“Posso ser uma mudança”
Participar do projeto Engaja permitiu a Laura aprender e compartilhar conhecimentos para ajudar as pessoas. Ela foi uma das lideranças do projeto realizado pelo UNICEF, o Cieds e a Saint-Gobain em São Paulo
A curiosidade de conhecer o mundo é o que move Laura de Lima Barçante. A jovem de 21 anos é inquieta, entusiasmada e determinada. Adora desbravar, buscar oportunidades e aprender coisas novas. Assim ela se envolveu com o Engaja e encontrou no projeto uma oportunidade de compartilhar conhecimentos. Também foi durante o projeto que voltou a estudar, conseguindo uma bolsa para um curso técnico em cinema e TV.
Logo que descobriu o projeto e se inscreveu, Laura se tornou uma “engajadora”. Junto com outros 50 jovens com perfil de liderança, ela participou de uma formação sobre competências e habilidades para a vida e também de como apoiar outros participantes no processo de identificar um propósito. A partir da formação, os engajadores multiplicaram os ensinamentos para 250 meninas e meninos “engajados”.
Com o objetivo de diminuir a distância entre a periferia e o mundo do trabalho, o projeto Engaja buscou a inclusão produtiva de jovens e adolescentes, indicando caminhos para que eles acessem novas oportunidades. A iniciativa realizada pelo UNICEF, a Saint-Gobain e o Cieds buscou capacitar 300 meninas e meninos moradores de cinco regiões da capital paulista – Brasilândia, Cidade Tiradentes, Grajaú, Jardim Ângela e Tremembé – por meio de cursos e rodas de conversa sobre identidade, território e futuro, bem como o desenvolvimento de soluções para desafios da comunidade.
“Acredito muito na ideia de ter uma missão: eu posso ser uma mudança, um novo futuro. E que isso está nas minhas mãos e nas mãos de quem está nesse projeto”, diz.
Aos 17 anos, Laura precisou interromper os estudos para trabalhar e ajudar no sustento da família. Quando decidiu voltar à escola, com 19 anos, ela engravidou e precisou reestruturar seus projetos. O nascimento do pequeno Jorge foi acompanhado pela chegada da pandemia do novo coronavírus e a jovem se viu diante de novos desafios. No entanto, além de com o pai da criança, ela pôde contar com uma rede de apoio, em especial, da mãe e da avó.
Inspirada pela luta das mulheres da família, Laura buscou mobilizar jovens mães e gestantes a participar do Engaja, promovendo autoconhecimento, combatendo preconceitos e compartilhando informações. Para ela, a educação entre pares foi fundamental no processo.
“A gente foi muito ouvido e a gente pôde falar. Eu sozinha não chego a lugar nenhum, é preciso criar essa rede”, destaca Laura. Ao mesmo tempo, é necessário um apoio mútuo e independência.
“O Engaja nos ajudou a ver que é preciso ter essa autonomia de correr atrás e ser independente. Por isso que eu tentei trazer meninas que estavam grávidas para participar”.
Hoje ela mora sozinha com o bebê, mas espera em breve conseguir organizar um local para que ela e o pai da criança possam criar o filho juntos. Enquanto participava do projeto, Laura conseguiu uma bolsa de estudos para fazer um curso técnico em cinema e TV. Hoje, quando não está estudando, ela atua como maquiadora para complementar a renda.
Para o futuro, a jovem sonha em dar continuidade ao trabalho que vem realizando: “fazer um canal de conteúdo para passar informações e criar rede de apoio a jovens mães, levar informações sobre empreendedorismo, autonomia e maternidade”, conta.