“Eu também posso estar aqui”: meninas ampliam horizontes em encontro com mulheres líderes
Iniciativa global, Girls Belong Here reuniu três jovens participantes de projetos do UNICEF e cinco executivas da AstraZeneca em um dia de troca sobre liderança, escolhas profissionais e futuro
Durante um dia, Anna Flávia, 15 anos, Débora Vitória, 19, e Isabele Leite, 19, puderam conhecer de perto a rotina de cinco mulheres que ocupam posições de liderança na farmacêutica AstraZeneca. Entre conversas sobre carreira, uma visita às instalações da empresa, em São Paulo, e momentos acompanhando as executivas em suas atividades, as três jovens encontraram novas referências para pensar sobre os espaços que também podem ocupar tanto no presente quanto no futuro.
A experiência fez parte do Girls Belong Here, iniciativa global apoiada pela AstraZeneca por meio do Young Health Programme (YHP) e desenvolvida em parceria com a Plan International. No Brasil, a ação foi realizada em parceria com o UNICEF e reuniu três jovens, participantes do projeto Meninas Cidadãs, na capital paulista, apoiada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, e cinco executivas da empresa.
Anna participa da iniciativa há cerca de dois anos. Antes disso, ocupar espaços de liderança ainda parecia algo distante. Ela conta que percebia as limitações impostas às meninas, inclusive dentro de sua própria família, mas ainda não sabia como poderia agir. “Eu sabia que tinha alguma coisa errada, sabia que faltava alguma coisa, que eu era muito mais do que me falavam, mas não sabia o que poderia fazer”, lembra.
O convite para fazer parte do Meninas Cidadãs transformou essa percepção. Logo nos primeiros encontros, Anna encontrou um espaço para conversar sobre participação, direitos e liderança. Vieram também novas experiências, entre elas uma visita à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). “Eu andava ali na bancada feminista e pensava: ‘Caramba, parece que é o meu lugar aqui’.”
Diferentes caminhos até a liderança
Na AstraZeneca, Anna acompanhou Renata Campos, diretora da Unidade de Negócios de Respiratório e Imunologia. As duas conversaram sobre formação, desafios profissionais e os planos da jovem para o futuro. “Ela falou um pouco de como chegou naquele cargo, de que faculdade fez e de como chegou ali com tantos desafios. Eu também falei sobre as minhas experiências e sobre o que quero fazer de faculdade”, conta Anna.
Para Renata, o contato com mulheres que já ocupam esses espaços ajuda meninas a enxergarem novas possibilidades. “Quando meninas conseguem se enxergar em espaços de liderança, elas veem que podem ir além. Elas têm uma referência.”
Ainda no primeiro ano do ensino médio e interessada especialmente por jornalismo, Anna saiu da experiência imaginando o futuro de forma mais concreta. Quando perguntada onde se vê daqui a dez anos, respondeu: “Eu imagino uma Anna diretora também.”
“Eu me vejo onde eu quiser”
Débora Vitória também chegou à experiência com uma trajetória ligada à equidade de gênero. Técnica em fotografia e vídeo, moradora da Zona Leste de São Paulo, e interessada em cursar Relações Internacionais, ela começou ainda no ensino médio a transformar inquietações sobre desigualdade em participação e mobilização.
No Meninas Cidadãs, esteve entre as jovens que produziram um documentário sobre violência contra a mulher em São Paulo. Na AstraZeneca, encontrou uma nova oportunidade de observar na prática algo sobre o qual já havia discutido muitas vezes. “A gente fala muito sobre inclusão e diversidade, mas é difícil ver isso acontecendo verdadeiramente. O que realmente me inspirou foi ver tantas mulheres de fato ocupando posições de liderança”, diz.
Débora passou parte do dia com Alessandra Nicoli, diretora de Assuntos Regulatórios. Ao conhecer sua trajetória, percebeu afinidades e levou uma mensagem que a tranquilizou sobre as próprias escolhas. “Foi inspirador e também reconfortante entender que a gente tem bastante tempo enquanto jovem para descobrir novas áreas, conhecer outras coisas e principalmente ser nós mesmas”, afirma.
Antes, Débora imaginava um futuro mais diretamente ligado a políticas públicas e direitos humanos. Depois da experiência, passou a enxergar outras possibilidades. “Eu me vejo ocupando muitos espaços. Seja na comunicação, no direito ou na política mais formal. Eu acho que existem muitas possibilidades.”
Tornar o caminho visível
Para Isabele Leite, estudante de Direito e ativista em temas ligados a gênero, saúde de adolescentes, jovens e meio ambiente, a experiência teve uma conexão direta com a área que escolheu estudar. Ela acompanhou Camila Marchant, diretora do Jurídico, e as duas conversaram sobre as diferentes possibilidades de atuação dentro do Direito e sobre como uma trajetória profissional nem sempre precisa seguir um caminho linear. “A gente conversou sobre como nem sempre existe um caminho tradicional. A área jurídica é muito ampla, existem muitas possibilidades e você sempre pode se reinventar”, conta a jovem.
Para Isabele, oportunidades como essa ajudam a tornar visível um percurso que muitas meninas ainda não conseguem enxergar. “Às vezes, a gente vê uma posição de liderança, vê um lugar no alto e não imagina que existe uma escada. Mostrar esse caminho e dar essas oportunidades é o que realmente conta.”
A experiência reforçou também seu desejo de atuar com direitos humanos. “Quero trabalhar com pessoas e fazer o meu melhor para ajudá-las, principalmente outras meninas a chegarem em grandes espaços.”
Uma troca entre gerações
O encontro também provocou reflexões entre as executivas. Luciane Ferreira, diretora de Compliance para Brasil e América Latina da AstraZeneca, destacou a maturidade e o engajamento das jovens. Para ela, a experiência reforçou que liderança não depende necessariamente de um cargo. “Você não precisa ter um time que reporte a você para liderar algo. Você pode liderar diferentes temas e áreas, independentemente do seu cargo ou função”, afirma.
Priscila Plaza, diretora financeira da AstraZeneca Brasil, também destacou a disposição das participantes para explorar possibilidades. “Elas estão muito abertas a conhecer o novo e a identificar diferentes áreas para poder ser protagonistas da própria história.”
Ao aproximar meninas de mulheres com diferentes trajetórias profissionais, o Girls Belong Here busca justamente transformar espaços que podem parecer distantes em possibilidades mais concretas e estimular a ampliação e a troca de sonhos.
“A gente também é capaz”
Ao final do dia, as três jovens encontraram palavras diferentes para resumir a experiência. Para Isabele, foram “inspiração e abertura de horizontes”. Débora escolheu “esperança”. Anna levou consigo a certeza de que os espaços que conheceu também podem fazer parte de seu futuro. “Eu percebi que posso estar em um lugar que eu quero, que espaços de liderança não são somente para homens, são também para nós mulheres”, afirma. “Acho que toda menina deveria ter uma experiência assim, porque a gente percebe que também é capaz.”
Para Débora, a experiência trouxe ainda outra reflexão. Durante o dia, ela pensou várias vezes na mãe e em oportunidades às quais a geração anterior não teve acesso. Ao pensar em outras meninas que ainda não conseguem se imaginar nesses lugares, deixa um recado: “Sejam resilientes e sejam ousadas. Abram-se à possibilidade de tentar e acreditem que vocês são capazes. Ao longo da jornada, haverá outras mulheres para apoiar e incentivar vocês.”
Sobre o Girls Belong Here
Girls Belong Here é uma iniciativa global apoiada pela AstraZeneca por meio do Young Health Programme (YHP) e desenvolvida em parceria com a Plan International. A iniciativa busca ampliar oportunidades de liderança para meninas e jovens, fortalecendo sua confiança, visibilidade e percepção de pertencimento em espaços de tomada de decisão. No Brasil, a ação foi realizada em parceria com o UNICEF.