UNICEF promove oportunidades de financiamento climático para a sociedade civil.

Por meio de um seminário, startups, pequenas e médias empresas são capacitadas para aceder a financiamento nacional e internacional.

Manuel Castelo
UNICEF promove oportunidades de financiamento climático para a sociedade civil.
UNICEF Angola/2026
30 Abril 2026

O UNICEF realizou recentemente três seminários dois virtuais e um presencial com o objectivo de capacitar mais de 30 Organizações da Sociedade Civil (OSCs), startups e pequenas e médias empresas (PMEs) angolanas. A iniciativa teve como foco central desmistificar o acesso aos mecanismos de financiamento climático e ambiental, conectando iniciativas inovadoras aos recursos necessários para a protecção do meio ambiente.

Angola enfrenta pressões ambientais severas, incluindo secas persistentes, poluição, baixa produtividade agrícola e exploração intensa dos recursos naturais. Embora existam organizações com ideias criativas para mitigar o impacto destes fenómenos e desenvolver acções que promovam um ambiente mais saudável, a falta de recursos financeiros tem sido apontada como o principal obstáculo para que estas iniciativas ganhem escala.

Manuel Lourenço Salvador, presidente da Associação de Jovens Catadores de Materiais Recicláveis de Angola (JOCAMAR) e participante do seminário, destacou que “muitas organizações têm bons projectos, mas não conseguem financiamento, não por falta de capacidade técnica, mas por falta de informação”, reforçando a importância da realização deste tipo de seminários.

Segundo a consultora Mónica Manuel Vitor, é essencial que as organizações interessadas em financiamento alinhem os seus projectos à Estratégia Nacional para as Alterações Climáticas, de forma a aumentar as possibilidades de sucesso na captação de recursos.

UNICEF promove oportunidades de financiamento climático para a sociedade civil.
UNICEF Angola/2026

Esta perspectiva foi igualmente partilhada por Celso Ngunza, representante da BES Global Impact, cujos projectos estão directamente ligados à sustentabilidade e ao impacto social. “Deste workshop foi possível retirar muitos aprendizados. Saímos com um novo olhar sobre como procurar e estruturar o acesso a financiamentos”, destacou o jovem empreendedor.

O seminário dedicou especial atenção às organizações não governamentais e às pequenas startups que estão a dar os primeiros passos e que enfrentam maiores dificuldades de acesso a financiamento. Este aspecto chamou a atenção de Engrácia Marques, representante da Kishi Credit, que sublinhou que muitas destas iniciativas sobrevivem com recursos próprios e que este tipo de espaço pode permitir que comecem, de forma mais estruturada, a procurar oportunidades de financiamento.

A consultora do UNICEF, Mónica Manuel Vitor, explicou que os principais mecanismos de financiamento abordados durante a formação incluíram fundos multilaterais e fundos resultantes de cooperação bilateral, disponibilizados por parceiros como a União Europeia, a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e a GIZ, da Alemanha, assim como fundos de investimento de impacto e inovação.

No final do evento, os participantes foram unânimes em reconhecer que, apesar da existência de múltiplas oportunidades de financiamento climático e ambiental, startups e PMEs em Angola continuam a enfrentar desafios estruturais no acesso a estes recursos.

O seminário reforçou que, para captar financiamento, as organizações precisam de fortalecer as suas capacidades técnicas e organizacionais. Destacou-se ainda que a democratização do acesso à informação é um elemento-chave para transformar pequenos projectos locais em soluções ambientais de maior escala, contribuindo para um meio ambiente mais sustentável para todos em Angola.