Bilhões de pessoas não terão acesso a água potável, saneamentso e higiene em 2030, a menos que o progresso quadruplique - alertam a OMS e o UNICEF

As últimas estimativas revelam que 3 em cada 10 pessoas em todo o mundo não podiam lavar as mãos com água e sabão em casa durante a pandemia da COVID-19

05 Julho 2021
Criança saindo de apanhar a agua
UNICEF/GuineBissau/2020/Prinsloo

BISSAU, 5 Julho 2021 – Bilhões de pessoas em todo o mundo não terão acesso aos serviços de água potável, saneamento e higiene em casa geridas de forma segura em 2030, a menos que a taxa de progresso quadruplique, de acordo com um novo relatório da OMS e do UNICEF.

O relatório do Programa Conjunto de Monitoria (JMP) - Progresso sobre água potável, saneamento e higiene nas residências entre 2000-2020 - apresenta estimativas sobre o acesso domiciliar a serviços de água potável, saneamento e higiene administrados com segurança nos últimos cinco anos, e avalia o progresso para alcançar o sexto objetivo de desenvolvimento sustentável (ODS) para 'Garantir a disponibilidade e gestão sustentável da água e do saneamento para todos até 2030'. Pela primeira vez, o relatório também apresenta dados nacionais emergentes sobre a saúde menstrual.

Em 2020, cerca de 1 em cada 4 pessoas não tinha água potável gerida de forma segura nas suas casas e quase metade da população mundial não tinha saneamento básico gerido de forma segura. A COVID-19 destacou a necessidade urgente de garantir que todos possam ter acesso a uma boa higiene das mãos. No início da pandemia, 3 em cada 10 pessoas em todo o mundo não podiam lavar as mãos com água e sabão dentro de casa.

“Lavar as mãos é uma das formas mais eficazes de prevenir a propagação da COVID-19 e outras doenças infeciosas, mas milhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a um abastecimento de água seguro e confiável”, disse o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS. “O investimento em água, saneamento e higiene deve ser uma prioridade global se quisermos acabar com esta pandemia e construir sistemas de saúde mais resilientes.”

Algum progresso relatado, mas não o suficiente

O relatório assinala alguns progressos no sentido de alcançar o acesso universal aos serviços básicos de água, saneamento e higiene (WASH). Entre 2016 e 2020, a população global com água potável administrada com segurança em casa aumentou de 70 por cento para 74 por cento; os serviços de saneamento administrados com segurança aumentaram de 47 por cento para 54 por cento; e as instalações de lavagem das mãos com água e sabão aumentaram de 67 por cento para 71 por cento.

Em 2020, pela primeira vez, mais pessoas usaram o saneamento melhorado no local, como latrinas de fossa e fossas sépticas, que podem efetivamente conter e tratar o lixo, em vez de conexões de esgoto. É necessário que os governos garantam o apoio adequado para o saneamento local administrado com segurança, incluindo a gestão de lamas fecais.

Necessidade urgente de investimento

O relatório deixa claro que, se as tendências atuais persistirem, bilhões de crianças e famílias ficarão sem serviços essenciais de WASH para salvar vidas, afirmando que até 2030:

  • Apenas 81 por cento da população mundial terá acesso a água potável em casa, deixando 1,6 bilhão sem;
  • Apenas 67 por cento terão serviços de saneamento seguro, deixando 2,8 bilhões sem;
  • E apenas 78 por cento terão instalações básicas de lavagem das mãos, deixando 1,9 bilhão sem.

O relatório também aponta grandes desigualdades, sendo as crianças vulneráveis e famílias as que mais sofrem. Para alcançar o acesso universal à água potável com gestão segura até 2030, a taxa atual de progresso nos países menos desenvolvidos precisaria aumentar dez vezes. Em contextos frágeis, onde as pessoas tinham duas vezes mais possibilidades de não ter água potável segura, seria necessário acelerar por um fator de 23.

“Mesmo antes da pandemia, milhões de crianças e famílias sofriam sem água potável, saneamento seguro e um lugar para lavar as mãos”, disse a Diretora-Executiva do UNICEF, Henrietta Fore. “Apesar do nosso progresso impressionante até agora para expandir esses serviços de que salvam vidas, as necessidades alarmantes e crescentes continuam a superar a nossa capacidade de resposta. Chegou a hora de acelerar drasticamente os nossos esforços para providenciar a cada criança e família as necessidades mais básicas para a sua saúde e bem-estar, incluindo o combate a doenças infeciosas como COVID-19.”

Outras descobertas importantes do relatório incluem:

  • Oito em cada 10 pessoas sem serviços básicos de água viviam em áreas rurais. Enquanto isso, os serviços de saneamento administrados com segurança alcançaram 62 por cento da população urbana do mundo, mas apenas 44 por cento da população rural.
  • A África Subsaariana está a verificar a taxa de progresso mais lenta do mundo. Apenas 54 por cento das pessoas usaram água potável e apenas 25 por cento em contextos frágeis.
  • Os dados emergentes sobre a saúde menstrual mostram que, em muitos países, uma proporção significativa de mulheres e meninas é incapaz de atender às necessidades de saúde menstrual, com disparidades significativas em particular entre os grupos vulneráveis, como os pobres e aqueles com deficiência.

Acelerar a cobertura de WASH exigirá priorização nos níveis mais altos de tomada de decisão da parte das agências internacionais, governos, sociedade civil e setor privado. Para que isso aconteça, WASH deve ser um elemento regular na agenda em reuniões políticas de alto nível para garantir que os estados membros acompanhem o progresso. Isso é importante no contexto da próxima revisão intermediária da Década de Ação pela Água em 2023 - a primeira conferência da ONU sobre água e saneamento em quase 50 anos.

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Nota para os editores:

O Programa Conjunto de Monitoria OMS / UNICEF (JMP) para Abastecimento de Água, Saneamento e Higiene é responsável por monitorar o progresso global em direção às metas e indicadores do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados à água potável, saneamento e higiene (WASH). O JMP produz estimativas nacionais, regionais e globais do progresso de WASH nas famílias, escolas e instalações de saúde.

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Wilson Gama
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