Matilde vacina e protege o seu filho Marlon da pólio

Matilde é mãe do pequenino Marlon, uma das primeiras crianças vacinadas na Campanha de Vacinação contra a Pólio, em Molumbo.

Immaculada Prieto
Matilde Arlindo Carvalho, 17, com seu filho Marlon Rapazinho, 1 mês, em casa na sede do distrito de Molumbo, na Zambézia. A marcação na porta mostra a passagem da equipa de vacinação.
UNICEF Moçambique/2019/Immaculada Prieto
18 Fevereiro 2019

Molumbo, Zambézia - Há um mês atrás, Matilde recebeu em seus braços o seu primeiro filho Marlon. Matilde Arlindo Carvalho tem 17 anos e, assim que Marlon nasceu, ela veio morar com sua irmã mais velha na sede do distrito de Molumbo. Antes vivia com sua mãe e seu pai, que é professor, no distrito vizinho de Gurué. Ambos distritos fazem parte da província da Zambézia, a mais populosa de Moçambique, com cerca de 6,5 milhões de pessoas.

Em Molumbo, algumas casas da sede começam a ser de alvenaria e a ter água na torneira, mas a grande maioria das famílias mora nos povoados, em casas tradicionais de barro, onde a água vem dos poços ou rios. As pessoas sobrevivem de suas machambas, onde cultivam milho, feijão, mandioca e amendoim. Para atendimento de saúde, recorrem à unidade sanitária mais próxima ou às brigadas sanitárias que circulam pelos povoados. No caso de Matilde, ela fez o seu parto na maternidade de Gurué.

Matilde Arlindo Carvalho, 17, com seu filho Marlon Rapazinho, 1 mês, na sua casa na sede do distrito de Molumbo, na Zambézia.
UNICEF Moçambique/2019/Immaculada Prieto

Nunca tinha ouvido falar da pólio. Não quero que meu bebé fique doente por isso dei-lhe a vacina. 

Matilde Arlindo Carvalho, 17 anos.

“Na maternidade, recebi o cartão de vacinação. Vi que inclui a vacina contra a pólio. Até então, nunca tinha ouvido falar dessa doença,” conta Matilde. Ela ficou chocada em saber que três casos foram identificados recentemente no distrito de Molumbo. “Não quero que meu bebê fique doente. Me preocupa muito saber que outras crianças apanharam a doença.”

Justamente para bloquear a contaminação e o surgimento de novos casos,  foi organizada uma Campanha de Vacinação contra a Pólio em Molumbo e outros nove distritos vizinhos, das províncias da Zambézia, Nampula e Niassa. Uma iniciativa do Ministério da Saúde de Moçambique em parceria com o UNICEF e a OMS (Organização Mundial da Saúde), a ronda zero da campanha foi realizada de 30 de janeiro a 4 de fevereiro de 2019, de casa em casa, para vacinar todas as crianças menores de cinco anos. Apenas na Zambézia, são quase 1,2 milhões de meninos e meninas nessa faixa etária.

A casa de Matilde foi a primeira casa a ser visitada em Molumbo. Nos dias anteriores, ela havia ouvido os carros de som anunciando a vacinação. “Fiquei com medo de ele chorar. Não sabia que a vacina era em gotas. Mas, em todo caso, eu decidi vacinar. É o melhor para meu bebé,” diz Matilde.

A gravidez foi uma surpresa que mudou a vida de Matilde. Todo dia, ela acorda cedo, faz a limpeza da casa, prepara o pequeno-almoço, depois dá banho as crianças. Além de Marlon, ela cuida de três irmãos mais novos que vivem na sua casa.

Em breve, Matilde quer voltar a estudar. “Vou acordar, amamentar, dar banho e pedir para alguém da família cuidar de meu bebé enquanto vou para a escola,” conta Matilde. Ela está na 11ª classe e planeja seguir os estudos para trabalhar na área de saúde e ajudar outros bebés. O estudo também é o futuro que deseja para seu bebé Marlon. “Quero que ele cresça saudável e vá para a escola. É um sonho que tenho, vou acreditar que posso e vou conseguir.”