Trabalhando juntos para impedir a propagação da Ebola

Trabalho de sensibilização com lideres comunitárias de Bolama-Bijagós

Yasmina Silva
André Gomes Obango
UNICEF/GuineBissau/Gama
22 Julho 2021

Bubaque, Guiné-Bissau, maio 2021 – Muitos ficaram surpreendidos quando, durante a epidemia da doença por vírus Ébola (DVE) de 2014-2016 na África Ocidental, a Guiné-Bissau foi capaz de evitar a doença. Apesar do surto no país vizinho, República da Guiné, com a qual a Guiné-Bissau tem uma fronteira extensa e porosa, e a aparente falta de preparação do país, nenhum caso foi reportado durante a epidemia, a maior da história.

O mais recente surto do vírus Ébola na região ocorreu em fevereiro de 2021 na província de N'Zérékoré, uma região sul da República da Guiné. Até 13 de maio de 2021, 16 casos foram confirmados na Guiné, com cinco mortes confirmadas e dez recuperações. Num esforço para prevenir eventuais surtos dentro das suas fronteiras, os vizinhos atualizaram suas respostas nacionais para poderem detetar, isolar e gerir potenciais casos transfronteiriços.

O vírus de Ébola é uma doença altamente contagiosa, e muitas vezes fatal, que causa hemorragia interna e febre alta. É transmitida através do contato com o sangue e outros fluidos corporais de uma pessoa infetada ou cadáver. Pode ser combatido eficientemente através de comportamentos preventivos que interrompem a propagação do vírus.

No âmbito dos esforços de prevenção, o UNICEF, em colaboração com a Secretária de Estado de Comunicação Social da Guiné-Bissau e o Instituto Nacional de Saúde Pública (INASA), desenvolveu sessões de sensibilização com líderes comunitários da linha de fronteira, com foco nas ilhas da região de Bolama-Bijagós. Durante o surto de 2014-2016, a Guiné-Bissau foi identificada pela Organização Mundial de Saúde como um país prioritário para a preparação para o Ébola. Bolama-Bijagós foi, e continua a ser, considerada uma das regiões mais vulneráveis à introdução do vírus na Guiné-Bissau.

"Cada zona de uma ilha é um ponto de entrada, as pessoas que vêm do mar chegam de todos os lados, então temos que formar as pessoas para criar postos de vigilância em suas comunidades", diz o secretário executivo da NADEL, Sidi Mohamed Jaquité.

Bubaque é o centro comercial de uma comunidade insular isolada. Com uma população de aproximadamente 7 mil pessoas, a campanha de sensibilização foi organizada através de sessões de djumbais informais - diálogos comunitários - sob mangueiros em plena floração. As 17 discussões que reuniram 18 comunidades diferentes tiveram por objetivo de fortalecer a vigilância, e mobilizar as populações insulares através de seus líderes tradicionais e religiosos.

Entendendo a importância do djumbai, alguns participantes viajaram até cinco quilómetros das suas aldeias a pé para participar. Os participantes variaram de curandeiros e chefes tradicionais, a associações de mulheres. O UNICEF criou no passado parcerias estratégicas com líderes e curandeiros tradicionais para promover a preparação para a doença, incluindo a atual pandemia COVID-19. No contexto da Guiné-Bissau, estes grupos e pessoas são de confiança e autoridade profunda nas comunidades a que pertençam e governam. São cruciais na promoção de comportamentos preventivos como lavar as mãos, adiar cerimónias fúnebres e evitar o contato com cadáveres, e procurar serviços de saúde para o tratamento caso quaisquer sintomas sejam identificados.

André Gomes Obango é um curandeiro tradicional que recebe muitas visitas de membros doentes de sua comunidade para que possam ser curados. Ele admite, no entanto, que o Ébola é uma doença que não consegue tratar. "Só os grandes hospitais podem tratar essa doença," diz ele. A partir das sessões, ele aprendeu a melhor forma de evitar o vírus e confirma que garrafões de plástico, sabão, e lixívia foram disponibilizados na sua aldeia para que possam estar equipados para combatê-lo eficazmente. Também disse à equipa de sensibilização, composta por funcionários do INASA, ONGs Nadel e Palmeirinha, o secretário de Estado de Comunicação Social e a própria equipe de Comunicação para o Desenvolvimento do UNICEF, que se garante de que qualquer pessoa a procura dos seus serviços faz, em primeiro lugar, uma visita ao hospital para evitar qualquer infeção potencial.

"Esta sessão ensinou-nos o que é o Ébola, e que devemos ficar atentos," diz ele. "Eu não posso curar o Ébola. Eu não sabia o que era até estas sessões, mas não queremos este vírus no meio de nós. Então, pedimos que Deus nos ajude a pará-lo."

Sidi Mohamed Jaquité pt
UNICEF/GuineBissau/Gama Formador da ONG Nadel segurando um pôster demonstrando como evitar e sobreviver à doença de Ebola.

Impedir a doença de Ébola, tal como o COVID-19, dependerá de todos os membros da comunidade, jovens e idosos, jornalistas e chefes religiosos, para oferecerem o seu tempo e experiência, e adotar comportamentos que se protejam a si próprios e aos outros.

"Pedimos a todos que transmitam as mensagens das sessões de sensibilização. Todos são convidados a ajudar-nos nesse trabalho para que possamos nos livrar dessa doença," concluiu Jaquité.