UNICEF ajuda na melhoria do estado nutricional das crianças nas comunidades remotas de Cabo Delgado

O Departamento do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional (DFID) apoia o UNICEF e o Programa Alimentar Mundial nos esforços de emergência na área de nutrição nos distritos que apresentam a níveis elevados de desnutrição aguda.

Claudio Fauvrelle e Ouquita Cardoso
11 Fevereiro 2020

Cabo Delgado - O Governo de Moçambique, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), tem trabalhado na melhoria do estado de saúde das crianças e a sua qualidade de vida.

Nos últimos anos tem se registado altas taxas de desnutrição nas crianças menores de 5 anos. O UNICEF, como parte do seu apoio a Direção Provincial de Saúde (DPS) na província de Cabo Delgado, tem financiado a implementação de Brigadas Móveis Integradas (BMI) que inclui serviços de saúde e nutrição, nos distritos que foram afectados pelo ciclone Kenneth, assim como, nos distritos em que existe uma emergência nutricional, sendo feitas acções de busca activa e rastreio nutricional massivo as crianças menores de 5 anos nas comunidades remotas.

O senhor Tuacale é um activista na comunidade de Machova, uma comunidade pertencente ao Distrito de Macomia, que conta com uma população de 29,348  habitantes, e dista cerca de 8 km da vila de sede de Macomia, na província de Cabo Delgado. Tuacale apoia o programa de nutrição realizando rastreio da desnutrição em crianças menores de 5 anos na sua comunidade. Ele identificou Sarima Chacure, uma bebé de 8 meses de idade, com desnutrição aguda grave e complicações. Sarima, que pesava 3 quilogramas (kg) teve que ser internada na enfermaria de malnutrição e iniciou de imediato o tratamento com leite terapêutico F75.

“Samira teve alta passado 1 mês e eu passei a fazer o acompanhamento semanal dela na comunidade, e as vezes ela tinha de ir para a unidade sanitária,” conta Tuacale. “Durante o período em que ela permaneceu no programa de reabilitação nutricional, ela sempre recebeu o alimento terapêutico pronto para uso (ATPU) e também foi feita uma educação nutricional à mãe para a preparação de papas enriquecidas com moringa, amendoim, e feijão,” concluí Tuacale. 

Joana, mãe da bebé Sarima, é camponesa (trabalha no cultivo da sua machamba), mãe solteira de seis (6) filhos, o seu marido abandonou-lhe quando ela estava grávida da Sarima e nunca mais voltou. “Meu marido fugiu de casa e me deixou com 5 crianças e grávida da Sarima, que nasceu em casa. Nunca fui ao hospital quando estava grávida porque tinha medo e vergonha de ser perguntada onde estava meu marido, porque agora para abrir ficha pré-natal precisa-se do marido presente.”

UNICEF Mozambique/2019/Ouquita Cardoso

Sarima é um exemplo de sucesso na comunidade, embora as dificuldades que a mãe tinha ela conseguiu seguir com as recomendações feitas pelo técnico de saúde e ficou totalmente recuperada da desnutrição aguda.

Tuacale

Quando Sarima tinha apenas 1 mês ela começou a ter perda de apetite e a perder peso, “eu achava que não era nada e fiquei em casa com ela , mais depois de alguns meses ela continuava a perder peso, tinha febre, e chorava muito,” conta Joana. “Foi quando procurei o activista Tuacale para me ajudar,  ele viu a Sarima e me disse que ela estava com desnutrição, e me acompanhou até que ela ficasse melhor,” disse Joana.

Joana seguiu o tratamento da sua filha e as orientações médicas, e todas semanas ela recebia o ATPU e dava a sua filha,  passado 6 meses, a bebé Sarima, ficou totalmente recuperada. Hoje Sarima está com 30 meses, pesa 9,800 kg, está livre da desnutrição e  brinca com outras crianças, tem apetite e faz pelo menos 3 refeições diárias.

"Sarima é um exemplo de sucesso na comunidade, embora as dificuldades que a mãe tinha ela conseguiu seguir com as recomendações feitas pelo técnico de saúde e ficou totalmente recuperada da desnutrição aguda. A Joana hoje apoia o activistas na promoção de boas práticas alimentares e aleitamento materno exclusivo, e também na promoção dos partos hospitalares,” disse Tuacale.

Desde 2017, o Departamento do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional (DFID) apoia o UNICEF e o Programa Alimentar Mundial nos esforços de emergência na área de nutrição nos distritos que apresentam a níveis elevados de desnutrição aguda. O programa começou em Novembro de 2017 para abordar as situações humanitárias no sector de nutrição em todos os distritos afetados pela seca em Moçambique.