós."
Ela vive com seus netos e, naquela noite, conseguiu salvá-los. "Peguei nos braços dos meus netos e fugimos para a casa da minha irmã. Não levamos nada."
A reconstrução tem sido difícil. "Não estou a reconstruir porque os meus filhos não têm condições; penso que cuidariam de mim se tivessem um emprego mas não têm." A avó Muanaweto recebeu ajuda para construir um abrigo precário com chapas de zinco, mas as condições são difíceis. "Ao amanhecer dispenso o meu neto para ir comer em casa do seu pai e volta para dormir, pois eu não tenho nada a lhe oferecer para comer."
A educação dos netos é uma grande preocupação. "Não tenho condições para eles poderem voltar à escola, não consigo arranjar dinheiro para comprar cadernos e ainda não fiz a matrícula." A avó Muanaweto deseja ajuda para comprar uniformes, cadernos, sapatos e pagar a matrícula. "Gostaria que pudessem comprar para os meus netos uniformes, cadernos, sapatos, ajudar com a matrícula, para poderem estudar."
Ela agradece por qualquer ajuda que puderem oferecer. "Eu agradeço pela vossa visita. Esperamos que nos apoiem com lonas, redes mosquiteiras, chapas entre outros materiais."
História do Alfredo Tarigi
Bairro de Chuiba, Pemba - O ciclone Chido mudou completamente a vida de Alfredo Tarigi e sua família. "Enfrentei muitas dificuldades e sofri bastante. A minha casa foi destruída, perdi muitos bens e, desde então, não tenho um lugar adequado para dormir nem para descansar."
Alfredo, um pai dedicado, luta diariamente para garantir a segurança de seus dois filhos, que ainda estão na escola. "Durante o ciclone, fiz tudo o que pude para os proteger."
A cada dia, Alfredo sai em busca de chapas quebradas para cobrir o que restou de sua casa. "Mas a verdade é que a situação continua muito difícil, porque não tenho recursos para reconstruir a nossa casa."
A alimentação é um desafio constante. "Muitas vezes, cozinhamos apenas matapa com óleo, porque não há mais nada. Mas, apesar das dificuldades, agradecemos sempre por termos algo para comer."
Com o início do ano lectivo, Alfredo está preocupado. "Ainda não consegui comprar o material escolar nem matricular os meus filhos, porque simplesmente não tenho dinheiro." Ele deseja que seus filhos tenham cadernos, lápis, canetas e tudo o que é necessário para estudar. "Se pudesse pedir ajuda, gostaria que os meus filhos tivessem cadernos e material escolar para que possam continuar a estudar. Também precisamos de alimentos e, pelo menos, de lonas para cobrir a casa e nos protegermos do sol e da chuva."
Alfredo deixa uma mensagem de força e esperança para todos que foram afectados pelo ciclone. "Sei que não é fácil, mas temos de continuar a lutar."
Ele também faz um apelo àqueles que podem ajudar. "Qualquer apoio será uma grande ajuda para quem perdeu tudo."
História do Assane Saide
Bairro Chuiba, Pemba - Assane Saide é líder comunitário do Bairro de Chuiba. A passagem do ciclone Chido deixou um rastro de destruição onde várias casas foram destruídas, muitas famílias ficaram sem abrigo e a incerteza apoderou-se de todos.
Saide sabia que não podia ficar de braços cruzados. Ao se aperceber da gravidade da situação, o líder mobilizou as famílias desamparadas para a escola mais próxima que poderia servir como um refúgio temporário.
“Quando percebemos que muitas estavam em perigo, organizámo-nos rapidamente. Percorremos a aldeia, batemos às portas e verificámos quem precisava de ajuda. As famílias que encontrámos desprotegidas foram mobilizadas e levadas para a escola. Não tínhamos muito para oferecer, mas demos-lhes apoio emocional, explicando que o que tinham vivido era um fenómeno natural e que, apesar das dificuldades, conseguiríamos ultrapassar aquela situação juntos,” conta Saide.
As crianças e os jovens foram os mais afectados. Muitas estavam aterrorizadas, sem compreender o que tinha acontecido. Sem recursos materiais, o principal apoio que conseguimos dar foi a mobilização e a orientação. Reunimos as famílias, encorajamos a manterem-se unidas e a procurarem soluções, mesmo que temporárias. Aquelas que conseguiram encontrar algumas chapas foram incentivadas a começar a reconstruir pequenos abrigos. Organizámos a comunidade para que todos ajudassem uns aos outros, enquanto aguardávamos um possível apoio.
A proximidade do bairro com a praia trouxe ainda mais desafios. Depois do ciclone, a zona ficou cheia de destroços, e começaram a chegar pessoas de outras regiões. “Tivemos de alertar as crianças para não se aproximarem da água sem supervisão. Esta não é uma praia calma, como as da cidade de Pemba, mas sim o Oceano Índico, onde as águas são mais fortes e perigosas. Explicámos às crianças a importância de permanecerem junto das suas famílias, pois o risco de acidentes era elevado”.
"Muitas famílias estão sem alimentos e sem abrigo. Precisamos urgentemente de materiais de construção para proteger as crianças, especialmente porque a época das chuvas aproxima-se. Elas não podem continuar ao relento. Se conseguíssemos, pelo menos, algumas lonas, já seria uma grande ajuda para construir abrigos temporários. Sabemos que a reconstrução será um processo longo, mas qualquer apoio será essencial para que possamos reerguer-nos e garantir um futuro melhor para todos," concluiu Saide.
História da Anita Hanlawe
Bairro Metula, Pemba - Anita Hanlawe, uma adolescente de 16 anos, vive no Bairro de Metula, na Cidade de Pemba, na Província de Cabo Delgado.
Quando não está na escola, Anita gosta de conversar e cozinhar. Embora não tenha muitas brincadeiras, ela valoriza o tempo que passa com sua mãe e irmãs. Seus pais são camponeses e a vida da família é bastante simples. Alita está na 10ª classe e, apesar de todas as dificuldades, continua a estudar. Infelizmente, sua escola foi danificada pelo ciclone, o que tornou a rotina escolar ainda mais difícil. "Depois do ciclone, sonhei em ser enfermeira, e ainda é isso que gostaria de ser quando terminar os estudos", disse Anita.
Na noite do ciclone Chido, por volta das 23h, a casa de Anita foi destruída. "Estava do outro lado da casa e uma parte ficou completamente danificada. A outra parte aguentou um pouco mais, mas a destruição foi grande", contou ela. Muitas casas no bairro também foram danificadas, mas, felizmente, não houve vítimas. "Aqui no bairro, ninguém perdeu familiares ou amigos", acrescentou.
Com a casa danificada e a comida estragada, Anita deseja que sua casa seja reparada para que possa voltar a ter um lugar seguro para viver. "O mais importante para mim agora é que a casa fique boa de novo", afirmou.
Após o ciclone, a situação foi difícil. Para conseguir comida, a família de Anita tinha que ir ao mercado sempre que possível, mas não receberam qualquer ajuda até agora. "Não houve apoio por parte de ninguém, nem da família, o que tornou tudo mais complicado", explicou. A sobrevivência da família tem sido baseada em muito esforço e em buscar o que conseguem no mercado. Anita precisa de materiais escolares, como cadernos e uniformes, para continuar a estudar e seguir seu sonho de ser enfermeira. "Esses são os itens mais importantes para mim neste momento", disse ela.
Anita deixou uma mensagem para as pessoas que passaram pelo ciclone: "Continuem a lutar. Mesmo nas dificuldades, devemos nos manter firmes e tentar seguir em frente, mesmo com pouco. Devemos agradecer por estarmos vivos e por podermos continuar a nossa vida. A vida não para e a esperança é aquilo que devemos manter."
História da Maiassa Floage
Bairro Metula, Pemba - Maiassa Floage, uma adolescente de 16 anos, está na 8ª classe e estuda na Escola Primária e Secundária Samora Machel. Ela vive no Bairro de Metula, na Cidade de Pamba, na Província de Cabo Delgado. A noite da passagem do ciclone chido foi de muito medo para Maiassa e sua família.
Ela estava em casa da avó quando o ciclone surgiu, por volta da meia-noite. "O vento forte e a chuva forte destruíram tudo à nossa volta. A casa da minha avó caiu por completo, o telhado voou e a água entrou na casa. Estávamos todos com muito medo e não sabíamos o que fazer", contou Maiassa. A única opção que tiveram foi sair de casa e procurar abrigo na casa de uma vizinha. Mesmo com toda a destruição, conseguiram refúgio, mas não foi fácil. "Não sabíamos para onde ir , explicou Maiassa.
Quando o ciclone passou, Maiassa percebeu que sua casa também tinha sido destruída, mas seus materiais escolares estavam bem. "A casa caiu, mas não perdi o material escolar. Mesmo assim, a dor e o medo continuavam presentes", disse ela.
Depois do ciclone, Maiassa foi até à sua escola e quando chegou lá, viu que estava completamente destruída. "O telhado tinha caído e até hoje ainda não foi reparado. Fiquei muito triste, porque sabia que era o meu espaço para estudar e agora estava tudo destruído", contou ela. A vida de Maiassa mudou muito depois do ciclone. A casa da avó foi destruída e agora não têm onde viver com conforto. "Tudo o que tínhamos desapareceu de uma vez", explicou ela.
Nas semanas seguintes ao ciclone, Maiassa tentava encontrar algum alívio. "Fugíamos para casa da minha mãe, que tem uma casa de bambu onde nos abrigávamos. Mas mesmo assim, as coisas não eram fáceis. Não tínhamos o que fazer, não havia nada para nos ocupar. Não podia brincar, jogar, e isso fazia-me sentir ainda mais triste", disse ela.
Mas uma coisa ficou muito clara para Maiassa: o que mais precisa é poder continuar a estudar. "Eu quero muito voltar à escola, para ter um futuro melhor. Eu prefiro estudar. Já estou a pensar no meu sonho, quero ser professora. Mesmo com tudo o que aconteceu, sei que a educação é o caminho", afirmou ela.
Maiassa sabe que muitas outras pessoas passaram por situações parecidas, com muitas perdas e dificuldades. Por isso, ela deixa uma mensagem para todos: "A educação não pode ser esquecida. Mesmo depois do ciclone, devemos continuar a estudar. Eu não quero ver ninguém a desistir dos estudos, porque sei que o futuro está nas nossas mãos, e a educação é a chave para isso."
História do Beto Benjamin
Bairro Metula, Pemba - Beto Benjamin é um adolescente de 18 anos, que vive no Bairro de Metula, na Cidade de Pemba, na Província de Cabo Delgado.
Quando o ciclone começou, a família de Beto não estava minimamente preparada para o que ia acontecer. Ao perceberem que o vento e a chuva estavam a aumentar de intensidade, decidiram correr para a casa de alvenaria, que parecia ser mais segura. A casa deles, feita de materiais mais frágeis, não oferecia nenhuma garantia de segurança. "Achámos que ali estaríamos mais protegidos", disse Beto.
Mesmo assim, a tempestade foi muito forte. A casa de alvenaria também sofreu danos, e a família perdeu muitos bens. "Muita coisa foi destruída, e até hoje não conseguimos recuperar o que perdemos", contou Beto. Além disso, o impacto emocional de ver tudo o que tinham de ser levado pela tempestade ainda o afecta. "A nossa vida foi muito afectada e, por mais que tentemos seguir em frente, há sempre algo que nos lembra o que perdemos", explicou ele.
Uma das maiores dificuldades que Beto tem enfrentado é o facto de sua família não ter recebido nenhum apoio até agora. "Não tivemos qualquer ajuda, e isso tornou tudo ainda mais complicado", disse ele. Passar por tudo isso sem qualquer suporte é muito duro. "Apesar de tentarmos ser fortes, a sensação de estar sozinho a lidar com a situação é muito difícil", acrescentou.
O que Beto mais quer neste momento é voltar à escola. O ciclone interrompeu sua aprendizagem, e ele perdeu todo o material escolar. "Sem cadernos, livros e até o uniforme, não consigo continuar os meus estudos da forma que gostaria", afirmou. A escola é a prioridade de Beto agora, pois ele sabe que a educação é fundamental para ter um futuro melhor. "O que mais anseio é poder voltar à rotina escolar, mas, sem o material necessário, isso tem sido impossível", disse ele. "O simples gesto de pegar num caderno e escrever nas páginas em branco parece algo tão distante, mas sei que vou lutar para conseguir."
Apesar de tudo o que aconteceu, Beto não vai desistir. "Sei que é um caminho difícil, mas o que quero é reconstruir a minha vida e dar o melhor para a minha família", afirmou. Ele quer voltar à escola, continuar os estudos e, um dia, ter a possibilidade de ajudar sua família a ultrapassar todas as dificuldades.