Jovem rapariga supera violência doméstica através do diálogo

Globalmente, pelo menos uma em cada três mulheres sofreu violência física ou sexual, geralmente pelas mãos de um membro da família ou parceiro íntimo.

Claudio Fauvrelle
“Eu sofria de violência psicológica e verbal depois que a minha mãe faleceu e passei a viver com a irmã da minha mãe,” conta Fátima*, de 21 anos de idade.
UNICEF Moçambique/2019/Cremildo Assane

15 Março 2019

Maputo, Moçambique - “Eu sofria de violência psicológica e verbal depois que a minha mãe faleceu e passei a viver com a irmã da minha mãe,” conta Fátima*, de 21 anos de idade.

Fátima é uma activista social na Associação Sócio Cultural Horizonte Azul (ASCHA). Desde cedo, ela viveu com pais separados e durante a sua adolescência perdeu a sua mãe, tendo passado a viver com a sua tia.

“A minha tia agredia-me verbalmente, gritava comigo e ela costumava lembrar-me que a minha mãe não estava mais viva. Eu sofria em silêncio e não tinha a quem pedir ajuda, se a minha mãe estivesse viva as coisas seriam melhores,” disse Fátima.

“A minha tia agredia-me verbalmente, gritava comigo e ela costumava lembrar-me que a minha mãe não estava mais viva. Eu sofria em silêncio e não tinha a quem pedir ajuda, se a minha mãe estivesse viva as coisas seriam melhores,” disse Fátima.
UNICEF Moçambique/2019/Cremildo Assane
“A minha tia agredia-me verbalmente, gritava comigo e ela costumava lembrar-me que a minha mãe não estava mais viva. Eu sofria em silêncio e não tinha a quem pedir ajuda, se a minha mãe estivesse viva as coisas seriam melhores,” disse Fátima.

Um dia, durante um debate de reflexão realizado pela ASCHA, cujo tema eram as várias formas de violência contra as mulheres e raparigas, Fátima aprendeu sobre a importância do diálogo e de quebrar o silêncio. “Ao chegar a casa, falei com a minha tia sobre como eu me sentia devido aos maus tratos que sofria, e pedi que ela me tratasse como filha. Com o passar do tempo, a minha tia mudou, até hoje ela cuida bem de mim e sou feliz a viver com ela. Ela é agora a minha mãe”.

Globalmente, pelo menos uma em cada três mulheres sofreu violência física ou sexual, geralmente pelas mãos de um membro da família ou parceiro íntimo. Esta violência geralmente deixa marcas profundas na vida destas mulheres e raparigas.

A violência contra as mulheres e raparigas tem sido ignorada ou mantida nas sombras por muito tempo. A União Europeia e as Nações Unidas em Moçambique lançaram, no dia 8 de Março de 2019, uma iniciativa focada na eliminação de todas as formas de violência contra mulheres e raparigas – a Iniciativa Spotlight. A iniciativa coloca o tema no centro dos esforços para alcançar a igualdade de género e o empoderamento das mulheres, de acordo com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. O nome da Iniciativa - Spotlight- simboliza a importância de direccionar a violência das sombras para a luz, para que possa ser vista, abordada e eliminada. Moçambique está disposto a espalhar essa luz para as mulheres e raparigas, e conta com a ajuda de todos.

Associação Sociocultural Horizonte Azul
UNICEF Moçambique/2019/Claudio Fauvrelle

Juntamente com a ASCHA, em 2018 a ONU Mulheres beneficiou 300 líderes comunitários e de opinião através de actividades de mobilização social, que contribuíram para aumentar os seus conhecimentos e capacidades para reconhecer e lidar com a violência contra as mulheres e raparigas em espaços públicos. Além disso, 324 raparigas e 191 rapazes participaram num programa de prevenção baseado em escolas, com o objectivo de aumentar os seus conhecimentos sobre a violência e formas de a eliminar. Além disso, através do projecto, os jovens também são envolvidos em “artivismo” (arte como forma de activismo contra a violência) e na produção de artes manuais, nos seus tempos livres. O engajamento nestas actividades contribui para prevenir comportamentos de risco entre os jovens, promovendo ainda estratégias de geração de renda. Estas intervenções inserem-se num esforço mais amplo para o engajamento masculino na promoção da igualdade de género e na eliminação de todas as formas de violência contra as mulheres e raparigas em Moçambique.

 

*Nome alterado para proteger a identidade da rapariga