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UNICEF Brasil homenageia legado de Michiko Hashimoto em encontro com a comunidade nikkei em São Paulo

Evento na Japan House celebrou a trajetória da doadora, que fez uma doação em testamento ao UNICEF, e promoveu uma reflexão sobre gratidão, solidariedade e o futuro das crianças

21 agosto 2026
evento comunidade nikkei em são paulo sobre legados
UNICEF/BRZ/Alécio Cézar

São Paulo, 20 de agosto de 2026 — O UNICEF Brasil reuniu, nesta quinta-feira (20), na Japan House São Paulo, representantes da comunidade nipo-brasileira, parceiros institucionais e convidados para celebrar a vida e o legado solidário de Michiko Hashimoto, que incluiu o UNICEF em seu planejamento sucessório. O encontro, intitulado Kodomo no Mirai – O Futuro das Crianças, promoveu uma reflexão sobre gratidão, valores e a possibilidade de transformar escolhas feitas hoje em oportunidades para as próximas gerações.

O evento teve como eixo o conceito japonês de On-Okuri, entendido como a ideia de receber algo de valor ao longo da vida e transmiti-lo adiante, para outras pessoas ou gerações. A proposta dialoga com o propósito do Programa de Legado Solidário do UNICEF, que permite que pessoas incluam a organização em seu planejamento sucessório e façam com que seus valores e sua generosidade continuem contribuindo para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes.

Durante o painel “On-Okuri — O Legado que Deixamos para as Gerações Futuras”, o representante do UNICEF Brasil, Joaquín González-Aleman, a Cônsul-Geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki, a empresária Chieko Aoki e a jovem conselheira do UNICEF Lua compartilharam diferentes perspectivas sobre a transmissão de valores entre gerações, solidariedade e o impacto das oportunidades na vida de crianças e jovens. A programação também contou com a participação de representantes da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social - Bunkyo e das advogadas que acompanharam Michiko Hashimoto em seu planejamento sucessório.

Ao falar sobre o significado do legado, Joaquín destacou que seu valor ultrapassa o patrimônio material. “Talvez o maior legado que nós podemos deixar é deixar alguma coisa na vida de outras pessoas. Aquilo que nós aprendemos nos nossos pais, as pessoas que nós queremos, esse é um legado que fica para sempre com a gente. Representa valores, representa o que nós queremos perpetuar”, afirmou.

Para o representante, a trajetória de Michiko traduz de maneira concreta esse princípio. Segundo ele, a homenagem também é uma oportunidade de pensar sobre o que as pessoas podem fazer hoje para transformar o futuro de quem ainda está por chegar. “O futuro das crianças não começa amanhã. Ele começa nas decisões que tomamos hoje”, disse.

evento em são paulo com a comunidade nikkei
UNICEF/BRZ/Alécio Cézar

Uma vida construída no Brasil

A história de Michiko esteve presente em diferentes momentos do encontro. Em depoimento durante a cerimônia, sua advogada Bruna Campos contou que ela chegou ao Brasil trazendo consigo poucos pertences e, ao longo da vida, construiu no país sua trajetória, sua formação, sua família e seu patrimônio. Segundo Bruna, Michiko tinha profunda gratidão pelo que havia conquistado no Brasil e desejava que o patrimônio construído no país continuasse gerando benefícios para outras pessoas.

A advogada Maria Tereza Campos, que acompanhou Michiko por mais de 30 anos, ajudou a revelar aspectos mais pessoais da mulher por trás da decisão. Reservada e discreta, Michiko levava uma vida simples e tinha uma relação muito particular com o dinheiro e com os bens que havia conquistado. Segundo Maria Tereza, muitas vezes preferia andar de ônibus, mesmo quando poderia utilizar um carro, e era conhecida por sua economia. Ao mesmo tempo, gostava de viajar e aproveitava a vida à sua maneira. “Ela era desprendida”, resumiu a advogada.

A personalidade de Michiko também aparecia nos pequenos gestos do cotidiano. Apesar de reservada, ela tinha um lado brincalhão e, nas palavras de Maria Tereza, uma “alma infantil”. Eram características que conviviam com sua independência e com uma maneira muito própria de enxergar a vida.

Essa relação com o patrimônio ajuda a entender a decisão de deixar um legado. Segundo Maria Tereza, Michiko e o marido já desejavam deixar parte do que haviam construído para instituições de caridade. Depois da morte dele, ela decidiu formalizar esse desejo por meio de um testamento. Ao definir o destino de seus bens, queria que parte do patrimônio construído no Brasil continuasse contribuindo para outras pessoas, com especial atenção à educação e às crianças.

A decisão de Michiko também esteve relacionada aos valores que ela carregava. “Em planejamento sucessório, nós não lidamos apenas com patrimônio. Nós lidamos com histórias, memórias, valores e propósito”, afirmou Bruna. Para ela, o legado deixado por Michiko é uma continuidade de seus próprios ideais: “Por meio deste legado, a Michiko continua a lutar pela construção de um mundo mais justo, mais humano e mais igual”.

evento comunidade nikkei são paulo
UNICEF/BRZ/Alécio Cézar

Valores que passam de uma geração para outra

A Cônsul-Geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki, ressaltou a importância da transmissão de valores entre gerações. Para ela, a tradição japonesa atribui grande importância à preservação da cultura, dos pensamentos e dos valores, e o encontro foi uma oportunidade de levar essa reflexão também à sociedade brasileira. “Eu achei que esse evento foi muito importante para nós podermos entender o que é passar o legado, a gratidão para outras gerações”, afirmou.

A participação da jovem conselheira do UNICEF Lua trouxe ao encontro a perspectiva  das novas gerações sobre legado e futuro. Durante o painel, ela falou sobre a experiência de participar de iniciativas do UNICEF no Rio de Janeiro e apresentou um poema de sua autoria inspirado no conceito de On-Okuri. “Talvez esse seja o verdadeiro legado: não uma estátua, não uma fotografia, não o nosso nome escrito em algum lugar. Mas uma vida que tocamos e que, por nossa causa, tocou outra. E outra. E outra”, recitou. Sua reflexão também abordou a importância de transformar as oportunidades recebidas em caminhos para outros adolescentes e jovens.

Evento UNICEF com comunidade Nikkei
UNICEF/BRZ/Alécio Cezar

Um legado que atravessa gerações

Para o UNICEF, o legado solidário é uma maneira de transformar uma decisão pessoal em impacto de longo prazo. Os recursos destinados ao programa podem contribuir para iniciativas nas áreas de educação, proteção, saúde e nutrição, água e saneamento, resposta a emergências humanitárias e bem-estar de adolescentes e jovens.

Ao homenagear Michiko Hashimoto, o UNICEF celebrou não apenas sua decisão, mas a possibilidade de que valores, gratidão e solidariedade continuem produzindo efeitos ao longo do tempo. “A herança mais valiosa não é apenas aquela que medimos em patrimônio, mas aquela que medimos em vidas transformadas”, afirmou Joaquín.

 Para o UNICEF, o Legado Solidário  é uma maneira de transformar uma decisão pessoal em impacto de longo prazo. Ao incluir a organização em seu planejamento sucessório, uma pessoa pode fazer com que seus valores e propósitos continuem contribuindo para o futuro de crianças e adolescentes. A trajetória de Michiko Hashimoto traduz o sentido do On-Okuri que inspirou o encontro: aquilo que recebemos ao longo da vida pode continuar adiante, alcançando pessoas e gerações que ainda não conhecemos. 

 

Contatos para a imprensa

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Elisa Meirelles Reis
Especialista de Comunicação
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Sobre o UNICEF

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