Faça sol, chuva ou ciclone as aulas não param, graças ao apoio do Governo da Irlanda

Mais crianças estudam seguras em salas de aulas com tectos resilientes a ventos fortes.

Cremildo Assane
23 Agosto 2019

Agora, com a reabilitação das nossas salas de aulas com tectos resistentes a ventos fortes, estou segura que terei sempre aulas e não serão interrompidas, faça sol, chuva ou vento forte, como o ciclone Dineo.

Yunaika Gildo, de 12 anos.

Maxixe, INHAMBANE - Yunaika está na 7ª classe, na Escola Primária Completa do I e II Grau de Nhambiho, no distrito da Maxixe, província de Inhambane, a sul de Moçambique. Ela viu sua escola ser danificada pelo ciclone Dineo.

Ora, o sino toca para o intervalo maior. Era hora de recreio. O sol da manhã brilhava, enquanto as crianças, alegremente, brincavam e corriam no vasto pátio da escola, depois de uma série de aulas. Sob a sombra de uma árvore, estava Yunaika conversando com suas colegas de turma. Durante a conversa, Yunaika, lembra-se de como tudo foi há 2 anos quando ocorreu o ciclone Dineo. Em vez de um dia de sol brilhante com uma temperatura amena, ocorreram, então, ventos fortes que causaram danos significativos a sua escola.

Ela recorda-se que, embora tivesse havido o aviso de previsão de mau tempo, naquele dia do ciclone Dineo, no período da manhã, o estado do tempo estava inicialmente calmo, sem ventania, e favorável para mais um dia normal de actividades rotineiras, caracterizado sobretudo por uma temperatura amena. Por isso, não havendo sinais visíveis de uma possível ocorrência de ciclone, alguns professores e alunos ignoraram o aviso dos serviços de meteorologia e decidiram ir à escola.

Pouco antes do meio dia, enquanto as aulas decorriam normalmente, ouviu-se de repente um trovão estrondoso seguido de uma ventania incomum que levantava areia e formava um remoinho de poeira no pátio escolar. Não havia dúvidas que era o previsto ciclone Dineo. Imediatamente os alunos foram dispensados. Espalhados e agitados, os alunos deambulavam no pátio da escola, em estado de pânico, correndo para suas casas à procura de abrigo.

“Foi uma situação assustadora, e nós todos ficamos com medo”, confessa Yunaika. Depois do meio do dia, os ventos intensificaram-se e durante a noite tornaram-se muito mais fortes e violentos. “Os tectos das nossas salas de aulas voaram e destruíram-se”, diz Yunaika.

Com ventos fortes e a soprar a 150 quilómetros por hora, o ciclone Dineo atingiu particularmente a província de Inhambane entre os dias 15 e 17 de Fevereiro de 2017, com um impacto grave. Ficaram afectadas 128.538 famílias, num total aproximado de 652,684 pessoas, tendo havido sete mortes confirmadas. O ciclone causou igualmente danos significativos às infraestruturas, em particular de saúde e educação incluindo 116 gabinetes do governo e 70 unidades sanitárias.

Deve notar-se que alguns dias antes, os órgãos de comunicação social já vinham anunciando a possibilidade de ocorrência do ciclone Dineo. De igual modo, a professora de Yunaika, a senhora Isabel Machado, avisara os alunos a esse respeito. Além de ter recomendado para que permanecessem em casa com suas famílias, em caso de ventos fortes, a professora sensibilizou as crianças para os cuidados a ter durante o ciclone.

No dia seguinte, depois da passagem do ciclone, o pátio escolar estava coberto de folhas e ramos de árvores derrubados pelo ciclone. “Todos os nossos materiais de ensino e salas de aulas estavam irreconhecivelmente destruídos. Tentamos recuperar algumas coisas para reaproveitar, sem sucesso”, conta a professora Isabel Machado. Havia cacos de vidro no chão e os tectos desfeitos. Estava tudo em escombros.

Na sequência desse incidente, as aulas foram interrompidas e, apenas, retomadas uma semana depois. Muitas vezes, os professores juntavam 2 turmas da mesma classe, tornando-as numerosas. “Passamos a estudar aglomerados debaixo das sombras de árvores, ao relento, expostos ao sol, ventanias, poeira, chuva, frio e calor; era difícil concentrarmo-nos e aprender. O ciclone prejudicou-nos”, desabafa a pequena Yunaika. Isto comprometia o aproveitamento escolar das crianças, tanto que quando chovesse as águas pingavam no interior das sombras improvisadas de material precário e alagavam o chão. As aulas eram interrompidas.

Para responder ao ciclone Dineo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com o generoso apoio do Governo da Irlanda, estabeleceu uma parceria com as ONGs CARE e ASF (Arquitectos Sem Fronteiras) e forneceu apoio técnico através do UN-HABITAT. Esta parceria tinha em vista reabilitar as salas de aulas destruídas com tectos resilientes a ventos fortes, e responder às necessidades de recuperação das condições das salas de aulas de forma a proporcionar um ambiente de aprendizagem seguro para as crianças.

Com o início de reabilitação das salas de aulas com tectos resilientes a ventos fortes, Yunaika e outros alunos começaram a respirar de alívio, pois já havia renascido a esperança e o entusiasmo de voltar a estudar dentro de salas de aulas. Com efeito, só na escola de Yunaika, a AS Fcompletou, recentemente com sucesso, a reparação de 13 salas de aulas com tectos resilientes.  No total, na primeira fase completou 50 salas de aulas nos distritos de Massinga e Maxixe. O UNICEF renovou a parceria com a ASF em 2018 para a segunda fase da intervenção em 70 salas (incluindo acções de melhoramentos em 20 salas de aulas da fase anterior) nos distritos de Maxixe, Morrumbene, Homoíne e Massinga com seus próprios fundos e outros da Embaixada da Irlanda.

O Governo da Irlanda, através da Embaixada da Irlanda em Moçambique, desembolsou para apoio à emergência, quinhentos mil euros (€500,0000) e, através do UNICEF, foram apoiadas as respostas às prioridades identificadas no Plano de Resposta Provincial de Inhambane ao Ciclone Dineo, inserido no Apelo das Autoridades Moçambicanas.

“Agora que as nossas salas de aulas são mais amplas e têm tectos resilientes, sinto-me muito feliz porque estudamos sem dificuldades, as turmas já não são numerosas e aprendemos melhor. Estou grata por nos terem ajudado a reabilitar a nossa escola”, concluiu satisfeita Yunaika.