As crianças representam metade dos casos suspeitos de mpox na Guiné-Bissau
UNICEF reforça a vigilância, a prevenção e a mobilização comunitária enquanto o país responde ao seu primeiro surto de mpox
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BISSAU/DAKAR, 20 de agosto de 2026 – As crianças com menos de 15 anos representam metade dos 46 casos suspeitos de mpox registados na Guiné-Bissau. O UNICEF está a intensificar o seu apoio ao Ministério da Saúde Pública em resposta direta ao primeiro surto de mpox alguma vez registado no país.
“Esta é a primeira vez que são notificados casos de mpox na Guiné-Bissau, o que faz com que mesmo um surto de pequena dimensão constitua um importante evento de saúde pública”, afirmou Sandra Martins, Representante Adjunta do UNICEF na Guiné-Bissau. “Embora o sistema de vigilância do país continue extremamente frágil, enfrentamos o risco de casos não estarem a ser detetados, sobretudo entre as crianças, que são as mais vulneráveis a complicações graves.”
Desde que o surto foi declarado, a 4 de julho de 2026, a Guiné-Bissau notificou sete casos confirmados de mpox, todos em adultos, até 17 de agosto. Seis dos casos confirmados encontram-se no Setor Autónomo de Bissau e um na Região de Biombo. Até à data, não foi registada qualquer morte.
No entanto, dos 46 casos suspeitos, 23 são crianças com menos de 15 anos. Destas, 16 têm entre 0 e 4 anos, o que suscita preocupação quanto à sua saúde, tendo em conta o maior risco de complicações causadas pelo vírus entre as crianças pequenas. A reabertura das escolas em setembro agrava ainda mais estas preocupações, devido ao potencial aumento da transmissão entre as crianças.
Os casos confirmados não parecem estar relacionados entre si, o que sugere a existência de cadeias de transmissão não detetadas e a possibilidade de outros casos não estarem a ser identificados.
Persistem lacunas críticas na vigilância de base comunitária, sobretudo na identificação de contactos, na testagem de amostras e no rastreio sistemático da propagação do vírus.
O UNICEF trabalha em estreita colaboração com o Ministério da Saúde Pública, a OMS e outros parceiros para apoiar a resposta liderada pelo Governo, reforçar a vigilância e o rastreio de contactos, fortalecer as medidas de prevenção e controlo de infeções e de água, saneamento e higiene nas unidades sanitárias, e assegurar que as crianças e as famílias recebam informação atempada e correta para ajudar a prevenir uma maior propagação da mpox.
“Com a deteção precoce, os cuidados adequados e a prevenção, a mpox pode ser controlada e a sua propagação reduzida”, afirmou Sandra Martins. “Apelamos às famílias para que procurem imediatamente cuidados de saúde se uma criança ou outro membro da família apresentar erupção cutânea, febre, gânglios linfáticos inchados ou outros sintomas, e para que sigam as orientações relativas à lavagem das mãos, à prevenção do contacto próximo com casos suspeitos e à redução do estigma.”
Enquanto decorre a resposta nacional mais ampla, o UNICEF necessita de mais de 150 000 dólares dos Estados Unidos para apoiar componentes críticas e específicas da intervenção contra a mpox na Guiné-Bissau. É urgentemente necessário financiamento flexível para emergências, a fim de mobilizar estes recursos essenciais e proteger as populações vulneráveis.
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