Mulher com albinismo luta contra a discriminação durante a COVID-19

“Toda minha vida sofri discriminação por ter minha pele, meus cabelos e olhos diferentes do que as pessoas consideravam ser normal,” conta Maria Samuel, de 47 anos de idade.

Claudio Fauvrelle e Miraldina Gabriel
Búzi, Sofala – “Toda minha vida sofri discriminação por ter minha pele, meus cabelos e olhos diferentes do que as pessoas consideravam ser normal,” conta Maria Samuel, de 47 anos de idade, mãe de 4 filhas e avó de uma neta, no distrito de Búzi, na província de Sofala.  Todos os anos, no dia 13 de Junho, celebra-se  o Dia Mundial da Pessoa com Albinismo, uma data instituída pela Nações Unidas com o propósito de reflectir-se sobre os direitos das pessoas com albinismo no mundo, mas apesar disso, ainda persist
Light for the World/2020/Miraldina Gabriel
17 Junho 2020

Búzi, Sofala – “Toda minha vida sofri discriminação por ter minha pele, meus cabelos e olhos diferentes do que as pessoas consideravam ser normal,” conta Maria Samuel, de 47 anos de idade, mãe de 4 filhas e avó de uma neta, no distrito de Búzi, na província de Sofala.

Todos os anos, no dia 13 de Junho, celebra-se  o Dia Mundial da Pessoa com Albinismo, uma data instituída pela Nações Unidas com o propósito de reflectir-se sobre os direitos das pessoas com albinismo no mundo, mas apesar disso, ainda persiste muita discriminação, muitos mitos e tabús em volta da pessoa albina, quer seja ela homem, mulher, idoso ou criança. É o que acontece e aconteceu durante toda vida de Maria Samuel.

Abandonada pelo marido após o nascimento da sua filha mais nova, Maria teve que trabalhar mais de 12 horas numa machamba, muitas vezes debaixo de um sol escaldante, e também limpava a terra de outras pessoas para o cultivo, para assim conseguir sustentar suas quatro filhas.

Por causa dessa exposição excessiva ao sol, Maria Samuel ficou com sérios problemas de pele o que aumentou mais o preconceito por parte dos vizinhos que proibiam seus filhos de brincar com as suas filhas e de frequentarem a sua casa, diziam que ela iria contaminá-los com a “sua doença”. “Havia crianças e adultos que cuspiam quando eu passava por perto, e o que mais me deixava triste foi o a família do meu marido não aceitar a nossa relação por eu ser albina,” conta Maria.

  “Eu gosto do meu corpo, do meu tom de pele, mas o único momento que eu fiquei triste foi quando minha neta nasceu, as pessoas lançavam bocas a dizer que eu era culpada da bebé ter nascido também albina como eu, isso me mostrou que mesmo que o tempo passe, as pessoas continuam a ter ideia errada sobre os albinos,” disse Maria Samuel visivelmente triste.
Light for the World/2020/Miraldina Gabriel

O único momento que eu fiquei triste foi quando minha neta nasceu, as pessoas lançavam bocas a dizer que eu era culpada da bebé ter nascido também albina como eu

Maria Samuel, de 47 anos de idade.

“Eu gosto do meu corpo, do meu tom de pele, mas o único momento que eu fiquei triste foi quando minha neta nasceu, as pessoas lançavam bocas a dizer que eu era culpada da bebé ter nascido também albina como eu, isso me mostrou que mesmo que o tempo passe, as pessoas continuam a ter ideia errada sobre os albinos,” disse Maria Samuel visivelmente triste. 

Mesmo com todas as dificuldade, Maria diz que foi muito feliz ao lado das filhas, ao lado da família dela, é uma pessoa muita trabalhadora, uma mãe sempre presente e muito amável.  Hoje ela vive da sua machamba e de pequenos serviços domésticos para algumas famílias.

O seu maior sonho é que suas filhas estudem, tenham uma profissão e que sejam muito felizes.

Maria Samuel faz parte das famílias de pessoas com deficiência e com albinismo residentes no distrito de Búzi, que se beneficiaram de produtos alimentares, mantas, redes mosquiteiras e produtos de higiene, oferecidos pela Light for the World, com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Cooperação Austríaca para o Desenvolvimento, para ajudar a minimizar o sofrimento destas famílias neste período de emergência causado pelo COVID-19, onde a principal recomendação é manter-se seguro em casa.